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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aos que também batem fora do bumbo...

Não sei se reparou ou se teve tempo para refletir sobre, mas ao longo da vida desenvolvemos uma certa capacidade quase que sobrenatural de atrair ou afastar determinados tipos de pessoas. Para alguns essa característica é chamada de carma, contudo, não me identifico em nada com essa terminologia, sobretudo porque o tal carma mais me lembra o jeito caipira de se pedir um pouco mais de paciência para alguém. Por isso, caro leitor, peço para você total licença para me referir a essa capacidade como um dom.

Autorização concedida (espero eu), tenho que confessar que esse dom tem a força máxima de atrair em minha vida pessoas que batem totalmente fora do bumbo. O que seria isso? Você pode me perguntar, pois logo respondo: são seres humanos exóticos, que não compartilham da vida alheia, que gostam de piada ruim, que dão gargalhada alto, que passam o dedo no pote de iogurte quando está no fim ou que, numa tarde qualquer lhe acompanha num cafezinho quetinho, lá da sala proibida.

São os que gostam de coisas simples da vida, que ao luxo dão poucas oportunidades, que dão foras que até Deus duvida, que falam alto, que gostam de comédia romântica, de livro ruim  e que com seus jeitos e trejeitos únicos são indispensáveis. São amigos, com o dom máximo de deixar a vida ainda mais divertida, com uma habilidade inigualável de fazê-lo se sentir melhor quando você mais precisa. E aos meus amigos, neste 20 de julho, desejo que continuem a ter o dom de fazer do bumbo algo para se tocar totalmente fora... 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

É, cumplicidade, parece que foi ontem...


Tinha acabado de estacionar o carro numa vaga bem apertadinha, encontrada com sorte ao retornar do meu almoço hoje à tarde, quando o celular tocou e atendi sem se quer ver o número da ligação. Do outro lado da linha, uma voz suave e calminha disse: “Gabi, é você?” E eu imediatamente reconheci a voz da pessoinha simpática dizendo: “É sim, é a Natália?”. E teve início, então, uma conversa breve, porém muito animada e cheia de saudade com uma amiga muito querida, que não vejo pessoalmente há, no mínimo, uns quatro anos.

Apesar de parecer uma situação trivial para muita gente, a conversa fluiu como se não tivéssemos parado de nos ver, como se tivéssemos nos falado ainda ontem ali, na esquina, ou em outro lugar qualquer. Quatro anos recuperados em menos de dois minutos, numa conversa breve – porém ótima – ao telefone celular.

Juro que adoro quando isso acontece, pois é quando a cumplicidade demonstra que o tempo não é capaz de influenciar uma relação entre duas pessoas que se gostam e que se respeitam pelo que são. Na realidade fico ainda mais impressionada pelo fato desta tal de cumplicidade se manifestar sempre sorrateira e como ela seleciona a dedo seus eleitos, como nos tira da rotina de uma forma tão simples e tão marcante ao mesmo tempo.   

É uma delicia saber que a tal da cumplicidade, apesar de ser descrita negativamente pelo dicionário, é capaz – pelo menos para mim – de tornar o dia um dia ainda melhor para se viver e como ela consegue fazer voltar no tempo, fazer parecer que foi apenas ontem... 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sorrindo à la Amélie Poulain...

Dona Monalisa que me perdoe, mas se há um sorriso muito mais enigmático e que reflete sua percepção ou sentimento em qualquer tipo de situação, qualquer tipo mesmo, este só pode ser o de Amélie Poulain. Você pode até não conhecê-la ou não ter ideia de quem possa ser esta nobre criatura – a Mona é bem mais popular, convenhamos -, mas nem por isso precisa ir correndo ao Google e bater o dedinho do pé no batente da porta pela pressa-curiosa para saber ou ver quem é esta tal fulaninha e como é seu sorriso, pois a resposta está mais próxima do que se pode imaginar. Dúvida? Vamos lá!

Pense num momento em que ficou com uma vergonha alheia tão absurda e que precisava disfarçar seu desconforto ou então numa situação em que você está ouvindo tanta besteira daquele chato de galocha que nem pode responder, para não se prejudicar ou prejudicar outras pessoas. Se ficar difícil imaginar isso, então recorde aquele dia em que o céu estava lindo e você ficou feliz ou  abriu a geladeira, comeu com fúria o último doce maravilhoso que estava lá e, ainda lambendo seus lábios, alguém chega e pergunta: aonde está o doce que tinha deixado separado aqui? E você, descaradamente, diz: não sei, que doce era? Também vale aquele dia no qual você ligou o rádio e lá estava sua música predileta tocando ou quando você ouviu uma frase super engraçada na conversa acalorada na mesa ao lado e não pôde rir por estar num almoço sério de negócios.

Pois bem, não importa a situação. Quando realmente não podemos manifestar os sentimentos da forma que desejamos ou quando estamos bastante desconfortáveis, envergonhados e não podemos transparecer lá surge ele, ao lado direito ou esquerdo ou nos dois cantos da boca, o bendito sorriso da Amélie. Eu disse que não precisaria pesquisar no Google para entender o sorriso da moça, pois ele transparece em todos nós como uma manifestação misteriosa que quer se mostrar e se esconder ao mesmo tempo, como uma expressão em que nossos lábios ficam sem controle e se distendem ligeiramente, aquela coisa sem graça ou com graça.

Seja branco ou amarelo, frouxo ou largo, com aparelho ou sem: sempre há momentos e motivos para sorrimos à la Amélie Poulain (até rimou!). E o melhor é que nem precisamos ser a Audrey Tautou para fazer isso... 


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O verdadeiro galo da madrugada...


Estava lá, num sono gostoso e profundo, quando comecei a ouvir um galo cantar todo animado. Na minha cama, de pijamas, quentinha e não entendendo muito bem se era parte do sonho maluco que estava tendo ou realidade, ouvia o bendito galo cantar sem parar. Até levantei para ver que horas eram, pois o bichinho estava tão afinado que só deveria estar dando boas-vindas a um novo dia com sol e céu claro.

Para minha surpresa, porém, o sol estava longe de aparecer: eram 2h30 da matina, em plena sexta-feira,  17 de agosto de 2012, e o bichinho a cantar sem parar. Do outro lado da história, eu, que estava desfrutando do sono profundo e fui surpreendida com tanta cantoria, querendo recuperar e voltar ao sonho maluco e ao soninho gostoso. Contudo, o galo continuou por muito tempo com seu repertório; o mesmo tempo, aliás, que eu levei para voltar a dormir.

Durante os demorados minutos em que o galo cantor dava seu show particular em algum quintal perto de minha casa, comecei a me lembrar ensonada que eu mesma já tive um bichano deste. Às 2h45 da manhã,  comecei a recordar deitada na cama a boa época em que morava no fundo da casa de meu avô, quando fui a uma festa do Dias das Crianças e voltei de lá com um pintinho amarelinho, presente sem noção e típico da década de 1980. Nem preciso dizer o quanto eu adorava o animalzinho.

Eis então que o pequeno pintinho – sem malícia, por favor, este é um texto de família! – se tornou um galão, forte, com penas avermelhadas e que ficava desfilando no quintal lá de casa, ou melhor, da casa de meu avó, exibindo-se às galinhas. Lembro-me que amava tanto aquele galo que eu até corria atrás dele para brincar, corria tanto que quando ele cansava logo e ia se esconder do lado do vaso sanitário, para recuperar o fôlego, lá no banheiro da minha tia. Galo esperto, diga-se de passagem.

E assim a história seguiu, feliz e por um bom tempo, até o dia em que fui viajar com meus pais. Aproveitando a minha ausência, meu avô enxergou o galo de outra forma que eu, não como um bicho amigo, mas dentro da panela; transformou-o num belo almoço de domingo. E eu, assim que voltei da viagem, procurando pelo bichano, fui informada que ele tinha ido morar em outro lugar, que tinha me deixado um abraço. Inocência, mesmo que triste fui fazer alguma outra coisa e só soube o que aconteceu com o meu galo de fato anos mais tarde, quando já tinha idade para entender e sabia o que era quase destino certo desta espécie. E fiquei pensando "tadinho do galo, nem nome ele tinha!", quando percebi que já eram 3 horas da matina. 

Meu galo que tragicamente foi para a panela, então, fez-me voltar a escutar o cantar do bendito galo que me acordou, tirou-me do sono maluco e que me fez retornar lá no quintal da casa do meu avô. Neste momento, juro que desejei do fundo do meu coração que o cantor sem relógio fosse à panela, não o maratonista que eu tinha. Contudo, quando cheguei a esta conclusão acho que era tarde, estava no sonho maluco de novo...

Crédito da foto: divulgado no Google Imagem

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Se ela dança, eu danço? Eu não teria tanta certeza assim...

Uma simples aula de dança pode ser, para muitos e muitas, um momento de fácil entretenimento e diversão. Para mim, contudo, fazer qualquer tipo de movimento corporal para acompanhar uma música ou um ritmo é um tipo de atividade ou de expressividade na qual realmente não levo jeito mesmo, definitivamente. Aliás, a minha relação com a dança sempre foi um tanto quanto traumática e uma coisa que até deveria ser analisada e estudada pela ciência, pois só com a ajuda de conhecimentos mais avançados ou com o auxílio da física e seus fundamentos seria possível explicar a minha total falta de similaridade com este tipo de atividade corporal.

Esta dificuldade, na verdade, remonta os tempos de infância, quando os coques e passos do balé me assustavam tanto quanto um filme do Freddy Krueger ou quando, já na adolescência, eu ia assistir aulas de jazz – todas as minhas amigas da época faziam, poxa – e me deparava com um monte de meninas tendo que aguentar a voz irritante e o jeito de orientar mal educado da professora. Juro que mesmo sabendo que elas encaravam aquilo como uma diversão sem fim eu via tal momento como um verdadeiro purgatório de sapatilhas.

Também não vou negar que tentei gostar de dança, juro que tentei. Frequentei aulas de dança de rua e até de axé. Até hesitei em escrever este último, por vergonha, mas foi uma tentativa desesperada de achar um tipo de ritmo com o qual o meu corpo se identificasse e, neste caso, graças a Deus que não tive êxito. Aquele negócio de “cima, embaixo, rebola a bundinha para lá e para cá” me fazia sentir uma pessoa com sérios problemas de compreensão da mensagem passada e a estética da recepção contida nas músicas deste tipo de repertório, já naquela época, criava um bloqueio artístico em minha mente, que não conseguia aceitar a mensagem ridícula passada e fazer um passo da dança que concordasse ao mesmo tempo com aquilo que era dito. Muito para a minha cabeça.  

Mas dizem por aí que brasileiro não desiste nunca e eu, como uma brasileira legitimamente otimista, ignorei as experiências passadas e comecei há duas semanas a fazer aulas de “ritmos calientes”. Está uma maravilha: quando todo mundo está na direita estou na esquerda e vice-versa, se a professora diz “sensualidade no passo” eu mais pareço uma garça anã manca, porém continuo firme mesmo vendo minhas colegas de turma abismadas com a minha total falta de compassamento, se é que esta palavra existe (e acabei de ver que ela está no dicionário, ufa!). Vamos ver até quando isso vai durar...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Quando o ruim está bom e o bom está ruim...

O dia está lindo lá fora. O céu está claro, os pássaros cantam, as flores enchem os olhos e enquanto todo mundo está lá, contemplando e dizendo em voz alta as maravilhas de um dia realmente bonito, lá vem um "Dito" - ou uma "Dita" - e já começa a colocar defeito em tudo: eu acho que está muito quente, o céu está claro demais, porque na minha opinião eu já vi dias mais bonitos que este (...) bem que hoje poderia estar um pouco mais frio, porque eu penso que dias mais frios e escuros são mais legais... e por aí vai um longo discurso que, na maior parte das vezes, chega no limite da redundância e da chatice, daqueles feitos sem critérios e - o pior - que não tem fim.

Com certeza você, leitor, conhece alguém com este perfil. Esta pessoa pode ser o seu vizinho, seu ex-marido ou namorado, seu ou sua colega de trabalho, sua namorada ou esposa durante a época da Tensão Pré-Menstrual - a famosa TPM - ou em todos os dias da vida dela, o pintor da sua obra,  a faxineira do seu escritório, o tiozinho da fila do banco ou da padaria. Enfim, há inúmeros seres humanos que adoram ser do contra em qualquer lugar e a qualquer hora, simplesmente porque sentem prazer em discordar de tudo, até daquilo que eles mesmos concordam. 

Notem, por favor, que não critico o fato de cada ser humano poder ter sua opinião sobre determinado assunto, sobretudo em um grupo em que os demais podem não aceitar o ponto de vista apresentado; mas falo sobre gente que adora ser contrária em qualquer situação, única e exclusivamente por ser e não por acreditar naquilo que diz ou pensa. Ainda não consigo compreender, sinceramente, como há pessoas que conseguem ter prazer ou tem a necessidade de achar que algo está bom quando todo mundo diz que está ruim e vice-versa, principalmente quando a ideia inicial do bate-papo não parte de sua mente contrária até ao contrário. Ser do contra, às vezes, é muito bom; já sempre é desnecessário e forçado.

Se o uso exagerado desta característica pode ser um reflexo da falta personalidade do cidadão ou a demonstração de sua insegurança e da escassez de suas próprias opiniões não sei responder. Aliás, melhor nem iniciar este tipo de discussão, pois quem é do contra nunca iria concordar até que alguém discordasse. Prefiro evitar mais um discurso sem fim...

Crédito da imagem: personagem "Do Contra", da Turma da Mônica.

sábado, 20 de agosto de 2011

O senhor da empatia...

Em alguns momentos chega até a ser engraçado a forma com a qual nos identificamos ou não imediatamente com as pessoas, sobretudo com determinados seres humanos que vemos todos os dias mesmo não os conhecendo de fato. Não sei se este tipo de experiência, de identificação imediata com o próximo, significa de alguma forma compreender o que o outro pensa e se sentir confortável com isso, mas a empatia realmente é um sentimento que pode mudar o rumo de nosso dia e, acreditem, torná-lo bem melhor. 

Digo isso porque fiquei refletindo acerca disso hoje, de como chega a ser estranho a forma com a qual criamos uma simpatia por pessoas que não conhecemos, ainda que nenhum dos dois se expressem de modo explícito ou objetivo; às vezes apenas um simples oi ou um aceno - mesmo que com a sobrancelha - bastam. E justamente por causa deste gesto simples é que criei uma empatia sem tamanho por um senhorzinho, destes bem bem bem velhinhos, que vejo à tarde quando saio do meu trabalho. 

Com uns 80 ou 90 anos, todos os dias ele está lá, sentadinho em sua cadeira com uma manta nos joelhos, na frente de sua casa, igualmente simpática. Para minha sorte, a casa fica ao lado do local no qual trabalho, em frente ao portão de saída. Desde que comecei a vê-lo lá, por volta das 17 horas e 18h30, passamos a dizer aos poucos oi um para o outro, inicialmente com a cara fechada e balançando a cabeça e depois, com o passar do tempo, gesticulando com a mão e com o típico sorriso da empatia no rosto. Nunca disse uma palavra para ele e vice-versa, mas esta simples troca de saudação ao fim de um dia atarefado tem tornado as minhas tardes mais leves e felizes.

Desejo fortemente que este hábito que criamos perpetue. Nem faço ideia se isso faz tanto bem a ele quanto faz para mim, mas fico alegre em saber que por mais que as coisas possam dar errado, ainda existem pessoas que não integram seu círculo de conhecidos ou próximos, mas que são capazes de tornar seu dia melhor apenas com um aceno e um sorriso sincero. Espero que esta capacidade, cada vez mais rara, não se perca e seja incentivada todos os dias; que a empatia continue a prosperar! 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A má educação é irmã da arrogância...

Nada justifica uma pessoa ser mal-educada ou insolente. Aliás, sou do tipo que não tem mais paciência para aguentar esta variação de ser humano, que faz da ignorância e da ironia sua personalidade ou as utilizam como uma máscara à presunção e à sabedoria descabida e inexistente. Ninguém tem a obrigação de aguentar estas coisas.

Na realidade acredito que a má educação esconde algum tipo de defeito ou insegurança muito grave, justamente aquilo que deve ser omitido a qualquer custo e que denuncia a verdadeira personalidade egocêntrica do fulaninho. Ao invés da arrogância com o outro, não seria melhor olhar para seu próprio descontentamento pessoal? Nariz lá em cima nunca foi sinônimo de poder e inteligência, mas de falta de confiança em si mesmo.

Vale ressaltar que ninguém é superior a ninguém e que, um dia ou outro, vamos acabar indo para o mesmo tipo buraco, não importa quem seja ou o que tenha. Atitudes medíocres de superioridade inexistente só perduram enquanto seus autores vivem em sua própria limitação de vida. 

sábado, 26 de março de 2011

Melhor buscar um cappuccino...

Aula de teoria e correntes literárias. Às 9h17, sinto-me entediada, com sono e só consigo pensar num bendito cappuccino. Quando não o idealizo em minha boca, relembro de pessoas que me decepcionaram ou que me irritaram bastante. Acho até que estou sob a influência dos autores nórdicos de Madame de Staël, com suas melancolias e textos sombrios, ou meus pensamentos são apenas fruto do tédio? Que raciocínio chato e sem fim. 

Enquanto escrevo este texto e tento fazer as anotações da aula, estes indivíduos ficam batendo em minha mente com um martelo; não gostam do esquecimento. Entre eles está aquela universitária, pela qual abdiquei uma vaga de estágio para que ela pudesse deixar aquele emprego que odiava e entrar na área. Ela nunca soube disso, mas um ano e meio depois fez da minha vida um inferno, espalhando boatos e falsas verdades; deveria ter dito algumas para ela, mas já foi.

O pior é que ela me fez lembrar daquele menino que tornou-se de um dia para o outro naquilo que mais repudiava; depois, porém, não adiantou chorar e querer a vida que tinha de volta, a fila andou e ele teve que sair dela. Tem também aquela menina que pensava ser sabe-tudo e que não sabia de absolutamente nada. Já escrevi sobre ela uma vez, mas o que era sofrimento hoje virou alívio. O mundo gira muito e se ela soubesse disso teria tirado o rei da barriga há mais tempo. Afinal, liderança e conhecimento não se impõem, são conquistados aos poucos. Nem no cappuccino consigo pensar mais...  

Há ainda aquelas pessoas tão próximas que vivem para agradar o errado, pois com medo de enfrentar apenas um prejudicam o restante que vive ao seu redor. Estes mesmos ignoram sua existência em ocasiões nas quais o outro queira participar, mas quando há que se pedir alguma coisa a história muda. Toda vez que vivencio isso, as feridas que foram abertas há mais de 15 anos estremecem e me machucam muito, mas fico quieta. Pela falta de vergonha de alguns, tive que criar uma barreira para me distanciar.

Agora até o sono foi embora. O que era tédio virou uma tristeza deslocada com esse blá-blá-blá, quase que um Horla trazido de volta à sua terra natal. Não gosto destas coisas e não quero mais pensar em assuntos negativos, estou quase parecendo uma rainha da verdade, credo, longe disso. Vou mais é me ocupar em pensar em tantas pessoas boas que fazem parte da minha vida, estejam longe ou perto, ou prestar atenção na aula.

Aliás, vou é afogar esta melancolia chata num cappucinno e vou fazer isso é já!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Aquela casa...

Há uma casa muito bonita e antiga na rua pela qual agora passo todos os dias a pé. Localizada bem no centro da cidade, ela parece não se importar com o barulho e com a movimentação de tantos carros, motos, pessoas e buzinas o dia todo. Até me sinto idiota em ficar admirando algo tão inanimado quanto uma casa, mas fazia tempo que alguma coisa não me chamava tanto a atenção quanto aquela construção toda branca e, com certeza, bem mais velha que eu. 

Não sei se são os gramados tão bem cuidados ou as dezenas de árvores enormes ou as muitas, muitas flores que enfeitam seu jardim. Também não sei se é por causa daquela varanda de mármore que transmite frescor à sombra, nestas tardes tão quentes deste verão, e que rodeiam ela toda. Pode até ser aquelas paredes brancas e um quintal tão longo que queria espiar lá no fundo, na qual há uma espécie de galpão conservado e que me deixa muito curiosa para ver aquilo que não posso. Isso sem contar o interior dela, que pode não ser tudo aquilo que fantasio, porém, pode ser até um pouco mais.

Simplesmente não sei porque gosto dela, só sei que faz com que eu me sinta bem. Quando olho aquela casa tenho a impressão que só de passar por aquele portão cinza você é capaz de se esquecer da vida. Sabe aquele abraço de mãe, pai, avó, avô, filho(a), tia(o) ou até a lambida do cachorro que faz festa quando o dono chega? É este mesmo sentimento, como se ela o(a) abraçasse e você deixasse do portão para fora todos seus os problemas. Ela quase o(a) recebe com um bolo de fubá e café feito na hora...

Um absurdo, eu sei, um completo absurdo essa idealização de uma casa. Entretanto, me simpatizei tanto com a bendita que me dá vontade até de falar bom dia ou boa tarde para ela! E o pior: faço isso em pensamento todas as vezes que passo por aquele portão, mesmo sabendo que isso é uma enorme loucura. Aquela casa realmente me desperta algo estranho e ainda vou descobrir o porquê!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Um viva à caloria!

Este soneto é especialmente dedicado a nós, mulheres, que sempre teimamos com calorias e gorduras do saquinho de pipoca ou com um quilo a mais ou a menos:

Soneto Torremista


Não basta a ditadura que já dura
e vem a ditadura antigordura!

Saímos do regime militar,
caímos no regime do regime.
Censuram-nos até no paladar!

Trabalho, horário, imposto, compromisso.
Orgasmo não se tem como se quer.
Só sobra o bom do garfo e da colher,
e os nazis nariz metem até nisso.

Maldita seja a mídia, sempre a dar
espaço à medicina que reprime!
Gestapo da "saúde" e "bem-estar"!

Resista! Coma! Abaixo a ditadura!
A luta tem um símbolo: FRITURA!

Glauco Mattoso

sábado, 8 de janeiro de 2011

A mais difícil das metas...

Em 2011 está decidido: não quero mais ficar com a cara típica de quem bateu o dedinho do pé no canto da cama. Por este motivo, a meta que escolhi neste ano será manter o bom humor todos os dias. Tudo bem que não passo nem perto do tipo de pessoa "Bom dia por quê?", mas tive que fazer esta opção porque paciência é uma qualidade que tem limite e precisa ser renovada depois de muito tempo de uso. Como não há como comprá-la por aí, partirei para esta nova tentativa e espero, sinceramente, que dê certo. 

Para conseguir cumprir esta missão tão difícil já providenciei alguns itens indispensáveis aos que desejam ter um estado de espírito tendencioso à graça: piadas curtas e ruins (minhas prediletas, é óbvio) e um repertório de músicas que ninguém mais lembra, para ser utilizado nos momentos nos quais posso me desviar do objetivo principal e também distanciar os causadores da possível fadiga mental. Sendo assim, não brigue comigo se eu começar a cantarolar algo do tipo exótico; até o(a) convido para participar de minha nova causa.

Aliás, o que seria do sucesso individual sem a ajuda coletiva? Simplesmente nada. Por isso, contarei ainda com o auxílio de alguns amigos, que serão uma espécie de termômetro da minha (falta de) disposição à comicidade. Aproveito, inclusive, para agradecer ao Dé, Daniel Paixão, Pablito e meninas do puxadinho pela iniciativa e disposição em me ajudar nesta nobre tarefa. 

E se por acaso nada disso funcionar e for impossível controlar e manter o bom humor, já aviso que passarei a adotar a boa vontade como meta...

sábado, 20 de novembro de 2010

Há como dizer não aos amigos secretos?

Perto do fim do ano, o décimo terceiro ainda nem caiu na conta e já começa a época dos amigos secretos em tudo quanto é lugar: na faculdade, no curso de idiomas, no trabalho, na igreja, no clube, no Facebook, no elevador, na comunidade secreta dos amantes dos Ursinhos Carinhosos... enfim, em todos os locais nos quais haja mais de uma pessoa com vontade de dar presente bom e ganhar um bem, mais bem ruim. 

Envolvido pela pressão de participar desta brincadeira tão injusta, você pode acabar influenciado e pegar aquele maledeto papelzinho ou entrar no sorteio on-line. E o que era ruim para quem não gosta de amigo secreto sempre pode piorar: você tira o(a) mais chata(o) do mundo, pelo menos naquele grupo de pessoas, ou aquele que pediu o presente mais caro!

Por isso, se você não quer participar da brincadeira ou não está com dinheiro a mais para gastar com isso  - seja qual for o motivo - não sinta-se mal em dizer "Não quero", mesmo que as pessoas peguem no seu pé. Não há nada de errado em não querer integrar algo que não lhe agrada. E se você gosta da brincadeira, por favor, não diga que quem não quer participar é um antissocial ou inicie julgamentos precitados e paralelos: tem gente não gosta disso e ponto, apenas respeite!

sábado, 17 de julho de 2010

Sorria com intensidade

Inicio este breve comentário escrevendo que, com certeza, há alguma música que o(a) faz sorrir, não é? Pois  eu também tenho a minha canção predileta e que tem até um nome sugestivo: Smile like you mean it, da banda The Killers. 

E se você deseja saber o porquê desta minha escolha, digo-lhe que é por um motivo bem simples: não importa se os sonhos não são o que costumavam ser ou se algumas coisas pararam sem se importar, se você olhar para trás ou para frente verá que é impossível não perder a noção do tempo e das pessoas ao seu redor. Mesmo assim, a essência do que você é sempre continuará a ser a mesma.

Tudo bem que o seu jeito de ser ou agir até pode mudar enquanto se é jovem ou velho; terão pessoas que tentarão fazer isso contigo. Entretanto, você aprenderá, cedo ou tarde, que cada um deve seguir aquilo que acredita, sem se importar com a opinião alheia. É difícil, mas se aprende.

E se você não entendeu absolutamente nada do que eu escrevi, se acalme. Um dia você encotrará uma pessoa ou um motivo muito especial que o(a) ajudará a compreender tudo isso. E quando esse dia chegar, você sorrirá exatamente da forma que aquilo significar para você.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Aprende-se a ser herói porque há vilões para derrotar...

Não muito distante das terras dos contos de fadas, príncipes brigavam entre si para conquistar o que não lhes pertenciam, enquanto reis apenas preocupavam-se em enriquecer-se e mostrar falsas ações a outros reinos não tão diferentes.

Nesta terra de valores invertidos, na qual garotas boas morriam ofuscadas nas mãos de rainhas e princesas com olhos maliciosos, não havia magia em parte alguma, apenas poucos cavalheiros que aprenderam a ser heróis para ajudar os outros a viver em meio a tanta ganância e briga pelo impossível.

Com suas pobres mentes envenenadas, porém, os nobres não tinham inteligência suficiente para enxergar que tais cavalheiros enfrentavam e resolviam, a todo momento, os problemas que prejudicavam sua fortuna e que os mantinham naquela posição. Os heróis eram mais vistos como partes descartáveis de um reino de sucesso, pois reis, rainhas, príncipes e princesas acreditavam que só dependiam de si mesmos para prosperar; doce engano.

Desacreditados com a constante falta de consideração, os heróis cansaram-se de seu papel salvador, fugiram das histórias encantadas e deixaram os nobres à deriva de seus algozes e vilões, os quais nem imaginavam existir. Não sabendo o que fazer para derrotá-los, viram seus castelos serem vandalizados e o que ostentavam sumir, como se nunca houvesse existido. Os vilões conquistaram, enfim, o poder daqueles que se julgavam autossufientes para manterem-se intocáveis eternamente.

Nesta terra não tão distante de nossa realidade, os que se diziam nobres choraram por ignorar que as piores lutas eram resolvidas nas escalas mais baixas, nas quais estavam os heróis para protegê-los de vilões que almejavam se tornar reis e rainhas. Infelizmente, aprenderam muito tarde o quão perigoso era sonhar tão alto às custas de seus heróis não valorizados.

domingo, 11 de abril de 2010

Carolina sabe tudo...

Carolina sabe que não faz do tipo antipático à primeira vista. Curiosa e intrometida, palpita sobre tudo e quase nunca aproveita o que os outros têm a dizer. Para ela, o que importa é manter seu ponto de vista sob controle, sua mais falsa ilusão. O importante, afinal, é que todos a reconheçam como uma excelente sabe tudo.

Carolina sabe que não faz o tipo tímido. Atenciosa e falante, entende que é fundamental  ter opiniões enfatizadas em uma conversa para impor sua vontade acima de tudo. Pensa que se não for consultada perderá sua credibilidade, o que seria péssimo para quem se ilude em se achar entendida em qualquer coisa.

Carolina também sabe que não há como manter as aparências por muito tempo. Ancorada no conhecimento alheio, encontra a maior parte das respostas aos questionamentos que lhe são feitos fora de seus pensamentos. Desprovida de capacidade para reconhecer isso, pensa que conseguirá se sustentar nesse hábito o tempo que julgar conveniente, mas seu prazo se esgota a cada dia.

Apesar de pensar que sabe de tudo, o que Carolina não entende é que testa a paciência de quem vive ao seu redor. É tão superficial que se esquece que conhecimento não é algo palpável e que não é possível tê-lo completamente. Não compreende que para saber pelo menos um pouco de tudo é preciso aprender a reconhecer que, na realidade, ela não sabe de absolutamente nada.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Às vezes eu queria ser a Beyoncé...

Você deve estar se perguntando: por qual motivo este ser humano que vos escreve, com um quarto de século na cara recém-completado, elaboraria um comentário curto e idiota com o título Às vezes eu queria ser a Beyoncé?

Não, não estou ficando louca. Também não gostaria de estar casada com o Jay-Z ou de ter que ficar horas ensaiando coreografias premiadas nos VMAs da vida. Até que seria legal ser uma mulher tão linda e talentosa quanto ela, mas não a escolhi por um motivo especial.

Na realidade é que existem alguns dias nos quais você deseja ser qualquer pessoa, desde que não seja você. E se hoje me sinto assim, então por que não desejar ser a Beyoncé?

domingo, 22 de novembro de 2009

Completamente arrasadores...


Domingo, 22 de novembro. 18h42. Estou de volta em casa após um fim de semana que planejei há tanto tempo. Mesmo após um dia do show do The Killers, banda que conheci, de fato, há um ano, os refrões, letras e acordes não param de tocar em minha mente. Realmente são matadores, sem trocadilhos.

Tudo foi perfeito e essa confirmação fica mais forte a cada momento. Queria ter aproveitado ainda mais que aproveitei, mas seria impossível. Meu amigo Anderson pode confirmar isso. Me diverti sem medo de ser reprimida ou vergonha de pular como uma louca, afinal era uma no meio de tantos...

A matéria escrita pela Mariana Tramontina, da Uol, reflete bem o que senti desde o momento que pisei na Chácara do Jockey, no início de uma noite chuvosa em São Paulo, até o último refrão de uma canção que muitos tocam no jogo Guitar Hero e nem sabem o quão é linda e emocionante ao vivo.

As músicas que se tornaram inesquecíveis e marcarão este dia tão especial para mim, caso queiram conhecer:

Human
This Is Your Life
Somebody Told Me
For Reasons Unknown
Bones
The World We Live In
Joy Ride
Bling (Confession of a King)
Smile Like You Mean It
Spaceman
A Dustland Fairytale
Read My Mind
Mr. Brightside
All These Things That I've Done
Jenny Was A Friend Of Mine
When You Were Young

Só faltou mesmo I can't stay, mas não faltarão oportunidades para ouvi-la. Quero vê-los sempre que possível. Quero meu sábado de volta!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Que frescura é essa, menino?

Definida pelo Michaelis como uma qualidade, o termo frescura tem caído como uma luva em diversas situações vivenciadas pelo bicho estranho que é o ser humano. Apesar de ser um substantivo feminino e comumente associado às meninas que gritam por qualquer coisa, reforço aqui que esta palavrinha nunca pôde ser tão utilizada para caracterizar os novos trejeitos masculinos.

Já aviso que este texto não se trata da mania idiota de dizer que frescura está relacionada à sexualidade. Falo, na realidade, sobre a atitude que tem tomado conta da personalidade destes muitos mamíferos bípedes do sexo masculino, dotados de inteligência e linguagem articulada, que ultimamente estão me irritando com tantas ações que poderiam ser definidas como coisas típicas de mulherzinha.

Sim, os homens estão agindo, muitas vezes, com uma fresquidão fora dos limites aceitáveis até para a mais chata das criaturas. Atitudes infantis com discursos imaturos e fúteis, acompanhados sempre de não-me-rele-nem-me-toque desenfreado e comentários desnecessários, iguais aos diálogos idiotas das comédias adolescentes. Juro que minha vontade, às vezes, é de dar um tapa na mesa (bem forte) e gritar bem alto: “Pare de agir feito uma menina 'fresquinha' de cinco aninhos” (no diminutivo tem mais efeito).

Entretanto, enquanto ainda consigo manter a paciência, gostaria de saber como as outras pessoas reagem com esses homens de atitudes tão irritantes. Quem souber, por favor, me dê algumas dicas antes que eu enforque um!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O primeiro Gradiente realmente não se esquece...

Olha eu aí, com três anos, em plena forma, fazendo pose para foto e com a mão na cintura. Nesta época já gostava de ter franja, infelizmente usava conjuntinho combinandinho e sandália estilo gladiadora, destas que vendem a rodo na Arezzo ou na Empório Naka e que hoje tenho horror.

É legal recordar que a única preocupação que tinha, na época desta foto, era se  poderia levar meu pastor Lobo (Popou para os íntimos) para passear ou se teria que dormir à tarde obrigada pela minha mãe, que insistia que o sono da tarde era tão importante quanto o da noite, para que eu fosse uma criança feliz. Entretanto, tente explicar para uma pessoa de três anos que o sono é mais legal que enterrar o Lango-lango no quintal da sua avó? Enfim...

E como toda criança das décadas de oitenta e noventa também tinha meus sonhos impossíveis, que, neste caso, era um gravador todo colorido, com microfone e que dava para levar para qualquer lugar. Nem sabia que se chamava Meu primeiro Gradiente, mas queria muito tê-lo e, mesmo assim, não contava essa minha vontade para ninguém (característica que sempre foi muito forte em mim).

Passei noites e noites sonhando com a possibilidade de ter meu próprio microfone e poder cantar à vontade aquelas músicas que faziam parte do repertório da fita K7 que vinha junto, nem uma Barbie era tão desejada por mim. Aliás, queria ter aquele microfone para brincar de perguntar, da mesma forma que umas moças faziam na televisão. Para suprir essa necessidade, pegava uma colher na cozinha da minha avó, ia ao quintal e ficava conversando com meu pastor capa preta por várias horas; digamos que o Popou sempre foi um bom entrevistado e ouvinte, um companheiro que me faz falta até hoje.

Algum tempo passou, a brincadeira tornou-se a minha predileta e meus avós perceberam que a colher precisava ser substituída por outra coisa. Resolveram dar, enfim,  Meu primeiro Gradiente num dia das crianças chuvoso e frio, simplesmente igualzinho a este 12 de outubro. E este dia foi tão feliz que o guardo até hoje, bem pertinho de mim, para não me esquecer por nada como era bom ser criança!