domingo, 30 de novembro de 2008

Desconforto com a falsa necessidade...

O brasileiro nunca teve tanta coisa. Não importa quanto vai receber no fim do mês, as casas já estão cheias de eletroeletrônicos de todos os jeitos, da televisão com tela plana de 50' na sala ao iPod que não sai do lado do seu dono mesmo quando ele entra no banho.

Os artigos de luxo também estão cada vez mais presentes nos lares. Cosméticos que valem mais do que deveriam e que mal cumprem a promessa marqueteira estampada nos rótulos; perfumes com fragrância forte e preços que ultrapassam até um salário mínimo. Mas não tem importância, são todos comprados naquela loja do shopping conceitual, aquela que a madame do condomínio adora.

No guarda-roupa a história não é diferente. As roupas com marcas famosas sobressaem, mesmo que tenham sido divididas em 10 vezes sem juros no cartão de crédito. O importante é mostrar a etiqueta, pois é dela a culpa do absurdo convertido em moda. E se a situação mudou tanto dentro das casas, nas ruas não poderia ser diferente. Os carros saíram das montadoras com tudo e entupiram as garagens e avenidas que já não tinham mais espaço.

Todo este consumismo é explicado por um simples substantivo feminino: necessidade. É comum ouvir que alguém tem necessidade de ter isto e aquilo, transformou-se em justificativa para comprar o que não se precisa, um sinônimo de supérfluo.

Entretanto, essa falsa necessidade contrasta com a real e seu sentido verdadeiro, totalmente aplicável às pessoas que ainda buscam em lixos e no resto imprestável do luxo algo que possam aproveitar, porque estão em situação de pobreza e miséria. Em meio aquele cheiro insuportável reviram tudo para acharem um item que realmente precisam, por pura e real necessidade. Catam latinhas, papelões, tudo o que puderem para poderem sobreviver e ter uma vida melhor, de alguma forma.

Para mim essa realidade contrastante - de duas necessidades completamente diferentes - gera um desconforto absurdo, uma necessidade de mudar algo que está completamente errado. Mudar principalmente as pessoas que defendem a necessidade de ter algo material que não precisam e que certamente vão descartar daqui um mês.

Isso realmente me deixa puta da vida.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

E ele está apenas começando...

Estava na casa da minha tia Renata, ajudando a montar um painel para escola na qual ela dá aulas de português. Era uma espécie de jornal-mural que ela produziu junto com suas turmas para comemorar os 40 anos da escola municipal Júlio de Mesquita Filho, de Campinas.

Para adiantar um pouco as coisas para ela, comecei a digitar os textos dos alunos do 5º ano (4ª série) sobre os perigos do cerol. Li vários bem redigidos, uns que não expressam tanta vontade e outros normais. Foi então que me deparei com uma letrinha bem pequenininha, de um estudante chamado Eric Alexandre. Achei uma graça o jeito dele escrever, porque dá para perceber o cuidado que teve em desenvolver a história e passar para uma folha de caderno. Não aguentei ao ler uma criança escrevendo na linguagem certa para o público de sua idade e tive que postar uma pequena parte do texto aqui:

"O cerol matou muita gente e apesar de ser uma brincadeira de criança virou uma arma mortal (...). O cerol é usado muito por crianças porque elas pensam assim: - Se eu não usar vou acabar sem a pipa. Mas será que vale a pena arriscar vidas para não perder uma pipa de 50 centavos?

O cerol pode machucar muitas pessoas e eu digo NÃO ao cerol. Estão aprendendo muitas lojas que vendem cerol e em algumas cidades a regra é não usar."

Juro que achei o máximo o jogo de palavras, a simplicidade de pensamento e a forma clara de se expressar. Coloquei em minha seção de bons textos porque ainda lerei muitas coisas deste menino...

Eric, continue assim!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Apenas dois parágrafos sobre Marina...

Marina não é uma menina como as outras. Ao invés de idealizar seu futuro ao lado de um amor qualquer e rodeada por filhos, sonha em viver de música, pintura ou poesia (sozinha de preferência, por favor). Desde que soube o que realmente queria, divide sua vida com acordes e sonetos, tintas roxas ou amarelas, e faz questão de não deixar nada de bom passar.

Muitos dizem por aí que ela está perdida, que não tem nada na cabeça, mas Marina prefere dizer que só leva uma vida diferente, com sonhos diferentes e um pouco distante do que os outros estão acostumados. Só isso, apenas quer seguir sozinha seus próprios passos...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Game over ou xeque-mate?

Realmente é bem difícil pertencer a geração videogame. Basta ter duas mães pertinho de você para que elas já comecem a falar que seus filhos não largam os benditos jogos eletrônicos e que também não saem do MSN, que este mundo está perdido e que eles nunca vão parar de jogar. Umas até se exaltam ao falar que o bom mesmo era quando os jogos não eram eletrônicos, eram de tabuleiro. A única coisa boa nisso é que a minha nunca está no meio.

Toda vez que isto acontece penso seriamente no quanto esta garotada deve ouvir de reclamação por aí, por que se isso acontece comigo que tenho 23 anos imagina com os que têm 8 ou 15 anos?

O bacana é que não importa se elas me conhecem há cinco minutos, é bem comum eu ser pega de surpresa ao ser questionada sobre o que elas devem fazer com seus filhos, que mais ‘parecem um bicho noturno que não largam o computador e videogame. Não adianta falar, eles adoram tanto aquilo. Será que eles terão um bom futuro, meu Deus!!?? Essa geração está perdida!!". Tudo bem, exagerei na colocação, mas aposto que tem um monte de adolescente que ouve isso quase que repetidamente...

Se tenho alternativa prefiro não opinar, por ser uma pessoa que integra essa geração definitivamente minha resposta seria tendenciosa. Lógico que tudo em excesso é prejudicial, mas me seguro para não decepcioná-las ao dizer que amo estes jogos eletrônicos, internet e que nem por isso deixei de estudar, de me dedicar às coisas que gosto. Nem tudo está perdido, mamães aflitas, na realidade vocês precisam ouvir uma conclusão muito boa, de uma pessoa que não pertença a geração mousepad (opa, esta definição já está ultrapassada). E quer uma boa resposta? Continue a ler.

Pois bem, fui ao Café CPFL, em Campinas, participar de uma palestra com minha ex-chefe, que tinha o Ricardo Guimarães como um dos palestrantes. Quem me conhece sabe que odeio palestras e que meu pensamento vai bem longe quando participo deste tipo de encontro. Entretanto, o Guimarães fugiu do assunto e perguntou do nada quem é que jogava videogame ou jogos on-line ali e eu, que estava voando, voltei a prestar atenção no mesmo instante. Acho que só umas três pessoas tiveram coragem de levantar a mão, fui uma delas, e para minha sorte encontrei a resposta que procurava há tanto tempo.

Ricardo comparou a geração internet/videogame aos enxadristas. Disse que os dois tipos têm muito em comum, porque devem tomar decisões para conseguir conquistar algo, mas que os amantes dos eletrônicos levam bastante vantagem em relação ao primeiro grupo.

A justificativa foi bem colocada: os enxadristas conhecem muito bem o jogo, pois está ao alcance de seu campo de visão. Sabem prever o que pode acontecer e se adiantar a isso. Conhecem tudo o que podem fazer e têm a sua frente o cenário no qual vão agir. Tirando as jogadas, o cenário não influencia o jogo.

Já a geração videogame, ao contrário, não sabe o que lhe espera e deve se adequar a cada mudança de quadro, deve saber se virar não importa o que o jogo exija de você. Não conhece o que está por vir, mas tem que passar daquilo se quiser continuar a jogar. Pensamento rápido para conseguir improvisar mesmo não sabendo se aquilo dará certo. Tem que arriscar, estar apto para qualquer coisa. A conclusão é que indiretamente este grupo está mais preparado para o mundo em que vivemos, no qual tudo muda a todo instante.

Xeque-mate, acho que encontrei uma boa resposta. É mamães, nem tudo está tão perdido...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Um xingo de nada faz bem para desabafar...

Não é preciso viver em São Paulo para odiar o trânsito, basta você estar numa rua e ter pelo menos mais dois carros ao seu lado enchendo o saco. Digo isto de forma consciente, até porque não tirei minha carta pelo Orkut e sei dirigir direitinho, como um verdadeiro homem por sinal (sem machismo, mas é verdade!).

Enfim, sempre pego rodovia, centro de cidade, aquela coisa toda, e não são raros os dias que vejo um monte de coisa errada, que me inspiram a mandar 'os autores' para a casa do caralho (isto mesmo, é para lá que mando). Entretanto, dentre tantas coisas idiotas, as que mais me tiram do sério são:

1) Moleque com cara de frustrado que quer passar onde nem um patinete passa e fica te enchendo o saco, querendo correr na rua esburacada pensando que é Interlagos;

2) Neguinho querendo 'encoxar' seu carro mesmo você estando na faixa da direita na velocidade máxima permitida;

3) Japonês de Santana querendo entrar na rua contra-mão sem dar seta e que ainda te xinga porque você está atrapalhando, só porque você está certo e na mão correta (nada conta os orientais, mas toda vez que isso acontece comigo é japonês de santana, não tenho culpa!);

4) Jovens com o carro de empresa que pensam pilotar um F-1 e que adoram ficar passando pertinho do seu carro, só para ver se você realmente liga no 0800 do 'estou dirigindo bem?' para desabafar;

5) Tiazona que volta do shopping e quer contar para o marido o que comprou no cartão dele falando no celular e dirigindo, esquecendo que ela tem um carro que ocupa mais da metade da rua e que você só quer ir para a sua casa, não ficar atrás dela, parada, esperando ela raciocinar e/ou pisar no acelerador.


Pois bem, mesmo tirando muita gente do sério sempre que estas coisas acontecem comigo eu fico de boa, mando o cara/senhorita para aquele lugar bem conhecido em meu pensamento e continuo no meu caminho, sem encher o saco de ninguém.

Mas hoje decidi desabafar, pois um rapaz com um carro da empresa encheu um monte de gente (incluso eu) só para cortar caminho e resolveu parar no meio da rua, do nada, para que uma mulher pudesse descer de seu carro e fazer a avenida movimentada de passarela. Não pensei duas vezes e fiz o que uma menina muito educada faria no meu lugar, abri o vidro e gritei "vai para a casa do caralho com essa porra deste carro".

Mesmo sabendo que xingar não é bom, posso dizer que hoje durmirei sem ódio no coração porque ele ouviu meu desabafo. E se ele não gostou que vá de novo para a casa do caralho...

PS: desculpem minhas palavras tão, digamos, sinceras...

sábado, 15 de novembro de 2008

Ser chique é...

A revista Vogue, como todo mundo sabe, é um dos títulos mais disputados pelas mulheres que adoram saber sobre as novidades do mundo da moda. É sinônimo de elegância, audácia, sofisticação e desperta o desejo de compra em várias pessoas que queriam muito ter aquele vestido, aquela bolsa, aquela jóia e aquela sandália super in. Além de ditar tendências, vende o luxo e a idéia de que o glamour pode estar em cada detalhe.

Talvez seja por isso que não pude evitar o riso quando vi uma barraquinha de 'churrasco de gato' coberta com a propaganda da revista, em Campinas. A capa enorme oferece abrigo a várias pessoas que vão ao lugar forrar o estômago e tomar uma cerveja no fim da tarde.

Mas será que o cardápio da barraca improvisada tem o mesmo glaumour que o conteúdo que 'recheia' a Vogue? Só posso dizer que o lugar está sempre cheio...


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Será que ele levou um dollar pelo menos?

Li esta notícia e não pude evitar. A capa (e o disco) 'Nevermind' do Nirvana é um marco na vida de muita gente, assim como The Unforgiven do Metallica, Under The Brigde do Red Hot e November Rain do Guns N' Roses, que tem o Slash tocando maravilhosamente no meio do nada. Caramba, acho que vou ter que mexer no meu armário depois! Só não quero ver aqueles shorts ridículos do Axl, não gostava nem naquela época...

Enfim, eu já ia mudar de assunto novamente, mas o principal deste post está aqui abaixo. A notícia é do site da Rolling Stone:

Bebê do Nirvana refaz capa
Aos 17 anos, Spencer Elden refaz capa de Nevermind, de 1991

Saiu nesta segunda-feira, no site da MTV norte-americana, uma foto atual de Spencer Elden, o "bebê do Nirvana". Em 1991, Spencer estampou a capa do disco Nevermind.Agora, aos 17 anos, o menino voltou a perseguir a nota de um dólar submerso numa piscina, só que de short.

Ao site da MTV, Elden resumiu: "É estranho pensar que tanta gente já me viu pelado - me sinto como a maior estrela pornô do mundo".A Rolling Stone EUA refez a capa em 2001, no aniversário de dez anos do disco.A Rolling Stone Brasil, em sua décima edição, parodiou a capa de Nevermind com Homer Simpson perseguindo uma rosquinha.

E eu que queria ser ela...

Bonita como ela só, não perde tempo com besteiras. Vai logo ensaiando o que falará às várias pessoas que aguardam suas palavras, sentadas confortavelmente nas poltronas de sua sala. Ela nem ao menos sabe se prestaram atenção ou não em seu discurso.

Mesmo observada por todos os lados, não fica envergonhada e conversa sobre tudo com todos. Sabe que são as conversas que guiarão suas inspirações e sua mensagem, não há como duvidar disso. Não demora muito para que dê as ordens para registrar a informalidade alheia, já que não pode individualizar as informações que acabara de receber. Este é seu trabalho.

Observando de longe não tenho como dizer se ela é bacana ou não, se gosta do que faz ou se acha todo este processo uma chatice. Também não sei dizer se ela sabe o quanto ouvir Cindy Lauper é divertido, se gosta de chocolate ou se sente cólica de vez em quando. Será que ela canta no chuveiro? Não sei, apenas tento imaginar o que passa em sua mente, mas só consigo refletir se pelo menos ela reconhece a importância de seu cinegrafista. Pelo visto não muito, infelizmente.

Por que estou pensando nisso? Estes detalhes eu poderia moldar do meu jeito, só precisaria estar ali conversando com aquelas pessoas, acertando o que falta. Queria apenas participar da construção do que vejo a uns dez metros de distância. Na verdade eu só queria ter a oportunidade de ser ela...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Bem ou não, que esteja sambalelê!

Dizem que Sambalelê realmente não tem lá muita sorte. Mesmo doente e com a cabeça quebrada todo mundo quer lhe dar uns tapinhas, só por diversão. Talvez isto explique porque eu odiava tanto esta canção infantil; pensava que se não a cantasse poderia deixar o coitado em paz para se recuperar, tranqüilo em sua casa. Lembrando com vergonha disso muitos anos depois e bem mais crescidinha (deixando a altura de lado), hoje vejo ‘sambalelê’ de uma maneira bem diferente...

“Já sei, lá vai ela escrever algo chato ou romântico sobre o tal de Sambalelê!”, podem dizer os que leram o primeiro parágrafo, mas não é bem assim. Nunca tive uma paixão arrebatadora pelo tal da cabeça quebrada e não gosto de romantismo, o Rafael sabe muito bem. Apenas comecei a escrever isto por ter uma relação amistosa com a palavra ‘sambalelê’, que considero muito interessante.

Não sei se a culpada desta minha opinião foi a Ruth Rocha, que tem uma coleção de clássicos que leva este nome, ou se é porque 'sambalelê' é uma mistura perfeita de duas outras palavras tipicamente brasileiras: samba, um dos ritmos mais característicos do país, e de lelê, um substantivo masculino bem mineiro que, apesar de significar confusão e barulho, deixa a palavra ainda mais charmosa.

Ah, chega de justificativas! Só tenho a dizer que apesar de significar ‘cantigas de roda’ (pelo dicionário), ela se encaixa em tantas situações cotidianas que criei minhas próprias definições para poder usá-la sem medo. Por isso, para mim, tudo pode estar bem sambalelê, de uma forma boa ou não, isso nem me importa.

Pelo menos posso usar a palavra que mais gosto quando bem entender, à moda sambalelê...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A história informal é tudo de bom...

Ainda faltava muito para as oito horas da manhã e já tinha que preencher um formulário que deixaram em minha mesa. Pouco tempo depois o ramal tocou e lá fui ao ambulatório com minha folhinha toda cheia de marcações, conversar com o médico da empresa. Já que não bebo, não fumo e minha saúde está ótima – obrigada! - pensei que minha consulta seria bem rápida e de rotina.

Poderia ser assim em qualquer outro lugar, mas não quando o médico que irá te examinar é o Dr. Macatti. Ao entrar na sala ele logo começou a perguntar: “O que você faz aqui menina?”. Respondi de imediato que pediram para que eu fosse até lá e ele incorporou um entrevistador:

- Você trabalha no marketing e é jornalista, né? Li aqui...

- Sim...

- Assistiu o Fantástico no domingo passado?

- Não pude assistir. Não estava em minha casa...

- Mas você viu a história dos médicos que não conseguiram se formar há muitos anos?

- Sim, acompanhei pelos jornais. Li sobre o assunto e sobre a história daquele estudante...

- Sabia que eu fiz parte desta turma?

Acho que fiquei com cara de tanta surpresa que não precisei pedir para que ele continuasse a história. Começou então a me contar que aquela época era muito difícil e que havia se mudado para o Rio de Janeiro para fazer faculdade de medicina. Lá conheceu muitas pessoas, inclusive o estudante Luiz Paulo Cruz Nunes, que foi morto aos 21 anos pela polícia em uma manifestação realizada pelos ‘futuros doutores’, contra a prisão de estudantes de medicina em um congresso.

Macatti não pôde chegar a tempo para a manifestação, disse-me que estava com gripe no dia. Antes de ir até lá resolveu passar em casa para tomar algo, obedecendo o conselho do amigo Nunes, que não queria vê-lo debilitado durante o ato. “Quando estava chegando na manifestação começaram a disparar contra todo mundo e impediram que eu chegasse até lá. Infelizmente o Nunes morreu...”, disse enquanto media a minha pressão.

Depois de ficar triste ao falar da morte do colega, enfatizou que era absurdo não poderem colar grau na época porque queriam fazer uma homenagem ao Nunes, que foi morto de maneira tão estúpida. Assim que pegou seu diploma seguiu à risca as palavras de seu professor: “Saiam daqui, vão para longe do Rio. Várias pessoas precisam de vocês fora daqui, saiam desta bagunça!”, e já emendou “Agora pode levantar da maca que você está mais que bem, mocinha!”.

Apenas levantei, sentei-me na cadeira para pegar o resultado do exame e continuei a ouvir. Foi a primeira vez que não quis perguntar nada, pois não era necessário. Seria muita injustiça e egoísmo de minha parte acabar com aquele relato em primeira pessoa, bem na minha frente.

Deixei o assunto por si só responder minhas dúvidas, não interferi em nada. “Fiquei muito emocionado por viver tudo aquilo. Nossa turma se reúne de cinco e cinco anos, mas quando surgiu a idéia de fazermos a formatura fiquei feliz. Entra depois no site da reportagem e tenta me achar no meio da turma”. Fiz o que ele pediu assim que cheguei em casa, acho que só o vi de costas. E eu pensava que era apenas outro exame de rotina.