Oportunismo disfarçado de bondade; oportunismo que se ostenta...


Orgulho-me de ser jornalista de formação. Há pouco menos de dois anos, porém, fui convidada para desenvolver um novo departamento e, por este motivo, tenho exercido a função de ouvidora em uma administração pública. Apaixonei-me por este novo desafio e posso afirmar, com todas as letras, que nunca pude aprender tanto sobre a prestação de serviços ao cidadão, até reforçando este aspecto que me fez por optar pelo jornalismo. Aprende-se que é preciso aprender sobre tudo diariamente e que isto é uma dádiva.

Quando aceitei o convite de me tornar ouvidora de órgão público fui à nova função com um frio na barriga, mas tendo como princípio básico a teoria da comunicação e seus elementos (emissor, mensagem e receptor), para exercer seus papéis e para conseguir ajudar na interação sem ruídos. Escolhi esta teoria como base visto que o trabalho de uma ouvidoria – bem superficialmente falando, pois é bem mais abrangente – visa, sobretudo, melhorar a qualidade na prestação dos serviços a partir da troca de mensagens, da interação das partes envolvidas. Dentro deste contexto isto significa trabalhar para que a mensagem (constituída pelo conteúdo das informações a serem transmitidas) chegue corretamente do emissor ao receptor, seja a mensagem partindo do cidadão à administração pública ou vice-versa.

Enfim, por que tive que explanar sobre esta teoria? Para que fique bem claro que neste trabalho, a cada dia que passa, percebo que muitas pessoas externas à administração pública e aos interesses coletivos manifestados pelos cidadãos adotaram o oportunismo disfarçado de bondade; envolvem-se na relação democrática que deve haver entre um poder público e o cidadão somente porque adotaram como perfil pessoal a incrível capacidade de perceber o momento certo para a obtenção de vantagens próprias.

As ações oriundas da adoção deste substantivo masculino como conduta, como perfil pessoal, contudo, prejudicam muitos em suas necessidades reais. Além disto, têm a enorme capacidade de distorcer quaisquer coisas desde que não estejam relacionadas aos interesses oportunistas pessoais. Entristece-me, porém, saber que os manipulados pelos oportunistas em suas buscas e necessidades reais não conseguem reconhecer a falsa bondade. São, assim, feitos de marionetes por seres humanos egocêntricos e que somente praticam a falsa generosidade em benefício exclusivo, só para si mesmo e não como forma de respeito aos direitos e deveres do próximo.

Na função de uma ouvidora e, principalmente, na visão de jornalista de formação tenho aprendido sobre os prejuízos causados na relação democrática por estes que querem privilegiar seus interesses em total detrimento da ética e da moral. Tenho aprendido a ter pena destes oportunistas que se sentem no direto de enganar outros seres humanos para uma finalidade exclusivamente pessoal e que, ao contrário do que pregam, não prestam um “serviço democrático”, mas um desserviço à população e que são uma ofensa ao exercício da democracia.

E este oportunismo disfarçado de bondade fortalece com todas as forças um ensinamento cristão contido em l Cor 13,4-7: a caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Fonte da imagem: Blog do Gusmão.

Comentários

Romano disse…
Gostei muito.O que fazemos de bom ,em pró do bem,não deve ser divulgado nunca,cuja busca seria a auto promoção,desmoronando todo o encanto da proximidade do Criador.
Unknown disse…
Brilhante !!
Infelizmente o oportunismo de alguns acaba prejudicando o bem maior, que é ajudar ou fazer algo pensando na coletividade.
Acompanho o seu trabalho e posso afirmar que vc escreve isso com muita propriedade !
Anônimo disse…
Perfeito. Como Ouvidora, cidadã e funcionária pública, acompanho com tristeza as ações desses falsos "bem feitores" que se vangloriam por lutar pelo cidadão, enquanto na realidade só agem em benefício de seu próprio orgulho!!!!
Anônimo disse…
Excelente
Andréa Sampaio
Vito Diniz disse…
Perfeito, excelente, parabéns!!! Estando no poder público desde o final da década de 90 (e lá se vão quase 20 anos), vi muita bondade disfarçada; aprendi, quando criança que devemos "fazer o bem sem ver a quem". Esse é o objetivo e também sendo jornalista, hoje exercendo a função de ouvidor, tenho o mesmo sentimento que você.
Infelizmente, assim como na vida, o setor público é recheado de hipócritas, oportunistas, falsos benfeitores, cujo objetivo é único - e tão somente, obter ganhos pessoais (não necessariamente financeiros). É impressionante como os interesseiros se aproximam e se afastam, conforme seu interesse pessoal momentâneo. Mas ainda assim, muitas vezes - e na maioria delas, são elas que se sobressaem, que passam por "bons" e "competentes". Impressionante como a mentira tem facilidade de se sobrepor à verdade...
Anônimo disse…
Gabi, saudades de você! Quanto tempo não passava pelo seu blog. As matérias continuam demais! Beijos!!!! Camila Estopa
Gabriela Angeli disse…
Olá, pessoas, bom dia!

Peço desculpas pelo tempo que levei para responder a todos os comentários aqui publicados. Agradeço a todos pelo enorme carinho e porque sei que tiraram um tempinho do dia para ler o meu texto e para comentá-lo. Assim, mesmo atrasado, meu muito obrigado à Cá Estopa (que saudades!), ao Romano, aos que estão como anônimos, à minha querida professora Andrea e ao Vito Diniz! ;)
Vito Diniz disse…
Eu não sabia que estava anônimo... aliás, nunca sei quando estou on, ou quando estou anônimo.... rsrsrsrsrsrs

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