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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Amor de avó é tudo de bom!

Seja qual fora a hora, se você chegar na casa dela imediatamente uma mesa cheia de delícias se materializará na sua frente, com quitutes que nem uma aula avançada de spinning é capaz de eliminar da cintura e das pernocas depois. E o pior – ou melhor – é que ela conhece exatamente o que você mais gosta de mandar para dentro e aprimorou, ao longo dos anos, o preparo dos itens para poder agradá-lo, leitor. E se ela não sabe fazer não se preocupe: ou ela aprende de tanto praticar ou ela compra o melhor que há e o deixa na dispensa para servir para você assim que for visitá-la. Afinal, ela é maestra em nos surpreender e verdadeiramente ganha o dia se consegue.
 
Se não bastasse ter nos conquistado pelo estômago, também teve a nossa máxima confiança conquistada ainda na infância, quando com muito jeitinho conseguia – ou tentava, pelo menos – nos livrar daquela baita surra merecida após ter aprontado alguma por aí e sua mãe ou pai terem visto a arte. Tudo bem que comigo não funcionava e eu tinha que arcar com as palmadas (minha mãe era decidida na punição), mas até hoje se formos levar uma bronca ela tenta nos livrar; tenta fazer com que nenhum mal chegue perto. Até a carne, se deixar, ela vai querer cortar no nosso prato ou soprar a sopa ou leite para que não queimemos a língua. Parece absurdo, mas não é para ela.  

Não importa se temos dois, onze, 28 ou 36 anos ou mais, sempre seremos os queridinhos e protegidos. Na casa dela, aliás, toda limonada é mais doce, todo bolo é quentinho, todo cobertor é macio, todo cachorro é pentelho, toda conversa é gostosa e até o filme da sessão da tarde é mais divertido. Não sei o que acontece, se é um dom de Deus ou se nossos pais aprimoraram muito – e muito mesmo! – a paciência dela, mas amor de avó é tudo de bom e sempre será. E por ser tão bom, acredito que amor de avó deveria ser regulamentado, virar Lei, ser prática da ISO, manual da ABNT  de boas práticas à vida. Uma política de direitos humanos ou um patrimônio universal da humanidade, não importa, amor de avó deveria ganhar um feriado internacional. Afinal, ela não merece ter apenas um dia celebrativo, comemorado em 26 de julho, mas todos os dias do ano.

Amor de avó deveria, de verdade, ter até uma terminologia própria no dicionário, mas enquanto isso não acontece, amor de avó para mim é representado em sua totalidade nos nomes Maria e Mercedes. Nomes que representam dois seres humanos fantásticos com os quais tive o prazer de crescer e de conviver e viver até hoje, graças a Deus! Duas mulheres que não se parecem em nada com a imagem esteriotipada que busquei no Google para ilustrar este post, mas que me motivam e que me ensinam, até hoje, coisas boas da vida e que me instigam a querer retribuir todo esse amor. E assim espero, ter aprendido tudo para também fazer o mesmo quando eu puder comemorar o Dia da Avó lá em 26 de julho num ano distante...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aos que também batem fora do bumbo...

Não sei se reparou ou se teve tempo para refletir sobre, mas ao longo da vida desenvolvemos uma certa capacidade quase que sobrenatural de atrair ou afastar determinados tipos de pessoas. Para alguns essa característica é chamada de carma, contudo, não me identifico em nada com essa terminologia, sobretudo porque o tal carma mais me lembra o jeito caipira de se pedir um pouco mais de paciência para alguém. Por isso, caro leitor, peço para você total licença para me referir a essa capacidade como um dom.

Autorização concedida (espero eu), tenho que confessar que esse dom tem a força máxima de atrair em minha vida pessoas que batem totalmente fora do bumbo. O que seria isso? Você pode me perguntar, pois logo respondo: são seres humanos exóticos, que não compartilham da vida alheia, que gostam de piada ruim, que dão gargalhada alto, que passam o dedo no pote de iogurte quando está no fim ou que, numa tarde qualquer lhe acompanha num cafezinho quetinho, lá da sala proibida.

São os que gostam de coisas simples da vida, que ao luxo dão poucas oportunidades, que dão foras que até Deus duvida, que falam alto, que gostam de comédia romântica, de livro ruim  e que com seus jeitos e trejeitos únicos são indispensáveis. São amigos, com o dom máximo de deixar a vida ainda mais divertida, com uma habilidade inigualável de fazê-lo se sentir melhor quando você mais precisa. E aos meus amigos, neste 20 de julho, desejo que continuem a ter o dom de fazer do bumbo algo para se tocar totalmente fora... 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O verdadeiro galo da madrugada...


Estava lá, num sono gostoso e profundo, quando comecei a ouvir um galo cantar todo animado. Na minha cama, de pijamas, quentinha e não entendendo muito bem se era parte do sonho maluco que estava tendo ou realidade, ouvia o bendito galo cantar sem parar. Até levantei para ver que horas eram, pois o bichinho estava tão afinado que só deveria estar dando boas-vindas a um novo dia com sol e céu claro.

Para minha surpresa, porém, o sol estava longe de aparecer: eram 2h30 da matina, em plena sexta-feira,  17 de agosto de 2012, e o bichinho a cantar sem parar. Do outro lado da história, eu, que estava desfrutando do sono profundo e fui surpreendida com tanta cantoria, querendo recuperar e voltar ao sonho maluco e ao soninho gostoso. Contudo, o galo continuou por muito tempo com seu repertório; o mesmo tempo, aliás, que eu levei para voltar a dormir.

Durante os demorados minutos em que o galo cantor dava seu show particular em algum quintal perto de minha casa, comecei a me lembrar ensonada que eu mesma já tive um bichano deste. Às 2h45 da manhã,  comecei a recordar deitada na cama a boa época em que morava no fundo da casa de meu avô, quando fui a uma festa do Dias das Crianças e voltei de lá com um pintinho amarelinho, presente sem noção e típico da década de 1980. Nem preciso dizer o quanto eu adorava o animalzinho.

Eis então que o pequeno pintinho – sem malícia, por favor, este é um texto de família! – se tornou um galão, forte, com penas avermelhadas e que ficava desfilando no quintal lá de casa, ou melhor, da casa de meu avó, exibindo-se às galinhas. Lembro-me que amava tanto aquele galo que eu até corria atrás dele para brincar, corria tanto que quando ele cansava logo e ia se esconder do lado do vaso sanitário, para recuperar o fôlego, lá no banheiro da minha tia. Galo esperto, diga-se de passagem.

E assim a história seguiu, feliz e por um bom tempo, até o dia em que fui viajar com meus pais. Aproveitando a minha ausência, meu avô enxergou o galo de outra forma que eu, não como um bicho amigo, mas dentro da panela; transformou-o num belo almoço de domingo. E eu, assim que voltei da viagem, procurando pelo bichano, fui informada que ele tinha ido morar em outro lugar, que tinha me deixado um abraço. Inocência, mesmo que triste fui fazer alguma outra coisa e só soube o que aconteceu com o meu galo de fato anos mais tarde, quando já tinha idade para entender e sabia o que era quase destino certo desta espécie. E fiquei pensando "tadinho do galo, nem nome ele tinha!", quando percebi que já eram 3 horas da matina. 

Meu galo que tragicamente foi para a panela, então, fez-me voltar a escutar o cantar do bendito galo que me acordou, tirou-me do sono maluco e que me fez retornar lá no quintal da casa do meu avô. Neste momento, juro que desejei do fundo do meu coração que o cantor sem relógio fosse à panela, não o maratonista que eu tinha. Contudo, quando cheguei a esta conclusão acho que era tarde, estava no sonho maluco de novo...

Crédito da foto: divulgado no Google Imagem

domingo, 5 de julho de 2009

Olhos de menino...

Ele não sabia como seria seu dia. Apenas entrou no carro sem perguntar nada, pois não queria mais ver o desespero daquela menina pela qual poderia dar sua vida. Durante horas se deixou levar para um local que imaginava ser obscuro, mas não tinha medo. Estava lá para ajudá-la a se localizar e a ficar mais calma; gostava do papel que tinha na vida da menina.
Há mais de 20 anos ele não passava por aquelas ruas tão distantes. Percorreu quilômetros até chegar lá e, pela janela do carro, só conseguia ver carros e mais carros, além de ouvir aquelas buzinas infernais e que tornavam o percurso um pouco irritante. Chegando ao local desejado, a menina correu para seu compromisso indesejado e ele resolveu desvendar sua curiosidade, queria clarear o que julgava obscuro.
Horas se passaram e os olhos de menino tomaram a alma deste homem; só acompanhavam as avenidas movimentadas. O azul daqueles olhos, acostumados ao verde das árvores e ao vermelho do barro, se renderam ao cinza das ruas. Sequer conseguiam alcançar a altura das grandes constuções humanas, tão brancas e cheias de vidros. Era o progesso que fazia sombra em seus cabelos grisalhos.
Impressionado com a beleza gelada daquele lugar, andou por horas enquanto esperava a menina voltar. O que julgava ser conhecido era totalmente novo ao seu pensamento. Até pensou em deixar o verde e vermelho durante um tempo para viver no branco gelado e perto do cinza. Conseguiria se habituar às novas cores.
Depois de um longo tempo a menina voltou e encontrou puro encantamento nos olhos de menino; ficou feliz. Tudo o que ela conseguia ver naquele momento era o azul se rendendo às cores frias da metrópole e também era responsável por aquilo. A falsa obscuridade daquele lugar havia se tranformado em brilho naqueles belos olhos azuis, uma luminosidade que havia visto poucas vezes.
Apesar de gostar do verde e vermelho, o menino de cabelos grisalhos mal esperava para poder ver novamente o cinza e o branco daquela cidade em movimento. Conseguiu ver vida nas cores frias. Aqueles olhos de menino iluminaram o dia, as ruas e a vida da menina.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ela, ele...

Ela acha que ele é uma gracinha há tempos, enquanto ele disfarçadamente tenta esconder seu enorme interesse por ela...
Ela fica totalmente sem jeito quando ele está por perto, enquanto ele se controla para não derrubar tudo e beijá-la ali mesmo, na frente de todos...
Ela aceita um convite para jantar, enquanto ele comemora a nova conquista...
Ela espera um anel de noivado, enquanto ele só pensa em fazer as coisas na hora certa...
Ela consegue a joia rara, enquanto ele procura um novo apartamento para os dois...
Ela quer dormir, enquanto ele ainda insiste em namorar...
Ela descobre o quão chatas são as manias dele, enquanto ele tenta não descobrir as dela...
Ela fica brava por ele nunca se lembrar do dia dos namorados, enquanto ele pensa que isso é uma bobagem e que a única coisa que importa é gostar tanto dela...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Bom dia para você também...

Pedro era o típico homem que gostava de preservar alguns costumes. Diariamente, a caminho do trabalho, fazia questão de dizer “Bom dia” a todos que passavam ao seu lado, mas raras eram as vezes que recebia uma resposta; poucos eram os sorrisos verdadeiros. Apesar de quase sempre ser ignorado ou pensar que falava com o nada, Pedro não conseguia perder este costume que fazia questão de fomentar todos os dias, desde os tempos em que sua mãe ainda puxava sua orelha.

No elevador do prédio no qual trabalhava continuava a exercitar os bons modos aprendidos em casa, mesmo sabendo que estava cada vez mais difícil. Cansado de desejar bom dia e tentar perpetuar algo que parecia ser impossível, resolveu se adaptar à realidade atual e mudou seu jeito de agir.

Ao caminhar no outro dia pela mesma rua de sempre, nem mais uma palavra saia de sua boca. As pessoas o encaravam esperando o momento certo para o ignorarem, mas agora se sentiam invisíveis e incapazes de mudar o dia de alguém; passaram a sentir o triste ritual de ser ignorado.

Com o passar dos dias, entretanto, Pedro ficou mais triste e preferia ser ignorado a deixar de dar bom dia a alguém. Era ridículo continuar com aquela ideia que só prejudicava seu jeito natural de ser. Preferiu rever sua postura e voltou a ser como antes.

Já na manhã seguinte, ao caminhar para seu trabalho, percebeu que algo havia mudado. Sorrisos passaram a cruzar seu olhar junto a um cumprimento que antes parecia ser nulo no dia daqueles desconhecidos. Antes mesmo que abrisse a boca para deixar sua voz saudar a nova manhã, seus ouvidos recebiam a mensagem que há tempos fazia questão de dividir com as pessoas que cruzavam seu caminho. Para Pedro era o início de novos bons dias, era a confirmação de que seus instintos não estavam tão errados assim.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Espetáculo natural

Da sacada de casa vejo o tempo transformar-se. O céu, que era azul e claro, resolve mudar subitamente o cenário. As nuvens, antes mera coadjuvantes, unem-se delicadamente e dão um novo rumo à história. A ordem é para que o sol saia de cena e fique atrás das cortinas, pois agora são as nuvens e suas pequenas gotas que devem sobressair.

Vento e trovões acompanham bem de pertinho cada gesto das pequeninas, já que são os responsáveis por dar mais dramaticidade e emoção à cena; devem acompanhar de perto a dança fresca das partículas. Aos poucos, o personagem principal sente que deve voltar ao cenário para que seus raios acalmem os nervos de todos que ali atuam; não parece, mas faz parte do roteiro.

E após toda esta confusão a história parece terminar e tudo volta ao seu estágio inicial, como da primeira vez que vi uma chuva de verão. Me resta, então, aplaudir este espetáculo único que acompanho tantas vezes da sacada de minha casa.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Otimismo infantil...

Em um sábado qualquer, Renata tem que ficar até mais tarde para ajudar em uma festinha e dá a chave do carro à sobrinha Gabriela, para que volte dirigindo e leve sua mãe e o sobrinho, de quatro anos, para casa. Antes de entrar no veículo, a criança olha bem para a prima e diz:

- Você vai atrás para brincar comigo?

- Não, Enzo, vou ter que ir na frente para dirigir. A tia Renata vai ficar aqui na escola trabalhando até mais tarde e a vovó vai atrás com você!

Eis que o menininho olha com cara de desconfiado para a prima e já fala depressa:

- Você é muito pequeninha para dirigir, Gabi, não pode ir na frente!

- Eu sei que sou pequena, Enzo, mas sei dirigir e já tenho idade para isso...

E na hora que ela pensou que o papo sobre o seu 1,57 de altura tinha terminado, o menino complementa:

- Tudo bem, Gabi, você vai crescer um dia, né? Eu também vou crescer...

Após consolar a prima, o menino abre a porta do carro e senta no banco de trás, como se nada tivesse acontecido. Gabriela fica sem reação e a avó dá uma gargalhada. As duas abrem a porta do carro, rindo, a menina ajeita o banco para alcançar os pedais e a direção. O menininho não deixa de ter razão.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Aquela canção...

Ao ouvir as primeiras notas você começa a lembrar-se do dia que tomou muita chuva, em uma tarde qualquer, e gostava de sentir o gelado das gotas escorrendo pelo rosto e por todo o corpo. Aquela água fria fazia com que você se sentisse vivo mesmo que, dias depois, muito resfriado.

Basta um novo acorde para que seu braço fique todo arrepiado. Sua barriga congela e você sente um leve calafrio na espinha. Até parece a sensação do seu primeiro beijo e não é o da época da escola, mas aquele quente, molhado, estranho e com gosto de descoberta, dado de surpresa por aquela pessoa que você nem esperava. É o mesmo arrepio que será buscado a cada novo beijo ganhado ou em novas bocas beijadas.

O ritmo passa a ditar o sentido aos movimentos e ao pensamento; é impossível não se deixar levar. Os olhos fecham e sua mente cria o cenário ideal para vivenciar aqueles versos cantados, que seguem cautelosamente o ritmo de cada instrumento e de cada batida. As endorfinas estão a todo vapor e o sorriso, mesmo que tímido, é inevitável e sincero.

Nos últimos arranjos você já começa a abrir os olhos, seus pensamentos podem novamente ser controlados e o frio na espinha vai embora. As endorfinas parecem diminuir sua atividade e o arrepio termina junto com a canção.

Existe alguma música que te faça sentir a mesma coisa?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Um dia de mulherzinha...

Um dia desses acordei me sentindo uma verdadeira mulherzinha. Logo de manhã deu vontade de tomar um banho mais demorado do que de costume, de passar creme em todo o corpo, perfume, de colocar vestido, deixar o cabelo preso, passar rímel, blush, batom e colocar um belo salto alto, mas desisti deste último porque o mais bonito que tenho deixa qualquer um com dor nas pernas. Mas tudo bem porque peguei uma sapatilha linda, presente de minhas amigas, e saí super atrasada de casa.

Durante o dia incorporei a tal da mulherzinha. Fiquei irritada, descabelada, comi muito chocolate ainda na parte da manhã, fiz várias coisas ao mesmo tempo, achei linda aquela roupa lá da loja ao lado do banco, me senti gorda, tive cólica, comi mais chocolate, arrumei a calcinha que estava me incomodando, fiquei chata do nada e queria gritar bem alto tudo o que sentia, sem medo de ser julgada. Depois, sem nenhuma explicação, voltei a ficar bem-humorada e calminha.

Quase no fim da tarde deu saudades do namorado, da mãe, do pai, da tia, do avô, das avós, da minha cachorra que sempre rói tudo o que vê, de comer um Big Mac sem culpa com coca-cola e batata frita, da amiga que há tempos não converso, da cunhada, da prima e até daquela menina que você conhece e que só conta mentira. Queria até ouvir uma história imaginária dela para rir um pouco.

À noite ainda me sentia mulherzinha. Tomei banho ouvindo música bem alto, coloquei aquele pijama horrível, fiquei brava de não caber mais naquela calça mesmo comendo o bendito Big Mac, assisti sem xingar a novela das oito, reparei como era bonito o moço que namora a Donatella, liguei para meu namorado, conversei com uma amiga, dei uma olhada nos e-mails e fui obrigada a durmir com dor de cabeça, sem ao menos assistir o programa que tanto gosto, aquele que passa às segundas-feiras à noite.

Após este longo dia, já deitada na cama, rezei para nunca mais acordar me sentindo tão mulherzinha assim. Deus que me livre!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sempre dezembro...

Horário estendido e aquele calorzinho gostoso, que te convida a festejar o fim de tarde mesmo depois de um dia muito cansativo, seja para fazer o que for.

Já no caminho de casa surge aquela vontade de andar por aí com o vidro do carro totalmente aberto, só para sentir o vento no rosto. Sem perceber começa a ir mais devagar e aproveita para ouvir algumas notícias no rádio, pois adora fazer isso.

Ao chegar onde deseja brinca com os cachorros, bate papo com a família, toma um banho gelado, come alguma coisa e sai por aí com o cabelo todo bagunçado, só se importando em ver o céu cheio de estrelas.

O clima é o melhor que há e você jura não existir melhor época que esta. A sensação é de que todo mundo sente a mesma coisa, aquela vontade de aproveitar cada segundo bom que o dia lhe oferece.

Pode garoar, fazer frio, calor, cair aquele pé d'água e depois voltar a ficar quente de novo, as sensações serão as melhores, certamente as que ficarão guardadas na memória por toda a vida.

Amo dezembro...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Apenas dois parágrafos sobre Marina...

Marina não é uma menina como as outras. Ao invés de idealizar seu futuro ao lado de um amor qualquer e rodeada por filhos, sonha em viver de música, pintura ou poesia (sozinha de preferência, por favor). Desde que soube o que realmente queria, divide sua vida com acordes e sonetos, tintas roxas ou amarelas, e faz questão de não deixar nada de bom passar.

Muitos dizem por aí que ela está perdida, que não tem nada na cabeça, mas Marina prefere dizer que só leva uma vida diferente, com sonhos diferentes e um pouco distante do que os outros estão acostumados. Só isso, apenas quer seguir sozinha seus próprios passos...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

E eu que queria ser ela...

Bonita como ela só, não perde tempo com besteiras. Vai logo ensaiando o que falará às várias pessoas que aguardam suas palavras, sentadas confortavelmente nas poltronas de sua sala. Ela nem ao menos sabe se prestaram atenção ou não em seu discurso.

Mesmo observada por todos os lados, não fica envergonhada e conversa sobre tudo com todos. Sabe que são as conversas que guiarão suas inspirações e sua mensagem, não há como duvidar disso. Não demora muito para que dê as ordens para registrar a informalidade alheia, já que não pode individualizar as informações que acabara de receber. Este é seu trabalho.

Observando de longe não tenho como dizer se ela é bacana ou não, se gosta do que faz ou se acha todo este processo uma chatice. Também não sei dizer se ela sabe o quanto ouvir Cindy Lauper é divertido, se gosta de chocolate ou se sente cólica de vez em quando. Será que ela canta no chuveiro? Não sei, apenas tento imaginar o que passa em sua mente, mas só consigo refletir se pelo menos ela reconhece a importância de seu cinegrafista. Pelo visto não muito, infelizmente.

Por que estou pensando nisso? Estes detalhes eu poderia moldar do meu jeito, só precisaria estar ali conversando com aquelas pessoas, acertando o que falta. Queria apenas participar da construção do que vejo a uns dez metros de distância. Na verdade eu só queria ter a oportunidade de ser ela...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Bem ou não, que esteja sambalelê!

Dizem que Sambalelê realmente não tem lá muita sorte. Mesmo doente e com a cabeça quebrada todo mundo quer lhe dar uns tapinhas, só por diversão. Talvez isto explique porque eu odiava tanto esta canção infantil; pensava que se não a cantasse poderia deixar o coitado em paz para se recuperar, tranqüilo em sua casa. Lembrando com vergonha disso muitos anos depois e bem mais crescidinha (deixando a altura de lado), hoje vejo ‘sambalelê’ de uma maneira bem diferente...

“Já sei, lá vai ela escrever algo chato ou romântico sobre o tal de Sambalelê!”, podem dizer os que leram o primeiro parágrafo, mas não é bem assim. Nunca tive uma paixão arrebatadora pelo tal da cabeça quebrada e não gosto de romantismo, o Rafael sabe muito bem. Apenas comecei a escrever isto por ter uma relação amistosa com a palavra ‘sambalelê’, que considero muito interessante.

Não sei se a culpada desta minha opinião foi a Ruth Rocha, que tem uma coleção de clássicos que leva este nome, ou se é porque 'sambalelê' é uma mistura perfeita de duas outras palavras tipicamente brasileiras: samba, um dos ritmos mais característicos do país, e de lelê, um substantivo masculino bem mineiro que, apesar de significar confusão e barulho, deixa a palavra ainda mais charmosa.

Ah, chega de justificativas! Só tenho a dizer que apesar de significar ‘cantigas de roda’ (pelo dicionário), ela se encaixa em tantas situações cotidianas que criei minhas próprias definições para poder usá-la sem medo. Por isso, para mim, tudo pode estar bem sambalelê, de uma forma boa ou não, isso nem me importa.

Pelo menos posso usar a palavra que mais gosto quando bem entender, à moda sambalelê...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A história informal é tudo de bom...

Ainda faltava muito para as oito horas da manhã e já tinha que preencher um formulário que deixaram em minha mesa. Pouco tempo depois o ramal tocou e lá fui ao ambulatório com minha folhinha toda cheia de marcações, conversar com o médico da empresa. Já que não bebo, não fumo e minha saúde está ótima – obrigada! - pensei que minha consulta seria bem rápida e de rotina.

Poderia ser assim em qualquer outro lugar, mas não quando o médico que irá te examinar é o Dr. Macatti. Ao entrar na sala ele logo começou a perguntar: “O que você faz aqui menina?”. Respondi de imediato que pediram para que eu fosse até lá e ele incorporou um entrevistador:

- Você trabalha no marketing e é jornalista, né? Li aqui...

- Sim...

- Assistiu o Fantástico no domingo passado?

- Não pude assistir. Não estava em minha casa...

- Mas você viu a história dos médicos que não conseguiram se formar há muitos anos?

- Sim, acompanhei pelos jornais. Li sobre o assunto e sobre a história daquele estudante...

- Sabia que eu fiz parte desta turma?

Acho que fiquei com cara de tanta surpresa que não precisei pedir para que ele continuasse a história. Começou então a me contar que aquela época era muito difícil e que havia se mudado para o Rio de Janeiro para fazer faculdade de medicina. Lá conheceu muitas pessoas, inclusive o estudante Luiz Paulo Cruz Nunes, que foi morto aos 21 anos pela polícia em uma manifestação realizada pelos ‘futuros doutores’, contra a prisão de estudantes de medicina em um congresso.

Macatti não pôde chegar a tempo para a manifestação, disse-me que estava com gripe no dia. Antes de ir até lá resolveu passar em casa para tomar algo, obedecendo o conselho do amigo Nunes, que não queria vê-lo debilitado durante o ato. “Quando estava chegando na manifestação começaram a disparar contra todo mundo e impediram que eu chegasse até lá. Infelizmente o Nunes morreu...”, disse enquanto media a minha pressão.

Depois de ficar triste ao falar da morte do colega, enfatizou que era absurdo não poderem colar grau na época porque queriam fazer uma homenagem ao Nunes, que foi morto de maneira tão estúpida. Assim que pegou seu diploma seguiu à risca as palavras de seu professor: “Saiam daqui, vão para longe do Rio. Várias pessoas precisam de vocês fora daqui, saiam desta bagunça!”, e já emendou “Agora pode levantar da maca que você está mais que bem, mocinha!”.

Apenas levantei, sentei-me na cadeira para pegar o resultado do exame e continuei a ouvir. Foi a primeira vez que não quis perguntar nada, pois não era necessário. Seria muita injustiça e egoísmo de minha parte acabar com aquele relato em primeira pessoa, bem na minha frente.

Deixei o assunto por si só responder minhas dúvidas, não interferi em nada. “Fiquei muito emocionado por viver tudo aquilo. Nossa turma se reúne de cinco e cinco anos, mas quando surgiu a idéia de fazermos a formatura fiquei feliz. Entra depois no site da reportagem e tenta me achar no meio da turma”. Fiz o que ele pediu assim que cheguei em casa, acho que só o vi de costas. E eu pensava que era apenas outro exame de rotina.

domingo, 21 de setembro de 2008

Levanta, Manuela!

Tem dias que Manuela não quer sair da cama. Enrolada nos lençóis a vida parece ser bem mais fácil do que parece, pois se ficar quente é só tirar o edredom; e se ficar frio é só voltar a se cobrir. Deitada na cama, a escolha mais difícil que tem a fazer é se quer se levantar e ir ao banheiro, tomar um banho ou ir à cozinha comer algo. Pode voltar quando bem entender.

Enrolada nos lençóis, Manuela tem o poder de decisão de tudo: pensa nas coisas que deseja, escolhe quem pode estar ao seu lado e se não gosta do sonho é só acordar, mas pode voltar a dormir e sonhar de novo se quiser. Para dizer a verdade, por mais que aquele seja o lugar ideal, Manuela sabe que os lençóis só poderão oferecer conforto, nada além disso.

Será que é lá mesmo que ela quer ficar?

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O horário eleitoral merece um pouco de atenção...

Em um breve momento de descanso, logo após o almoço, ligo a televisão para assistir algum programa. Para minha surpresa relembro que estamos em período eleitoral e é época de campanha política na televisão. De cara demonstro minha total indignação com aquilo; afinal, em uma tarde de sábado o que desejava era, pelo menos, assistir a um telejornal ou então um programa que falasse sobre qualquer coisa, menos política (apesar de gostar do assunto).

Com imensa vontade de desligar o aparelho reflito e me controlo, mas não consigo resistir a tentação que acredito ser semelhante à de milhares de brasileiros. Contudo, antes de apertar a tecla desligar de meu controle remoto decido dar mais uma chance ao horário eleitoral. Quem sabe não acho algo interessante e consigo conhecer outros candidatos?

É justamente aí que começo a me surpreender com as falas de diversos almirantes a um cargo na câmara municipal. Em menos de 8 segundos têm que deixar sua mensagem aos telespectadores que, aliás, aguardam com ansiedade a hora em que seu programa predileto voltará a ser exibido no horário habitual. Neste exato momento começo a prestar atenção em nossos futuros representantes, assim como em suas propostas.

É visível que a maior parte prefere fazer trocadilhos, gritar como loucos ou ainda colocar aquelas músicas que nunca mais serão esquecidas por nosso subconsciente ao falar de seus projetos, isso caso sejam eleitos. Poucos são aqueles que demonstram em míseros segundos suas propostas e objetivos, que nem sabemos se são verídicos ou não. Isso para não falar que é quase inexistente um candidato que fale sobre os projetos que já desenvolveu durante seu mandato.

Terminado o tempo de exibição e após uma breve análise, me vêm à cabeça quantos daqueles estão prontos para administrar alguma coisa. De qualquer forma, ao meu ver, nunca é tarde para descobrir que em alguns minutos dedicados ao horário eleitoral não são tão ruins como parecem. Pelo menos dá para perceber quais números jamais serão apertados nas urnas...

(PS: texto é velho, mas é incrível como dá para usá-lo em todas as eleições! Se colocar uma lona em cima vira circo!)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Melissa chuta ao gol...

Melissa adora futebol, mas ninguém a deixa jogar. A turma da sua rua é só de meninos e ela só pode brincar quando é queimada. Por isso, fica assistindo e pensando em como seria bom se estivesse ali, jogando com todos eles. Após cinco minutos não se controla e pede para entrar na partida e os desafia, afinal quem poderia perder para ela?

Eles riem, não dão a mínima e ela continua a cutucá-los. “Será que não querem perder para uma menina?”. Melissa entra no jogo como café-com-leite e fica responsável em proteger o canto esquerdo do campo, somente do lado da grande área (que na rua é bem pequenina), é quase uma gandula. No início, só busca as bolas que são chutadas com força para fora do campo. Na realidade ninguém quer deixá-la jogar, justificam dizendo que não querem machucá-la.

Melissa não é de reclamar, porém começa a desanimar no meio do jogo. A bola parece algo inatingível, longe da sua realidade e o caminho mais provável naquela partida - na qual ela era uma jogadora praticamente imaginária – era sair e sentar na calçada, ou o banco, como queiram chamar. Quando estava a deixar a partida a bola rola em sua direção. Dribla um, desvia de outro e chuta sem direção. A bola vai para fora, mas ela recupera sua confiança.

Aos poucos, conquista cada um dos meninos e fica empolgada em participar de tudo aquilo. Seu lugar não é mais ali do ladinho, a chamam para ir mais ao meio da quadra improvisada. Gosta de sua nova posição.

O primeiro tempo termina e mudam de lado no campo. Após o início da partida a confusão interna é grande e a bola sobra para Melissa, que consegue se virar muito bem na situação. Ela chuta a gol, mas na direção errada. O time adversário comemora a atitude da menina, que de tão empolgada com os dribles se perdeu e fez gol contra.

Vermelha, ao perceber o que acaba de fazer, ela ri sem graça do feito e complementa: “tudo bem vai, não vale porque sou café-com-leite!”. Ninguém fica bravo, já que todo mundo erra no começo. Agora ela sempre é convidada a jogar e a segunda a ser escolhida, seja qual for a equipe.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A doce vida fictícia de Joaquina...

Joaquina é do tipo de pessoa que gosta de aparecer. Cabelo arrumado e cílios quase que postiços ganham força com a maquiagem desenhada e roupa da moda. Não importa seu tipo físico, o importante é estar de acordo com os padrões que idolatra. O visual, quase sempre impecável, combina perfeitamente com seu mundo, desenhado especialmente para sua existência.

Neste lugar que julga ser somente seu, Joaquina gosta de se impor e para isso não mede esforço. Bonita como ela só, sabe dançar, conversar e é divertida. Não tem vergonha de falar que seu gênio é forte sempre que quer arranjar um adjetivo que resuma seu estilo de vida. Aliás, quando o assunto é adjetivos e substantivos, Joaquina considera-se a mais correta e a mais indicada a dizer ou escrever algo (para não dizer a única); ninguém está tão apto a colaborar. Mesmo se plural é singular, não importa! Esse mundo é só dela e quem decide é ela...

Para impor sua vontade se esquece que em seu mundo há muitas outras pessoas que, assim como ela, também querem viver a sua maneira e têm sua forma de pensar. É difícil perceber que os outros podem, e devem, fazer parte do mesmo mundo que o seu.
À ela realmente não é fácil aceitar que existem decisões e pensamentos que fogem de seu controle, que não os pertence. Quem não concordar que aceite sua eterna birra...

domingo, 15 de junho de 2008

Simpatias que podem mudar a sua vida...

Os meses de junho e julho são os mais engraçados do ano, pois me fazem lembrar quando estava no começo da adolescência. As datas que antecediam 13 de junho, o dia de Santo Antônio - leia-se ‘o casamenteiro’, eram as mais agitadas e cheias de simpatias para achar um namorado (isto é bem forte em cidades do interior, em Valinhos não poderia ser diferente).

Muitas destas simpatias eram engraçadíssimas e outras um pouco criminosas, porque envolviam até o seqüestro do menino que ‘Toninho’ (para os mais íntimos) carrega nos braços. Não me esqueço de uma que era bem comentada e a alegria das meninas, na qual você escrevia os nomes dos candidatos em papéis e deixava-os em uma bacia de água ao relento. Um destes papéis deveria estar em branco e no outro dia era só conferir qual estava aberto, lá estaria o nome da ‘vítima’. Bem, agora imagina se não era o papel em branco que sempre estava aberto? Fique claro que mesmo com a ajuda do Santo, Murphy sempre pode interferir!

As mais desesperadas (afinal tínhamos 13 anos) utilizavam a força e literalmente seqüestravam o menino do colo do religioso, dizendo bem claramente que só devolveriam quando conseguissem um namorado. Mas não terminava por ai: o Santo, além de ter o menino seqüestrado, ia direto à geladeira para pensar melhor se ia ou não arranjar rapidamente um namorado para a menina. Nem a SuperNanny seria tão severa ao mandá-lo para o cantinho da disciplina...

Anos depois é engraçado relembrar destas coisas, principalmente as cenas de alguém conversando com uma imagem e ameaçando-a com o seqüestro. O mais inusitado disto tudo é que ao folhear as revistas femininas atuais você encontra simpatias disfarçadas de táticas e técnicas às adultas. Não importa sua idade, as simpatias sempre estão lá para te ajudar a achar um marido ou um emprego, basta você escolher a que quer fazer...

Se elas dão certo eu não sei, nunca me atrevi a tentar realizá-las...