segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O primeiro Gradiente realmente não se esquece...

Olha eu aí, com três anos, em plena forma, fazendo pose para foto e com a mão na cintura. Nesta época já gostava de ter franja, infelizmente usava conjuntinho combinandinho e sandália estilo gladiadora, destas que vendem a rodo na Arezzo ou na Empório Naka e que hoje tenho horror.

É legal recordar que a única preocupação que tinha, na época desta foto, era se  poderia levar meu pastor Lobo (Popou para os íntimos) para passear ou se teria que dormir à tarde obrigada pela minha mãe, que insistia que o sono da tarde era tão importante quanto o da noite, para que eu fosse uma criança feliz. Entretanto, tente explicar para uma pessoa de três anos que o sono é mais legal que enterrar o Lango-lango no quintal da sua avó? Enfim...

E como toda criança das décadas de oitenta e noventa também tinha meus sonhos impossíveis, que, neste caso, era um gravador todo colorido, com microfone e que dava para levar para qualquer lugar. Nem sabia que se chamava Meu primeiro Gradiente, mas queria muito tê-lo e, mesmo assim, não contava essa minha vontade para ninguém (característica que sempre foi muito forte em mim).

Passei noites e noites sonhando com a possibilidade de ter meu próprio microfone e poder cantar à vontade aquelas músicas que faziam parte do repertório da fita K7 que vinha junto, nem uma Barbie era tão desejada por mim. Aliás, queria ter aquele microfone para brincar de perguntar, da mesma forma que umas moças faziam na televisão. Para suprir essa necessidade, pegava uma colher na cozinha da minha avó, ia ao quintal e ficava conversando com meu pastor capa preta por várias horas; digamos que o Popou sempre foi um bom entrevistado e ouvinte, um companheiro que me faz falta até hoje.

Algum tempo passou, a brincadeira tornou-se a minha predileta e meus avós perceberam que a colher precisava ser substituída por outra coisa. Resolveram dar, enfim,  Meu primeiro Gradiente num dia das crianças chuvoso e frio, simplesmente igualzinho a este 12 de outubro. E este dia foi tão feliz que o guardo até hoje, bem pertinho de mim, para não me esquecer por nada como era bom ser criança!