sábado, 20 de agosto de 2011

O senhor da empatia...

Em alguns momentos chega até a ser engraçado a forma com a qual nos identificamos ou não imediatamente com as pessoas, sobretudo com determinados seres humanos que vemos todos os dias mesmo não os conhecendo de fato. Não sei se este tipo de experiência, de identificação imediata com o próximo, significa de alguma forma compreender o que o outro pensa e se sentir confortável com isso, mas a empatia realmente é um sentimento que pode mudar o rumo de nosso dia e, acreditem, torná-lo bem melhor. 

Digo isso porque fiquei refletindo acerca disso hoje, de como chega a ser estranho a forma com a qual criamos uma simpatia por pessoas que não conhecemos, ainda que nenhum dos dois se expressem de modo explícito ou objetivo; às vezes apenas um simples oi ou um aceno - mesmo que com a sobrancelha - bastam. E justamente por causa deste gesto simples é que criei uma empatia sem tamanho por um senhorzinho, destes bem bem bem velhinhos, que vejo à tarde quando saio do meu trabalho. 

Com uns 80 ou 90 anos, todos os dias ele está lá, sentadinho em sua cadeira com uma manta nos joelhos, na frente de sua casa, igualmente simpática. Para minha sorte, a casa fica ao lado do local no qual trabalho, em frente ao portão de saída. Desde que comecei a vê-lo lá, por volta das 17 horas e 18h30, passamos a dizer aos poucos oi um para o outro, inicialmente com a cara fechada e balançando a cabeça e depois, com o passar do tempo, gesticulando com a mão e com o típico sorriso da empatia no rosto. Nunca disse uma palavra para ele e vice-versa, mas esta simples troca de saudação ao fim de um dia atarefado tem tornado as minhas tardes mais leves e felizes.

Desejo fortemente que este hábito que criamos perpetue. Nem faço ideia se isso faz tanto bem a ele quanto faz para mim, mas fico alegre em saber que por mais que as coisas possam dar errado, ainda existem pessoas que não integram seu círculo de conhecidos ou próximos, mas que são capazes de tornar seu dia melhor apenas com um aceno e um sorriso sincero. Espero que esta capacidade, cada vez mais rara, não se perca e seja incentivada todos os dias; que a empatia continue a prosperar! 

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