quinta-feira, 30 de julho de 2009

Dentro de um copo d’água...

Imagine se pudéssemos ver o futuro no fundo de um copo d'água, desses que temos na cozinha de casa. Sinceramente não sei nem de qual forma isso seria possível e se gostaria de enxergá-lo.

Mas se eu pudesse ver o futuro, bem lá no fundo do copo, gostaria de ver sorrisos, abraços e gargalhadas, que quase sempre são mais engraçadas que o motivo que as geram. Queria ver chuva, mar, calor, estrelas e palavras que fizessem algum sentido, sempre que eu as precisasse ler ou ouvir. Queria ver pessoas queridas e amadas por todos os cantos, não essas que nos chateiam diariamente e que torcem com empolgação pela infelicidade alheia. Queria ver acordes, rimas e cores, de todos os jeitos.

Entretanto, se eu pudesse ver o futuro no fundo de um copo d'água seria obrigada a encarar medos desnecessários, sofreria por antecedência justamente por não poder evitar o inevitável. Teria que ver todas as decisões que teria que tomar e escolhas feitas, me limitando a seguir um caminho fixo, repleto de atitudes já definidas e com medo de que as coisas pudessem ser diferentes de tudo o que eu já sabia.

Se eu pudesse ver o futuro, no fundo de um copo d'água, certamente não viveria e apenas presenciaria a vida passar. Melhor deixar o copo para lá...

domingo, 5 de julho de 2009

Olhos de menino...

Ele não sabia como seria seu dia. Apenas entrou no carro sem perguntar nada, pois não queria mais ver o desespero daquela menina pela qual poderia dar sua vida. Durante horas se deixou levar para um local que imaginava ser obscuro, mas não tinha medo. Estava lá para ajudá-la a se localizar e a ficar mais calma; gostava do papel que tinha na vida da menina.
Há mais de 20 anos ele não passava por aquelas ruas tão distantes. Percorreu quilômetros até chegar lá e, pela janela do carro, só conseguia ver carros e mais carros, além de ouvir aquelas buzinas infernais e que tornavam o percurso um pouco irritante. Chegando ao local desejado, a menina correu para seu compromisso indesejado e ele resolveu desvendar sua curiosidade, queria clarear o que julgava obscuro.
Horas se passaram e os olhos de menino tomaram a alma deste homem; só acompanhavam as avenidas movimentadas. O azul daqueles olhos, acostumados ao verde das árvores e ao vermelho do barro, se renderam ao cinza das ruas. Sequer conseguiam alcançar a altura das grandes constuções humanas, tão brancas e cheias de vidros. Era o progesso que fazia sombra em seus cabelos grisalhos.
Impressionado com a beleza gelada daquele lugar, andou por horas enquanto esperava a menina voltar. O que julgava ser conhecido era totalmente novo ao seu pensamento. Até pensou em deixar o verde e vermelho durante um tempo para viver no branco gelado e perto do cinza. Conseguiria se habituar às novas cores.
Depois de um longo tempo a menina voltou e encontrou puro encantamento nos olhos de menino; ficou feliz. Tudo o que ela conseguia ver naquele momento era o azul se rendendo às cores frias da metrópole e também era responsável por aquilo. A falsa obscuridade daquele lugar havia se tranformado em brilho naqueles belos olhos azuis, uma luminosidade que havia visto poucas vezes.
Apesar de gostar do verde e vermelho, o menino de cabelos grisalhos mal esperava para poder ver novamente o cinza e o branco daquela cidade em movimento. Conseguiu ver vida nas cores frias. Aqueles olhos de menino iluminaram o dia, as ruas e a vida da menina.