terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O tempero que faz a diferença...

Escrever não é nada fácil, ainda mais quando se falta um pouco de vontade de dizer algo com as palavras ou quando elas são massacradas pelo tempo que há em seu dia, tornando o período que vai do nascer do sol à passagem da lua quase inexistente. 

O ato de escrever, um prazer tão solitário e pessoal, torna-se então robotizado, refém do dead line e de tantas outras coisas que deixam as palavras reunidas num contexto, mas sem o tempero que faz seu leitor querer mais. Fica igual a comida sem sabor: você pode até degustá-la, mas não com toda a intensidade que poderia ter. Faz sua refeição por obrigação e necessidade humana, porém não a faz como prazer.

Escrever é praticamente a mesma coisa. É tal como um cozinheiro preparando com todo o carinho do mundo o prato principal de um jantar, testando texturas, cores, sabores e cheiros. Ele se esforça para que seu convidado realmente tenha um momento único, um contentamento perfeito a cada garfada levada à boca. Nem sempre dá certo, mas nem sempre dá errado. Tudo depende de quem experimenta.  

Na escrita o processo é o mesmo, mas com ingredientes diferentes. Ao invés dos temperos, carnes, grãos e legumes, faz-se o uso de palavras: adjetivos, substantivos, verbos, entre tantos outros tipos. O cardápio é variado, assim como as oportunidades de combinações. 

Na cozinha ou na escrita, os riscos e os sucessos são os mesmos, as dificuldades também. Não há receita que garanta o sucesso, a prática é que lhe fomenta com o que pode ou não dar certo. Às vezes, um tempero ou mais fermento pode mudar tudo ou basta apenas achar as palavras e o estilo que agradem ao gosto alheio. Escrever realmente não é nada fácil, às vezes queria saber é cozinhar...