terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Oportunismo disfarçado de bondade; oportunismo que se ostenta...


Orgulho-me de ser jornalista de formação. Há pouco menos de dois anos, porém, fui convidada para desenvolver um novo departamento e, por este motivo, tenho exercido a função de ouvidora em uma administração pública. Apaixonei-me por este novo desafio e posso afirmar, com todas as letras, que nunca pude aprender tanto sobre a prestação de serviços ao cidadão, até reforçando este aspecto que me fez por optar pelo jornalismo. Aprende-se que é preciso aprender sobre tudo diariamente e que isto é uma dádiva.

Quando aceitei o convite de me tornar ouvidora de órgão público fui à nova função com um frio na barriga, mas tendo como princípio básico a teoria da comunicação e seus elementos (emissor, mensagem e receptor), para exercer seus papéis e para conseguir ajudar na interação sem ruídos. Escolhi esta teoria como base visto que o trabalho de uma ouvidoria – bem superficialmente falando, pois é bem mais abrangente – visa, sobretudo, melhorar a qualidade na prestação dos serviços a partir da troca de mensagens, da interação das partes envolvidas. Dentro deste contexto isto significa trabalhar para que a mensagem (constituída pelo conteúdo das informações a serem transmitidas) chegue corretamente do emissor ao receptor, seja a mensagem partindo do cidadão à administração pública ou vice-versa.

Enfim, por que tive que explanar sobre esta teoria? Para que fique bem claro que neste trabalho, a cada dia que passa, percebo que muitas pessoas externas à administração pública e aos interesses coletivos manifestados pelos cidadãos adotaram o oportunismo disfarçado de bondade; envolvem-se na relação democrática que deve haver entre um poder público e o cidadão somente porque adotaram como perfil pessoal a incrível capacidade de perceber o momento certo para a obtenção de vantagens próprias.

As ações oriundas da adoção deste substantivo masculino como conduta, como perfil pessoal, contudo, prejudicam muitos em suas necessidades reais. Além disto, têm a enorme capacidade de distorcer quaisquer coisas desde que não estejam relacionadas aos interesses oportunistas pessoais. Entristece-me, porém, saber que os manipulados pelos oportunistas em suas buscas e necessidades reais não conseguem reconhecer a falsa bondade. São, assim, feitos de marionetes por seres humanos egocêntricos e que somente praticam a falsa generosidade em benefício exclusivo, só para si mesmo e não como forma de respeito aos direitos e deveres do próximo.

Na função de uma ouvidora e, principalmente, na visão de jornalista de formação tenho aprendido sobre os prejuízos causados na relação democrática por estes que querem privilegiar seus interesses em total detrimento da ética e da moral. Tenho aprendido a ter pena destes oportunistas que se sentem no direto de enganar outros seres humanos para uma finalidade exclusivamente pessoal e que, ao contrário do que pregam, não prestam um “serviço democrático”, mas um desserviço à população e que são uma ofensa ao exercício da democracia.

E este oportunismo disfarçado de bondade fortalece com todas as forças um ensinamento cristão contido em l Cor 13,4-7: a caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Fonte da imagem: Blog do Gusmão.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Finalmente cheguei nos 29A...

Lembro-me quando minha tia Renata - que chamo carinhosamente de Jô desde que me conheço por gente - fez 30 anos. Festeira e animadíssima (continua assim até hoje!), as comemorações do aniversário dela sempre foram as melhores e ficaram marcadas como excelentes recordações de minha infância e minha adolescência. Tenho-a, inclusive, como minha segunda mãe de tanto que a amo, mas - apesar da convivência - não herdei esta "alma festeira" que ela tem, acabando ficando com a parte "caseira" da família. 

Enfim, voltando à festa de 30 anos da tia Jô - e o que este evento tem a ver com este texto (até tardio) - foi nesta data que ela me ensinou uma brincadeira que nos acompanha nas conversas até hoje:  quando uma mulher completa seus 29 anos e 11 meses, em seu aniversário de 30 anos, ela deve começar a contar a idade com o número 29 e expressar o passar dos anos com a ajuda das letras. Como seria isto? Ao invés de dizer "fiz 30 anos", diria "fiz 29 A" e aos 31 anos "29 B", seguindo assim pelo resto da vida ou até acabar o alfabeto. Este tipo de contagem amenizaria, em tese, o peso da idade e deixaria mais divertido o ato de ficar mais velha.  

Na época em que ela me ensinou isto achei muita graça e fiz imediatamente as contas de quando chegaria a data em que euzinha deveria contar minha idade desta forma. Achava que estaria bem velha e que este dia estava longe demais para me preocupar e, definitivamente, estava mesmo. E assim a brincadeira do contar a idade com o número 29 mais as letras seguiu pelo A, B, C, D, E, F e vai forte até os dias de hoje. É nossa piada particular que se tornou pública a partir desta postagem.Se me permitem uma observação: tia, sei que 30 de abril está próximo, mas fique tranquila que não vou compartilhar em qual letra está a sua contagem em pleno 2015!

Eis então que no último mês de 2014, ao 19º dia de dezembro, finalmente cheguei na data em que deveria começar a contar minha idade com o número 29 seguido de uma letra, na sequência do alfabeto. Confesso, porém, que ao invés de me sentir velha - como achava que iria me sentir quando ela me contou esta história e fiz as contas - sinto-me exatamente ao contrário do que imaginava. Passou mais rápido que pensei naquela época e não fazia ideia do que é o chegar dos 30 anos na vida de uma mulher (muito menos do quanto isto mexe com a cabeça do gênero feminino).

Sei que o metabolismo e o colágeno começam a despencar na vida da gente a partir desta idade. Entretanto, fazer meus 30 anos foi MUITO melhor que fazer meus 15, 18, 21, 25 ou 29 anos. No completar a 30ª primavera surge a vontade de celebrar tantas coisas boas que a lista seria enorme se começasse a ordená-las. Você percebe que reconhece bem mais as reais e boas atitudes, valoriza o que é para ser valorizado, não se importa com o que não deve se importar, diz não quando realmente quer dizer não e sim quando se quer, pensa como seria bom ter um filho e, sobretudo, a amar e a valorizar cada dia mais quem realmente é merecedor. A fé aumenta, assim como o desejo de querer estar com sua família, seu amor e seus reais amigos.

Já no aspecto profissional - pelo menos eu! - você tem uma visão mais clara das suas escolhas  e enxerga com mais maturidade que caminho quer seguir a partir de então. E se o assunto for saúde eu só tenho a celebrar, pois nunca fui tão feliz nas escolhas que levo ao prato e JAMAIS (jamais mesmo!) estive tão em forma quanto estou hoje. Correr, então, tornou-se tão essencial quanto água, assim como nadar, pedalar e marombar. Confesso que nem aos 15 anos conseguiria fazer as provas de resistência e treinos que faço atualmente, acompanhada sempre de uma turma mais que perfeita de amigos. Ganhei até um irmão de coração na busca por mais qualidade de vida. Buscar mais saúde tornou-se minha válvula de escape, meu passatempo predileto.  

E depois de tantas palavras ainda posso escrever, sem dúvida alguma, que passados os meus 29 anos e 11 meses compreendi exatamente o que a minha tia Jô queria dizer com aquela forma de contagem de idade. Aos chegar aos 30 anos podemos olhar para trás e ver o quanto já percorremos em nossa jornada, mas ao olhar à frente e ao agregar as letras na contagem, porém, percebemos que ainda temos que aprender as novas formas de ver, aprender e vivenciar esta coisa boa que é viver. Espero, porém, conseguir aliar números e letras e completar, pelo menos, mais da metade do alfabeto. Então que venham os 29 A, B, C, D que meu objetivo é chegar ao 29Z!