sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Quando o ruim está bom e o bom está ruim...

O dia está lindo lá fora. O céu está claro, os pássaros cantam, as flores enchem os olhos e enquanto todo mundo está lá, contemplando e dizendo em voz alta as maravilhas de um dia realmente bonito, lá vem um "Dito" - ou uma "Dita" - e já começa a colocar defeito em tudo: eu acho que está muito quente, o céu está claro demais, porque na minha opinião eu já vi dias mais bonitos que este (...) bem que hoje poderia estar um pouco mais frio, porque eu penso que dias mais frios e escuros são mais legais... e por aí vai um longo discurso que, na maior parte das vezes, chega no limite da redundância e da chatice, daqueles feitos sem critérios e - o pior - que não tem fim.

Com certeza você, leitor, conhece alguém com este perfil. Esta pessoa pode ser o seu vizinho, seu ex-marido ou namorado, seu ou sua colega de trabalho, sua namorada ou esposa durante a época da Tensão Pré-Menstrual - a famosa TPM - ou em todos os dias da vida dela, o pintor da sua obra,  a faxineira do seu escritório, o tiozinho da fila do banco ou da padaria. Enfim, há inúmeros seres humanos que adoram ser do contra em qualquer lugar e a qualquer hora, simplesmente porque sentem prazer em discordar de tudo, até daquilo que eles mesmos concordam. 

Notem, por favor, que não critico o fato de cada ser humano poder ter sua opinião sobre determinado assunto, sobretudo em um grupo em que os demais podem não aceitar o ponto de vista apresentado; mas falo sobre gente que adora ser contrária em qualquer situação, única e exclusivamente por ser e não por acreditar naquilo que diz ou pensa. Ainda não consigo compreender, sinceramente, como há pessoas que conseguem ter prazer ou tem a necessidade de achar que algo está bom quando todo mundo diz que está ruim e vice-versa, principalmente quando a ideia inicial do bate-papo não parte de sua mente contrária até ao contrário. Ser do contra, às vezes, é muito bom; já sempre é desnecessário e forçado.

Se o uso exagerado desta característica pode ser um reflexo da falta personalidade do cidadão ou a demonstração de sua insegurança e da escassez de suas próprias opiniões não sei responder. Aliás, melhor nem iniciar este tipo de discussão, pois quem é do contra nunca iria concordar até que alguém discordasse. Prefiro evitar mais um discurso sem fim...

Crédito da imagem: personagem "Do Contra", da Turma da Mônica.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Dispenso o cravo, só fico com a canela...

Às meninas e mulheres quem levam em seu registro de identidade o mesmo nome que o meu nem é preciso explicar, pois esta situação é extremamente comum. Basta o simples fato de conhecer ou ser apresentada a uma nova pessoa que logo após os cumprimentos educados iniciais e a troca das “graças” lá vem a piadinha que nunca sairá de moda: “Gabriela, cravo e canela?”.

Pois é, pode até parecer simpático à primeira vista. Contudo, imagine-se ouvindo este comentário espirituoso durante toda a sua infância e, ainda no ápice do período infanto-juvenil, descobrir que o bendito referenciava uma obra literária regionalista muito famosa de Jorge Amado, traduzida para aproximadamente 15 idiomas e que abordava – dizendo isso de maneira muito superficial e sem uma análise abrangentemente literária – o ciclo do cacau, com seus coronéis, prostitutas e todo tipo de 71.

Até aí tudo bem vai, que exagero o meu. Entretanto, para incrementar um pouco, agora some o “Gabriela, cravo e canela” ao irônico “Também sobe no telhado?”. Ingênuo, talvez, mas não quando se refere a uma cena exibida numa série televisiva feita por uma atriz entre as mais polêmicas das décadas de 70 e 80. Encarnando a personagem que dá nome à obra, a bendita Gabriela do Amado, sobe no telhado sem calcinha para pegar uma pipa. Pronto, o estrago pré-adolescente estava consumado e as piadinhas pareciam se tornar eternas cada vez que uma bola, uma pipa ou qualquer coisa caísse no telhado perto de mim. Piada pronta, brasileiro adora independentemente de sua faixa etária.

Apesar de todo esse meu trauma ultrapassado com a dita personagem – porque ela tinha que ter meu nome ou eu o dela? – os segundos comentários que acompanhavam o “cravo e canela” cessaram com o passar dos anos e passei muitas luas sem ouvi-los, até que esta semana chegasse. Tudo bem vai, a Gabriela que dá nome à obra pode até ser sinônimo de vitalidade e reunir animação, beleza e despertar por sua feminilidade aguçada (vamos dizer assim) a fúria e inveja de outras mulheres, porém eu sinceramente nunca gostei desta associação lógica e destas piadinhas. Continuo a dispensá-las, mesmo com minha paciência e bom humor para escutá-las novamente em dia. Abro mão do cravo, dos comentários e fico apenas com a canela, no café ou na balinha...

Crédito da imagem: divulgação no Google.