sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Memórias Diretas

Fachada da prefeitura de Campinas, em 1984. Crédito da foto: Luiz Ferrari

Há exatamente um ano a Amira e eu estávamos praticamente loucas por causa do nosso projeto de conclusão de curso: um videodocumentário sobre a campanha das Diretas-Já no município de Campinas. Queríamos fazer uma espécie de ‘resgate histórico’ de um episódio desconhecido por grande parte dos moradores da cidade. Ficamos mais de cinco meses só pesquisando, fazendo pré-entrevistas e falando com muita, mais muita gente para conseguir qualquer tipo de material audiovisual, fotográfico e relatos sobre a época.

Visitamos arquivos de TVs, jornais, sindicatos, acervos públicos, bibliotecas e não achávamos nada que sustentasse as imagens da nossa proposta. Nossos entrevistados também não guardaram nada visual daquela época e já pensávamos em mudar de tema, porque não tínhamos conseguido reunir imagens suficientes para contar esta história.

Orquestra de Campinas em apresentação no Carlos Gomes. Era conhecida na época como a 'Orquestra das Diretas', do maestro Benito Juarez. Crédito da foto: Luiz Ferrari.

Foi aí que encontramos o Orestes Toledo, que nos presenteou com algo muito especial: um vídeo amador da maior manifestação política já realizada em Campinas, o comício no Largo do Rosário de 21 de janeiro de 1984. Em toda a cidade, não há nada igual a este registro histórico. Pronto, agora podíamos falar sobre o que tanto queríamos.

De Osmar Santos aos comentários de Orestes Quércia, vice-governador do Estado de São Paulo em 1984, parecia que alguém naquela época sabia que duas estudantes iriam precisar das imagens para seu trabalho, eu nem havia nascido ainda! Posso até dizer que o dia que achamos e assistimos juntas a relíquia foi um dos momentos mais marcantes da minha vida.

Depois da descoberta foram várias noites sem durmir, gravando, decupando, editando e procurando as pessoas que apareciam naquele vídeo para entrevistarmos. Uso o gerúndio para falar disso de propósito, pois o fizemos praticamente sozinhas e conseguimos após muito trabalho. Só não deu certo de falar com a Maitê Proença, que não topou, e com o presidente (neste último caso bem que a Amira tentou e fez o que pôde no Planalto, porém foi praticamente engolida pelos outros jornalistas que queriam saber sobre os escândalos de sempre. Lógico que não deu certo, quem sabe na próxima?).

Jogo de futebol no Largo do Rosário, em Campinas, em 1984. Ao invés de Guarani e Ponte Preta, o jogo foi do time das 'Diretas' contra o da 'Indiretas'. O placar foi de 10 x 4 para a primeira equipe, com foto publicada no jornal Correio Popular.

Mas tirando este blá-blá-blá, hoje fiquei orgulhosa em saber que o nosso ‘Memórias Diretas’ foi um dos dez curtas-metragens mais votados pelo público durante a III Mostra Curta Audiovisual de Campinas. Fez parte da Sessão Júri Pop.

Isso me deixa feliz porque nós duas não acreditávamos neste projeto. É bom saber que algumas pessoas gostaram do resultado final e que este só foi possível após muito estresse, chororô e noites perdidas de sono (ou não teria graça, não é verdade?). Nem quando ele foi apresentado e elogiado no Intercom Sudeste eu fiquei tão satisfeita...

Aposto que a Amira vai concordar com cada palavra...

Clique aqui para entrar no site da III Mostra Curta Audiovisual

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Um pingüim em minha mesa...

Muitos aderem a tatuagem, outros já preferem usar alguma jóia ou bijuteria para simbolizar. Conheço até pessoas que furam a orelha juntas ou fazem questão de usar frases em comum, mas minha amiga Laura e eu arrumamos uma forma diferente de selar nossa amizade: temos cada uma um pingüim pequenino, que chamamos carinhosamente de Tunico e Tinoco (sim, é uma miniatura daqueles que ficam em cima da geladeira).

Parece até brincadeira de criança, mas os batizamos assim em homenagem aos cantores sertanejos, que certamente seu avô ou sua avó conhecem muito bem. Aqui no interior de São Paulo então nem se fala, faz parte da nossa formação e quase nascemos cantando suas músicas.

Mas o processo para escolha do nome não foi aleatório, pois queríamos que eles estivessem ligados de alguma forma. Pensamos então que quando se trata de uma dupla sertaneja não importa se você quer falar apenas de um, o nome do outro sempre vem embutido. Quer um exemplo? Aposto que pelo menos alguma vez na vida você já deve ter falado ou ouvido: “Sim, o Zezé de Camargo e Luciano ‘é’ marido da Zílú” ou então “O Chitãozinho e Xororó ‘é o pai’ da Sandy e Júnior”. Não tem jeito, um puxa o outro, afinal são uma dupla. Além disso, queríamos que acontecesse isso com a gente também!

Bom, até aí tudo bem, mas por que escolhemos um pingüim? Fácil de responder. Laura e eu trabalhávamos em uma sala sem janelas e na qual o ar condicionado não gostava de ninguém, ou era muito abafado ou muito frio. Nos tempos mais gelados, costumávamos falar que iam surgir pingüins para nos fazer companhia, pois estávamos praticamente dentro de uma geladeira. Pronto, poucos dias depois ela aparece com duas miniaturas que comprou em Araraquara, cidade de seus pais. Nem preciso dizer mais nada, né?
Desde então o Tunico (da Laura) e o Tinoco (o meu) ficam em nossas mesas de trabalho e nós trazem uma sensação muito boa, ainda mais agora que não trabalhamos mais juntas. Nós fazem lembrar das risadas e foras que sempre demos, desde o momento que nos conhecemos. A empatia foi imediata e viramos grandes companheiras, do trabalho às piadas e comentários criativos; nossos 'amigos' não poderiam ser tão diferentes.

O mais legal disso tudo é que mesmo não precisando de nada para lembrarmos uma da outra, nossos mascotes cumprem esse papel, pois geram a mesma curiosidade alheia e a mesma pergunta: o que significa esse pingüim na sua mesa? E aí começa tudo de novo, mais uma oportunidade de relembrar boas histórias e não deixar que elas congelem em nosso pensamento...

Laurinha, só para não perder o costume: beijo me liga, hein!

sábado, 25 de outubro de 2008

Você prefere como?

O texto postado abaixo foi retirado do portal da F/Nazca. Quem me indicou foi a Lívia, dizendo que eu não poderia deixar de ler. Gostei tanto que pensei em dividir com vocês...

Crise. Você prefere com ou sem açúcar?

Nós já enfrentamos e sobrevivemos a muitas crises. Talvez já tenhamos perdido as contas sobre o número e a origem delas. Mas as malditas já nos surpreenderam diversas vezes enquanto assobiávamos distraídos virando algumas dessas esquinas da vida. Algumas foram provocadas pelo petróleo, outras pela Rússia ou pela China, a maioria gerada internamente, já que em matéria de crise, o Brasil sempre foi auto-suficiente. A tal ponto que, se não chegamos a ser fraternos amigos - nós e a crise - também não podemos negar que tenhamos nos tornado íntimos conhecidos.

Nenhuma crise é igual à outra. Essa que chegou com toda a força, agora, certamente é a mais diferente de todas. Porque o Brasil não tem um pingo de responsabilidade sobre o que está ocorrendo e porque o Brasil está no seu melhor momento economicamente falando. O Brasil nunca esteve tão em dia com as suas obrigações, o dever de casa feito, com um mercado interno tão forte, com empresas tão sólidas, modernas e competitivas e com suas instituições tão garantidas, para encará-la.

Mas isso não nos exime das conseqüências da crise. Que, por sinal, é também uma das mais potentes e destruidoras das que se tem notícia em quase um século. Ela já está sendo dura e será ainda mais devastadora, não precisamos ser profetas para prevê-lo. Então, o que nos resta fazer?

O óbvio é termos medo, nos encasularmos, rezarmos para diferentes deuses, de diferentes religiões, ficarmos imóveis acreditando que qualquer mínimo movimento pode ser fatal para ela nos alcançar e, assim, esperarmos, até que ela passe.

Demitir, cortar os investimentos, reduzir a produção, suspender novos projetos, reprimir os movimentos de inovação, não acreditar num retorno inesperado da demanda, também são boas e óbvias idéias. Talvez, algumas tenham mesmo que ser feitas, quem sabe? Mas também há o inóbvio, por mais que, obviamente, a palavra inóbvio não exista. E não existe por quê? Porque ninguém a disse antes, vai saber.

E é aí que reside o intuito deste nosso anúncio: apelar para os que acreditam que o inóbvio existe. Não só existe, como pode ser feito nesse exato momento onde o óbvio é o que todos pensam, todos fazem, todos professam e todos aconselham.

O intuito deste anúncio é, humildemente, tentar criar uma minúscula fagulha de otimismo, de esperança – nossa velha, desgastada, mas essa sim, querida amiga em todos os nossos célebres momentos de crise – para que ela se dissemine, se instale na nossa cabeça, nas nossas empresas, na nossa sociedade, mesmo lutando contra esse poderoso inimigo, que tão mais facilmente gosta de se instalar nesses mesmos lugares ao menor sinal de que o pior pode acontecer.

O intuito deste anúncio é despertar o empreendedorismo que sempre caracterizou o empresariado brasileiro, a coragem que sempre foi a marca registrada das nossas empresas, a capacidade inesgotável de reinvenção que sempre foi o norte dos vencedores neste nosso país. E também é o intuito deste anúncio demonstrar que um marketing original é a mais poderosa fonte de energia, capaz de gerar as transformações que uma empresa precisa num momento de crise.
Nós acreditamos piamente nisso. Esse é o nosso óbvio.

Acreditamos que se esse não é o momento de inovar, que outro será? Acreditamos que se esse não é o momento de ser e parecer diferente dos seus concorrentes, que outro haverá de ser? Acreditamos que se não for essa a hora de falar, enquanto muitos se calam de medo, que outra hora estará à nossa disposição para fazê-lo?

Uma grande idéia, única, diferente de todo o óbvio, sempre foi e sempre será o detonador mais valioso - e menos oneroso - para se mudar a história, o humor, a fé, a determinação e o otimismo interno de uma empresa.

É isso que nós defendemos para os nossos clientes e que queremos externar para o Brasil inteiro hoje. Porque tivemos a presunção de que se nós pensamos assim, talvez você, talvez mais gente por aí também pense do mesmo jeito. E nós adoraríamos poder contar com mais gente, mais empresários, mais cidadãos para ajudar a contrariar o óbvio, a não aceitar passivamente em todas as suas piores conseqüências o medo, pelo medo.

Crises nós já enfrentamos e, queiramos ou não, ainda enfrentaremos essa um bom tempo e outras por muitas vezes. O que deve nos mover é a visão de como nós queremos ser percebidos assim que mais uma vez nós sairmos dela. De pé, ou de cócoras.

Aqueles que foram criativos, inovadores, desafiadores, obstinados, inteligentes, inóbvios, ou apenas aqueles - a maioria - normalmente óbvios. Na crise, já disseram muitos, é que se separam os homens dos meninos. Ou seja, crise pode ser café pequeno para os homens.

Nós gostamos com açúcar.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Good enough for you, is not so good enough for me...

Só tenho três coisas a dizer sobre novembro, tirando o fato de que o Rafa (meu namorado) faz aniversário neste mês:

1) Show da Cindy Lauper, em São Paulo;
2) Show do Maroon 5, em São Paulo;
3) E eu não vou a nenhum dos dois, olha que beleza?! Duas oportunidades únicas no mesmo mês!

Por isso passei a acreditar no que dizem por aí, que nada é por acaso e que as coisas que você quer muito sempre acontecem ao mesmo tempo. Como seguidora fiel da Lei de Murphy só venho a confirmar que este ditado (ou sei lá o que) realmente é verdadeiro...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Quem me dera...

Sabe aquela história que te contaram uma vez, há muito tempo mesmo, e você nunca mais esqueceu? Pois bem, hoje meu post será um texto que reflete exatamente essa idéia, uma história contada pelo Rubem Braga, em 1953.

De tão bem escrita parece que eu estava lá com ele, observando o mar e sentindo a mesma coisa, torcendo junto. Quem sabe um dia poderei contar uma situação cotidiana com tanta maestria...

Homem no Mar

Rubem Braga

De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que resplende ao sol. O vento é nordeste e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde.

Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem nadando. Ele nada a uma certa distância da praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e as pequenas espumas que nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo: espumas são leves, não são feitas de nada, toda sua substância é água e vento e luz, e o homem tem sua carne, seus ossos, seu coração, todo seu corpo a transportar na água.

Ele usa os músculos com uma calma energia; avança. Certamente não suspeita de que um desconhecido o vê e o admira porque ele está nadando na praia deserta. Não sei de onde vem essa admiração, mas encontro nesse homem uma nobreza calma, sinto-me solidário com ele, acompanho o seu esforço solitário como se ele estivesse cumprindo uma bela missão. Já nadou em minha presença uns trezentos metros; antes, não sei; duas vezes o perdi de vista, quando ele passou atrás das árvores, mas esperei com toda confiança que reaparecesse sua cabeça, e o movimento alternado de seus braços. Mais uns cinqüenta metros e o perderei de vista, pois um telhado a esconderá.

Que ele nade bem esses cinqüenta ou sessenta metros; isto me parece importante; é preciso que conserve a mesma batida de sua braçada, e que eu o veja desaparecer assim como o vi aparecer, no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno. Será perfeito; a imagem desse homem me faz bem. É apenas a imagem de um homem e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua cara. Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que ele atinja o telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda tranqüilo, pensando — "vi um homem sozinho, nadando no mar; quando o vi ele já estava nadando; acompanhei-o com atenção durante todo o tempo e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e correção; esperei que ele atingisse um telhado vermelho e ele o atingiu".

Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém, nem construindo algo de útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril. Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão.

Extraído do livro "As cem melhores crônicas brasileiras", pág. 110. Editora Objetiva.

Para saber mais sobre o Rubem Braga clique aqui.

PS: Não poderia deixar de comentar que adoro este escritor e que acho muito curioso ele ter morrido no dia do meu aniversário, 19/12. O ano não é o mesmo, pois ele faleceu em 1990, mas por incrível que pareça é um ano que recordo muito. É um comentário bobo de qualquer forma, só escrevo porque descobri isso há pouco tempo e achei curioso, nada de mais...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Perguntar dói, e muito!

Não importa o lugar, quando o assunto é petulância e má educação todo nós estamos sujeitos, ainda mais quando se quer algum tipo de informação importante – a coisa mais normal do mundo a um jornalista.

Escrevo isso porque fico revoltada e puta da vida ao ler que algum repórter apanhou enquanto trabalhava, como o jornalista que foi agredido por torcedores austríacos em uma transmissão ao vivo. Além da física, outro tipo de agressão que me tira do sério é a implícita, que vai desde desligar o telefone na cara, fazer de conta que não ouviu/entendeu ou até mesmo tirar sarro da situação, sendo que você precisa escrever sobre aquilo e não ouvir piadas do assunto. Mas, sem dúvida, a de não ser levado a sério é ainda pior, principalmente por aqueles que renegam ao jornalista justamente aquilo que é a base do seu trabalho: o direito à informação. Neste quesito, alguns assessores e puxa-sacos são experts e conduzem com maestria a falta de ética que pode haver no relacionamento com a imprensa (ainda bem que são a minoria).

Expondo o que considero agressão já dá para comentar a total falta de respeito que tiveram com um dos repórteres do CQC, o Danilo Gentili, quando ele cobria a visita da Marta (PT) em uma favela ao lado do Morumbi. Não gosto muito de comentar essas coisas, mas depois de ler a notícia do Ricardo Galhardo, de O Globo, e do Rubens Valente, da Folha, me deu tanta raiva que tive que escrever algo para deixar marcada minha opinião.

Ler notícia de internet é um pouco complicado, mas o primeiro jornalista noticiou que o repórter da Band teria sido impedido de chegar perto da ex-prefeita e que rasgou a bandeira de um militante que participava da visita na favela, em São Paulo. Já Valente relata que Gentili tentou gravar um quadro com a candidata, com um manequim semelhante ao que ela cumprimentou por engano (ótima idéia). Já dá para imaginar o restante da história, né?

Logicamente que rasgar a bandeira não é uma atitude coerente (apesar de não acreditar que ele tenha feito isso), mas nada justifica o que aconteceu depois. De acordo com a nota publicada, o repórter teria sofrido agressões que foram chamadas de “brincadeira” pelo fotógrafo da aspirante à prefeita sem-noção, César Ogata: “Foi uma brincadeira. O "CQC" não é um programa de humor?”. Comentário simplesmente ridículo, porque a brincadeira a qual Ogata se refere é instigar a população a "passar a mão na bunda dele [Danilo]”, conforme Galhardo.

De boa, quem assiste ao CQC e tem um mínimo de cérebro sabe que o programa é irreverente e tem humor sim, mas a base de suas matérias são totalmente jornalísticas; isto é inegável. Entretanto, a discussão que fica aqui é até que ponto vai a agressão a um repórter, sendo que no caso do Gentili foi física e verbal. Será que ele fez algum tipo de pergunta que "não deve" ser feita? E eu que aprendi que perguntar não dói, pelo menos em tempos de democracia...

A única justificativa plausível, na minha opinião, é que este tipo de atitude só fortalece ainda mais a idéia de que algumas perguntas podem doer tanto que é mais fácil responder com socos ao usar palavras. E já que é assim eu também acertaria o microfone ou meu bloco de notas como contra-resposta, com toda a certeza.

sábado, 11 de outubro de 2008

Por que parecer uma pessoa que você não é?

O ser humano é cheio de frescura. Basta conhecer uma pessoa nova para que queira surpreender o outro com atitudes que não são e nunca serão suas. Risadas forçadas, palavras improvisadas, piadas sem graça e gestos que denunciam sua falsa maneira de agir. Isto vale para as duas partes e é muito natural na primeira ou segunda conversa, principalmente quando você não está em uma situação confortável. Depois não dá mais para evitar...

Escrevo isso porque gosto de observar como os outros agem e como me porto em diversas situações, porém não faço isso como comparação, é apenas curiosidade. Além disso, ultimamente venho presenciando a atitude de pessoas que inventam características só para agradar os outros ou para falar "como sou fo*&", sem pensar no papel ridículo que fazem, principalmente diante dos conhecidos. Eu mesma já tentei agradar muito os outros por medo da primeira impressão já ser a errada, mas era justamente aí que fazia feio mesmo e acontecia o contrário do que eu queria. Culpa de quem? Da minha insegurança e do desejo em querer ser sempre bem vista.

Mas entre tantas atitudes a querer mostrar, inventadas para agradar, não há a que me irrite mais do que negar algo que você gosta, só porque o outro não tem o mesmo gosto que você. Para meu desgosto fiz isso ontem sem perceber e me senti uma boba depois, pensando o porque de negar algo que admiro tanto. Lógico, culpa do desejo de não contrariar e querer ser aceita pelo grupo. Pura idiotice e insegurança que sobraram de uma época que já passou...

É, realmente o ser humano é assim, cheio de frescuras...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Ah! E os resultados de Valinhos...

Acompanhei toda a votação aqui na cidade trabalhando pela rádio e nos momentos de folguinha estava grudada na mesma emissora! Aliás, a equipe estava mais que integrada e deu um show de cobertura, anunciando os resultados das eleições de 2008 com mais de quatro horas de antecedência, comparado ao horário oficial de divulgação do Tribunal Superior Eleitoral. Parabéns a todos que participaram e obrigada pelo convite, quero estar em outras também...


A votação ocorreu normalmente e o prefeito Marcos José da Silva foi reeleito com 71,8% dos votos, aproximadamente 37.400 dos válidos. Entre os eleitos para a Câmara Municipal, constam os nomes de Tunico (PMDB), Clayton Machado (PSDB), Dr. Moysés (PTB), Henrique Conti (PV), Dalva Berto (PSDB), Paulo Monteiro (PMDB), Lorival (PT), Israel Scupenaro (PMDB), Aguiar (PMDB), Fábio Damesceno (PMDB) e Sérgio Siqueira Juju (PDT).


Espero que todos façam um bom trabalho até 2012, pois sei que alguns nomes citados aqui levam à sério seu cargo público. Que os erros dêem espaço a bons projetos e que o salto alto de outros seja deixado de canto. Vamos trabalhar!

PS: Malu, gostei muito de conhecê-la, tem um futuro brilhante!

O dia seguinte...

Oba! As eleições terminaram, os eleitos já foram devidamente anunciados nas cidades com primeiro turno e agora fica o resultado do período de campanha, mas não estou falando da felicidade e da tristeza dos candidatos não...

Quem mora perto de escolas que serviram como local de votação sabe exatamente do sentimento que toma conta da minha alma neste momento. É incrível como as pessoas confundem seus santinhos eleitorais com confete, os jogam por todo lugar e fazem da rua um verdadeiro salão, como se fosse um carnaval. No mínimo muitos pensam que os eleitores são fanfarrões vestidos de palhaços, que devem dançar no mesmo ritmo da marchinha deles, no meio da porcalhada.

O engraçado – ou trágico – é que estes mesmos candidatos que jogam seus papéis ao vento e colocam placas por todo o canto querem se eleger para transformar a cidade num lugar melhor para se viver, pelo menos era para ser assim. Mas como querem fazer algo de bom se já começam sujando as ruas e deixando tudo por ai, jogado?

Só quero ver quem vai limpar a sujeira depois da chamada “festa da democracia”. Espero que pelo menos os eleitos não queiram fazer a mesma coisa com os projetos e com o futuro da cidade...

sábado, 4 de outubro de 2008

Já chegou a hora!

Opa! Amanhã todo mundo sabe que é dia de votar e será uma data muito especial, porque depois de quase dois anos voltarei a fazer cobertura ao vivo e será logo das eleições municipais, aqui em Valinhos mesmo, pela rádio da cidade. Já estava cansada de só escrever coisas institucionais ou de assessoria, jornalismo de campo sempre é mais divertido, está no meu sangue.

Fui convidada por meu ex-chefe (salve, salve Fernando D'Ávilla) e estou muito feliz com a oportunidade, pois foi nesta rádio que me ajudaram a crescer profissionalmente. Trabalhei lá durante um ano e era responsável pelo conteúdo jornalístico da manhã, apresentava o jornal e era convidada no programa Revista da Manhã, do qual tenho muita saudades também. Entretanto, mesmo quando estava lá nunca peguei cobertura de eleições municipais e estou ansiosa para fazer parte daquilo de novo. Tudo bem que já cobri desde jogo de futebol à referendo e greves, mas as eleições nem se compara!

Bem, ontem foi a reunião que decidiu os últimos detalhes para que a transmissão seja um sucesso. Serei voluntária e integro um time de mais de 60 pessoas, que correrão contra o tempo para informar os valinhenses sobre seu futuro político. E para não esquecer as origens trabalharei diretamente com a Malu, que é a menina que faz exatamente as coisas que eu fazia na rádio. Está no segundo ano de jornalismo e já ouvi falar muito bem do trabalho que ela faz, trocar figurinhas sempre é excelente...

Fico por aqui e depois volto com os resultados. Realmente é muito bom fazer aquilo que se gosta...

Ah! Vagninho, Claudinei e Fernando Cunha, olha eu enchendo vocês novamente!

Vamos votar certo!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Heróis de infância...

Ao recordar a infância é inevitável não relembrar com saudosismo desenhos animados, programas da TV Cultura e as peripécias de alguns super-heróis. Por isso não é difícil de acreditar que muitos, assim como eu, também recordam felizes da vida os personagens que tornaram esta época ainda mais divertida e gostosa. No meu caso também posso incluir uma figura importantíssima, que conheci quando nem era tão criança assim...

Já era uma “pré-adolescente” quando o Gilberto começou a freqüentar a rua em frente de casa. No começo foi estranho porque ele tinha seus 40 anos e queria ficar mais próximo da turma, que tinha entre 8 e 13 anos. Entretanto, aos poucos percebemos que o Giba não era um adulto de verdade, era até mais inocente que muitos de nós que tínhamos 1/3 da idade dele. Tornou-se um fiel amigo.

Talvez isso explique porque mesmo depois de tanto tempo ainda lembro a forma que ele chegava na rua, gritando desde a esquina “Oba, oba, pessoal!”, com uma pronúncia balbuciada, eufórica como de criança. Também lembro de como admirava a mulecada brincando de bola e como ficava bravo quando brigávamos por motivos idiotas, ia embora.
Para falar a verdade, acho que nunca esquecerei que ele adorava andar de bicicleta enquanto jogávamos futebol, sempre pedia para alguém: “Posso dar uma voltinha só, uma voltinha só?”, de forma nervosa e receosa, com medo de um não. Nunca demos uma resposta negativa e a voltinha que era para ser uma só durava horas e horas e o deixava feliz, sentimento refletido plenamente em um sorriso sincero e nos agradecimentos “Obrigado, obrigado e obrigado”. Três vezes, sempre!

Aos poucos, o Giba nos conquistou tanto que nos preocupávamos em não acertar a bola nele durante os jogos de futebol - enquanto passeava de bicicleta na calçada- , nos preocupávamos quando ele não aparecia e/ou quando chegava triste, porque sua mãe estava doente. Entre nós, crianças, era o mais autêntico de todos.

E como o tempo tem que passar, crescemos, deixamos de freqüentar a rua e cada um foi para o seu canto. O Giba foi o único que não deixou de dar uma passadinha lá e quando não havia ninguém para conversar ficava apenas ali, quieto e sentado, sendo levado pela força de seu pensamento. Sinceramente acho que tinha a esperança que chegássemos ali novamente e começasse tudo de novo, mas apenas passávamos e o cumprimentávamos, nada mais de velhos tempos. Aos poucos ele também foi deixando de aparecer, sumiu assim como fizemos.

Mas para minha felicidade o encontrei há alguns dias por aí, andando com aquele jeito de muleque de sempre: shorts, camiseta e tênis com a meia lá em cima. Ia passando rapidamente quando gritei: “E aí, Giba?”. Ele logo tomou um susto e mesmo de longe me reconheceu na hora, atravessou correndo a rua e me deu um abraço tão forte que levei um tranco, demos risadas e conversamos um pouco. Sei que está tocando a vida sem a mãe, que faleceu, e que continua a admirar as pessoas e a andar de bicicleta. Agora as crianças que moram em outro bairro são as felizardas em ter sua companhia, vai lá todo fim de tarde assim como fazia na frente de casa, quando eu ainda pensava e brincava de ser jornalista.

O mais legal de tudo isso é que bastou ele se despedir para eu perceber que aquele momento iria ficar imortalizado na minha mente, como todos os outros nos quais ele esteve presente. Afinal, não é todos os dias que encontramos super-heróis de nossa infância andando pelas ruas, um homem de carne e osso...

Giba, aquele abraço sempre!