sábado, 24 de janeiro de 2009

Vai uma bolacha aí?

Há uns 18 anos estava no sítio do antigo namorado da minha tia Renata e chegaram lá com um aparelho muito estranho e um disquinho pequeno, que mais parecia um espelhinho com várias cores engraçadas e um furo bem no meio. Ao saberem da novidade, umas pessoas que estavam no estúdio pararam a música, abriram a porta e foram falar sobre os novos objetos.

A novidade me foi apresentada como o futuro da música. Falavam que o disquinho estranho substituiria as grandes bolachas escuras que tocavam no aparelho de som da minha avó, que ficava na grande sala perto da rua. Diziam também que era muito mais duradouro, tinha um som limpo e nem era preciso limpar a agulha para escutá-lo, ela não seria necessária. Um deles chegou a dizer que era uma tendência e que as bolachas não teriam mais vez.

Nesta época eu passava bastante tempo na sala perto da rua, sempre acompanhada pelas músicas de um tal filme Philadelphia, pelo disco que tinha na capa uma criança triste e um U e 2 bem grandes e por um outro do Sérgio Reis, com a música Pinga ni min. Havia ainda o LP de uma mulher com uma voz inconfundível e pernas lindas, outro duplo com a música Águas de Março e um com um homem sem rosto na capa. Eram todos da minha tia, com exceção do disco do Sérgio Reis, e eu gostava de ficar naquela sala só ouvindo e dançando.

Muitos anos se passaram e, como me disseram, o CD realmente tomou conta de nossos lares, trazendo depois os diskmans, DVDs, pendrives e todos os MPs da vida. Mas hoje, entretanto, dei uma olhada na Livraria Cultura e eis que vejo mais ao fundo, na seção de música, uns velhos conhecidos. Surpresa, fui questionar o atendente se aqueles LPs eram algo comemorativo, mas a resposta não poderia ser mais familiar: “Que nada, vários artistas estão lançando seus álbuns em vinil, são considerados uma nova tendência...”.

Engraçado, acho que eu já tinha ouvido isto antes...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Será que eu vou ficar para a titia?

Não sei se você já passou por uma situação desta, mas nos últimos nove meses vários amigos(as) resolveram subir ao altar e disseram sim aos seus companheiros(as). Novos candidatos à mudança de estado civil também não param de surgir em uma velocidade recorde e tornou-se rotina encontrar com alguém que logo diz: Viu, sabe Fulano? Acredita que casou com não sei quem?. O duro é que a pergunta, na maioria das vezes, sempre vem acompanhada por: E até quando o seu namorado vai te enrolar, hein?.

No começo achei engraçado, até porque meu namorado e eu decidimos nos casar mais para frente e estamos felizes assim; não queremos dividir, pelo menos por enquanto, o mesmo guarda-roupa. Desta forma, ninguém enrola ninguém na história. Mas o que me causa um certo desconforto é que só fico imaginando o que muitos pensam na hora de me fazer esta pergunta. Com certeza a frase que fica estampada no pensamento é: Será que esta daí vai ficar para a titia?!.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Aquela canção...

Ao ouvir as primeiras notas você começa a lembrar-se do dia que tomou muita chuva, em uma tarde qualquer, e gostava de sentir o gelado das gotas escorrendo pelo rosto e por todo o corpo. Aquela água fria fazia com que você se sentisse vivo mesmo que, dias depois, muito resfriado.

Basta um novo acorde para que seu braço fique todo arrepiado. Sua barriga congela e você sente um leve calafrio na espinha. Até parece a sensação do seu primeiro beijo e não é o da época da escola, mas aquele quente, molhado, estranho e com gosto de descoberta, dado de surpresa por aquela pessoa que você nem esperava. É o mesmo arrepio que será buscado a cada novo beijo ganhado ou em novas bocas beijadas.

O ritmo passa a ditar o sentido aos movimentos e ao pensamento; é impossível não se deixar levar. Os olhos fecham e sua mente cria o cenário ideal para vivenciar aqueles versos cantados, que seguem cautelosamente o ritmo de cada instrumento e de cada batida. As endorfinas estão a todo vapor e o sorriso, mesmo que tímido, é inevitável e sincero.

Nos últimos arranjos você já começa a abrir os olhos, seus pensamentos podem novamente ser controlados e o frio na espinha vai embora. As endorfinas parecem diminuir sua atividade e o arrepio termina junto com a canção.

Existe alguma música que te faça sentir a mesma coisa?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Que ideia foi essa...

A atualização de algumas regras de ortografia da nossa querida língua portuguesa vão além das paroxítonas com ditongos abertos e tremas. O texto abaixo do jornalista Fernando Molica aborda esta "adequação", que não resume-se apenas à mudança de nossos hábitos ortográficos.

O AI-5 ortográfico
Por Fernando Molica, em 30 de dezembro de 2008.

Hoje, no Jornal Nacional, o Pasquale Cipro Neto ressaltou um aspecto fundamental nesta questão da reforma ortográfica: ela tem um custo. O custo de todos os livros que ficarão desatualizados, o custo dos corretores ortográficos dos programas dos computadores. E há mais custos, como o custo sentimental, a sensação de se reconhecer mais velho, desatualizado, fora do tempo. O mundo me chega pela língua. O idioma é também o instrumento com o qual tento, pelo menos, me fazer entender. E, daqui a poucas horas, este instrumento será mudado. O pouco que se sei será menos ainda.

Escrevo ao lado de uma estante que ocupa toda uma parede. Quantos livros haverá aqui? 800? Mil? Sei lá. Sei é que todos esses livros, assim como os que ficam nas outras estantes aqui de casa, estão condenados à morte, à velhice eterna, a uma espécie de arteriosclerose: continuarão existindo, mas serão levados menos a sério, estão todos condenados. Como os livros anteriores à reforma de 1972. Lembro que, alguns bons anos depois da anistia, trabalhei com um ex-exilado, um sujeito que estava fora do país quando houve a tal reforma. Pois, o texto do cara era cheio de acentos inexistentes, cheirava a mofo, a velhice. Uma velhice arbitrária, causada não pelo movimento da vida, pelo passar do tempo, mas por uma decisão autoritária, pouco democrática - estávamos no auge da ditadura militar.

Mais grave que o envelhecimento precoce dos livros aqui de casa é a morte anunciada do acervo das editoras. Milhares, milhares - milhões? - de exemplares estocados que, em pouco tempo, terão como único destino o lixo, a fogueira. Temo por uma espécie de hiato, uma zerada de estoque. Livros não-vendidos mas que continuavam em catálogo terão que ser descartados, vão parecer peças de museu com todos os seus muitos acentos, tremas e hífens. A grande maioria, a maioria absoluta, não será reeditada. Isso é gravíssimo. Futuros leitores não terão acesso a obras relativamente recentes. Livros lançados em 2008 ficarão caquéticos em pouquíssimo tempo.

Esta nova reforma é, até onde me lembro, fruto de uma conjuntura particular, de uma tentativa - por sinal, fracassada - de criação de uma tal Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, uma iniciativa do Zé Aparecido que encontrou no Antônio Houaiss sua tradução gramatical. E o Houaiss tratou de inventar uma novilíngua, a língua que ele achava que deveria ser a nossa língua. Não a portuguesa, não a 'brasileira' (chegam a falar assim em Portugal), mas a língua que ele achava que deveríamos escrever. Não uma língua que tivera sua evolução pautada pelos costumes, pela prática, mas uma língua de laboratório, biônica. Ninguém nunca escrevera do jeito que ele achou que deveríamos passar a escrever. Ele inventou uma língua e conseguiu emplacar essa besteira, pelo menos, entre nós.

Em maio passado, estive em Portugal. Pelo que vi, esta reforma não vai pegar por lá. Elas a tem como uma arbitrariedade, como coisa de brasileiros, uma tentativa de estupro de um idioma que eles, apesar da desigualdade numérica em relação ao número de falantes, continuam a chamar de seu. Duvido que eles aceitem esse negócio. Trouxas somos nós que aceitamos ser pioneiros nessa aventura.

OK, fala-se na necessidade de unificação, ressalta-se que o português é a única língua culta que não tem uma gramática única. E daí? As diferenças hoje são, na prática, menores. Lembro que livros portugueses eram 'traduzidos' no Brasil, eram adaptados ao nosso idioma. Se não me engano, Saramago acabou com isso, exigiu que as edições brasileiras respeitassem seu português. E o vento que ventou aqui ventou lá. Brasileiros publicados em Portugal passaram a exigir o mesmo. E a vida seguiu bem assim, sem traumas e com tremas.

A convivência com tantas ditaduras e com tantos pacotes econômicos nos fez mais dóceis e passivos. É absurdo que tantas mudanças sejam acompanhadas com tanta letargia. No mínimo isso demonstra - que surpresa? - um absoluto descaso pela língua, pela história de cada um de nós. Talvez ainda seja tempo de acabar com essa sandice, com esse ato institucional que nos toma algo precioso demais.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Essa aqui vai para o meu Orkut...

Se há algo nesta vida que me faça rir todos os dias este "algo" é o Orkut. Muitas vezes já pensei em deletá-lo ou esquecê-lo por um tempo, mas é praticamente impossível. Basta eu digitar meu login e senha para que eu lembre porque não consigo desligar deste bendito site de relacionamentos: adoro observar as pessoas tentando mostrar e/ou sustentar pelas fotos aquilo que na maioria das vezes elas não são, sempre plastificadas pelo photoshop.

Tudo bem, que atire a primeira pedra quem nunca tirou uma foto e disse: "Ai, essa aqui vai para o meu Orkut!". Até esta pessoinha de 1,57 que vos escreve já fez isto e não faz muito tempo. É ridículo você pensar em tirar uma foto só para colocá-la lá, com o único intuito de mostrar como você fica linda(o) naquela pose no banheiro, na piscina, vestido de Zorro no zoológico, mostrando o bumbum na mesa de bilhar ou como seu nariz diminui quando você tira foto fazendo biquinho.

Aliás, se há uma coisa que não falta no Orkut são as fotos com biquinhos. É gente fazendo biquinho na praia, outros tomando cerveja, em frente ao espelho, sentado em cima do cachorro, de biquini na praça, pulando de bung-jump, enfim não faltam lugares e opções de biquinhos para todos os tipos e idades.

Também não posso me esquecer das tiradas quase em plano fechado, ou do peito para cima, como preferir. Estas são tão boas quanto as já citadas e mostram uma diversidade de caras e bocas (biquinhos inclusos), penteados diversos, gente com o copo apoiado no peito tomando sei lá o que de canudinho (sem trocadilhos), outros numa pose mais minimalista e os que têm uma foto mais pensativa ou com cara de mafioso.

Tem ainda aquelas tiradas durante a micareta ou naquela balada chata pra cacete, que só está disponível no profile para fazer ciúmes ao ex-namorado ou para mostrar para chata da amiga da sua amiga que você se diverte muito por aí ao contrário do que ela pensa. Sim, conheço várias pessoas que fazem isso e você deve conhecer também.

Entretanto, as que mais despertam meu riso são as tiradas com o intuito de transformar a tal pessoa em uma modelo, quase um exemplo de beleza do Orkut. E é aí tudo é permitido, desde tirar uma foto em cima do fusca do seu tio numa pose muito contraditória até imitar uma destas propagandas bem produzidas que saem na Elle, Vogue ou Marie Claire ou até a capa da revista Nova, mesmo passando de idiota. Afinal, se estas pessoas realmente levassem jeito para serem modelos não estariam fazendo biquinho no Orkut, mas na própria página revista.

Enfim, se você quiser elaborar sua própria listinha de poses cretinas que um ser humano é capaz de fazer para colocar no Orkut, basta dar um refresh no seu navegador e aposto que pelo menos uma das nove fotinhas, que aparecem ao lado direito de sua tela, se encaixará em uma das situações descritas acima. Qualquer coisa é só entrar no álbum de seus amigos ou conhecidos (inclusive no meu), pois em no máximo três tentativas você achará seus próprios exemplos.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Um sonho de Cinema Paradiso...

A paixão de Alan pelo cinema começou bem cedo. Aos 7 anos, ao entrar na sala escura, seus olhos encheram de lágrimas e mal podia acreditar na imagem que via naquela tela enorme; achava que os cavalos do filme estavam bem atrás dela. Havia ficado encantado com a possibilidade de ver inúmeras histórias, bem à sua frente.

E como uma boa criança de 7 a 10 anos, Alan colocou na cabeça que deveria ter um cinema só dele. Descobriu na cidade na qual morava um homem que tinha um projetor e, por acaso, era pai de um amigo seu. Durante um bom tempo tentou negociar com o tal homem a venda do equipamento e, após várias tentativas, o pai de seu amigo enfim vendeu a aparelhagem para o jovem garoto, pois não aguentava mais tanta insistência.

Mas ele ainda não estava contente. Já mais crescidinho comprou uma nova casa e conseguiu toda a aparelhagem que precisava trabalhando como jornalista e cantor. Começou então a deixar o portão de sua casa aberto para que todos pudessem entrar e assistir suas relíquias. Tinha montado seu próprio cinema.

Amante das velhas películas, Alan sempre aceitava doações de filmes antigos e também fazia trocas com outros cinéfilos. Nesta época já tinha mais de 300 obras e orgulhava-se de ter viajado para vários lugares do Brasil só para buscar um novo filme, porém não foi preciso ir muito longe para buscar o último: um rolo de película de nitrato de prata de Marcelino, pão e vinho, a história que mais gostava. Para ter o que tanto queria havia apenas uma condição: não assistir ao filme e guardá-lo como lembrança, já que o material era bem antigo e altamente inflamável.

Era uma noite de quinta-feira e Alan ouviu atentamente as recomendações do doador, mas não suportou deixar o filme guardado. Assistiu sozinho o primeiro rolo e, ao colocar o segundo, nem imaginava o que iria acontecer. Sentado em seu próprio cinema ouviu uma explosão na cabine de exibição e em pouco tempo o fogo destruiu o que ele levou anos para construir. A cena era quase uma refilmagem de Cine Paradiso.

Após o triste incêndio, Alan começou a reconstruir tudo. Enquanto isso levava os poucos projetores e seus filmes que restaram em uma caravan e os exibia em qualquer lugar, bastava convidá-lo. Sem a ajuda de ninguém, começou a levar cultura a pessoas que nunca tinham tido a oportunidade de ir a um cinema e criou o projeto Cinema Itinerante, que mantém até hoje (mesmo após ter reconstruído a sala de cinema em sua casa).

Quem quiser conferir esta história pode ir até Itatiba, interior de São Paulo, e perguntar ao próprio Alan Duarte se tudo isto que escrevi é real ou não. Para encontrá-lo basta ir ao seu novo espaço, batizado de Cineclube José Cesarini. Lá você encontrará um cinema à moda antiga, com gongo anunciando o início da sessão e uma grande cortina, que é aberta para que o filme seja exibido. Com certeza vai se surpreender tanto ou ainda mais que eu...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

De volta ao túnel do tempo...

Podem até falar que é mal da época, mas isto não é verdade. Sou do tipo que se emociona fácil e fica chorona do nada, só de lembrar do avô ou recordar algumas épocas tão boas. Talvez seja por isso que constantemente falo sobre minha infância aqui e de coisas que realmente marcaram este período. Na maioria das vezes lembro por conta própria, já em outros momentos vivo situações que me fazem recordar daquela época de alguma forma.

Hoje, por exemplo, foi um dia que fui levada ao passado. À tarde tentava achar algo para assitir, acompanha pela chuva de Natal, e na Band estava passando "Punky, a levada da breca". Acho que há tempos não desligava da vida e prestava tanta atenção em algo. Me senti com, sei lá, uns 8 ou 10 anos de idade na casa da minha avó Mercedes, numa típica manhã de sábado. Era exatamente este programa que assistia enquanto esperava minha mãe voltar do mercado, sentadinha e quietinha no sofá da minha avó, ao lado do meu avô que infelizmente já faleceu.

Posso dizer que hoje assisti o episódio inteirinho sem pensar em nada. Só voltei à realidade quando tocou a musiquinha de encerramento e fiquei com aquela coisa ruim na garganta, vontade de deixar as lágrimas correrem sem medo pelo rosto. Senti falta de quem já foi e de quem eu era também, sem preocupoações e encanações bobas.

Agora deixo as lágrimas à vontade, é muito bom recordar...


Como não encontrei a vinheta de encerramento da Punky, postei aqui a de abertura mesmo. Quem quiser matar a saudade...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Você já tocou uma guitarra imaginária?

Aposto que alguma vez na vida você deve ter simulado que tocava uma guitarra inexistente. Calma, não precisa ficar com vergonha! Ao contrário do que você possa imaginar muitas pessoas fazem a mesma coisa e algumas até participam de campeonatos realizados em outros países. Sim, existem competições de "tocadores de guitarra imaginária" (este não é o melhor termo, mas vou utilizá-lo mesmo assim).

Com o objetivo de entender melhor o que era isso, conversei com algumas pessoas que entendem do assunto. As respostas que obtive estão na minha matéria Acordes imaginários, que disponibilizo aqui. O tema me surpreendeu muito, principalmente após a entrevista com Fausto Carraro, o cara que mais entende de air guitar no Brasil. Além de muito simpático e paciente, praticamente me ensinou a entender o que é tocar uma guitarra imaginária e como funcionam os campeonatos.

Para saber mais sobre air guitar leia a matéria abaixo. Ela já foi escrita há bastante tempo, mas quem sabe você se anima e até participa da competição brasileira, marcada para acontecer em junho de 2009?

Acordes imaginários
Da brincadeira aos campeonatos: porque tocar uma guitarra imaginária pode ser tão divertido

Por Gabriela Angeli

A cena pode parecer comum a muitas pessoas: ao escutar aquela música que tanto gosta logo começa a se empolgar, surge uma vontade enorme de ter uma guitarra em mãos e com a imaginação em punhos começa a tocar os acordes em seu instrumento inexistente, acompanhando freneticamente a música. Pronto, o show particular está feito e você se sente uma verdadeira estrela do rock, sabendo ou não tocar de verdade.

Essa prática, de representar que toca uma guitarra imaginária com muita empolgação, é conhecida mundialmente como air guitar e reúne vários adeptos em todos os cantos do planeta. “Quem já não fingiu tocar guitarra imaginária? Acho que todo mundo um dia já fez gestos como se estivesse tocando. Se não fez deveria tentar, porque é divertido”, comenta o publicitário e músico de Jundiaí, Júlio César Rizzoti.

O farmacêutico Erich Amaral, de Ribeirão Preto, também encara a guitarra imaginária como uma forma de expressão. “Me sinto livre, pois é como se eu mesmo estivesse cantando, tocando, ensaiando e atuando. Expresso minha liberdade e sinto a música ao extremo”, comenta. Para a estudante de Araraquara, Laura Goulart, as pessoas fazem isso porque gostam de participar da música. “Gosto de simular isso porque muitas vezes cantar junto não é o bastante”, brinca. Contudo, há também os que não vêm graça na prática. “Não gosto da idéia de tocar algo que não existe”, comenta o músico Felipe Fávero, de Valinhos.

Do imaginário aos palcos

Apesar de ser visto como um divertimento, o simples ato de tocar um instrumento imaginário também é levado a sério por pessoas que realizam apresentações em público, principalmente em campeonatos organizados em diversos países.

O engenheiro goiano Fausto Carraro, de Goiânia, é apaixonado pela prática e diz tocar guitarra imaginária desde que descobriu o rock’n roll, por volta de 1992. Para ele, o air guitar é considerado diversão no estado mais bruto em que se possa imaginar. “É uma forma de expressar ficticiamente algo real”, comenta.

No Brasil Carraro é visto como autoridade máxima no assunto, já que foi o primeiro sul-americano a competir em um mundial do gênero, no Air Guitar World Championships, evento realizado desde 1996 na cidade de Oulu (Finlândia). “As pessoas que participam de campeonatos são profissionais liberais na faixa dos 25 e 40 anos, gente com uma vida bem regulada e que usam o palco para extravasar sua paixão pelo rock’n roll”, relata o engenheiro.

Durante estes eventos mundiais, conforme o goiano, os inscritos têm até um campo especial de treinamento no qual têm à disposição aulas de coreografia, de improvisação e workshop com o campeão mundial da última edição. “Garanto que é um dos lugares mais maravilhosos que já estive. Você pode saber até sobre as raízes históricas do air guitar com um professor da Universidade de Oulu, que pesquisa sobre o assunto. Além disso, é uma boa oportunidade para conhecer gente nova e fazer amigos de vários países”, declara Carraro.

Campeão canadense e terceiro colocado no campeonato mundial de guitarra imaginária de 2008, Cole "Johnny Utah" Manson é outro exemplo de amante do gênero. Não encara a prática como uma brincadeira, mas acha muito divertido tocar em campeonatos. “A sensação de se apresentar em frente de várias pessoas é bem legal porque você não precisa saber tocar uma guitarra de verdade, basta seguir seus sentimentos”, comenta. Aliás, Manson já se apresentou no Brasil após receber um convite do próprio amigo Carraro e ficou mais de 40 dias em Goiânia, período no qual gravaram diversas performances que podem ser vistas pelo site de vídeos Youtube.

Mas não são todos os praticantes de air guitar que gostam de se apresentar em público. O publicitário e músico Júlio Rizzotti, por exemplo, acha estranho haver competições do tipo. “Se você parar para pensar isto é bem inusitado, da mesma forma que pode ser considerado diferente tocar uma guitarra imaginária. Bem, esta parte ninguém precisa saber”, brinca. O farmacêutico Erich Amaral também aproveita para opinar, já que não sabia da existência de tais campeonatos. ”É uma idéia interessante para mostrar que a guitarra imaginária não é algo raro e já faz parte da vida de muita gente. Mesmo assim eu não participaria”, comenta.

Como funcionam os campeonatos

Para saber um pouco mais sobre as competições de air guitar, Fausto Carraro explicou passo a passo como são escolhidos os participantes e a dinâmica de avaliação. Inicialmente são realizadas pré-seleções em alguns países considerados membros e que possuem eventos regionais. Os escolhidos ganham uma passagem para o mundial na Finlândia, além de ir direto à final do campeonato, sem precisar passar por uma qualificação. Já os participantes dos países que não são considerados membros podem participar de um round de qualificação que é feito na noite anterior a final, no país sede.

Finalizada esta etapa, todos os que passaram pela peneira se apresentam ao público e são oficialmente avaliados nas categorias de originalidade, habilidade de incorporar a música, carisma de palco, impressão artística, técnica e airness. Este último quesito pode ser considerado o nirvana do air guitar, pois é quando o participante consegue transcender a mera imitação de um guitarrista de verdade e passa a ter um estilo próprio de tocar o instrumento imaginário.

Os juízes têm apenas um minuto para escolher seus favoritos, atribuindo notas que variam de 4 a 6 pontos, sendo que o air guitarrista passa por duas fases. Na primeira apresenta a música que escolheu e depois uma música indicada pelos organizadores, depois é só conhecer o novo campeão de guitarra imaginária. “No mundial o prêmio para o primeiro lugar foi uma guitarra de verdade e linda, em acrílico, como se fosse invisível. Ainda houve um air guitarrista escolhido por votação do público, que levou uma guitarra desenhada, produzida e oferecida pelo guitarrista Brian May, do Queen. Mas os prêmios são o que menos importam, o melhor de tudo é a diversão”, diz Carraro.

No Brasil acontecem diversos eventos isolados de air guitar, mas a expectativa é que o país tenha seu próprio campeonato no primeiro semestre do próximo ano. “O primeiro campeonato brasileiro de air guitar acontecerá em junho de 2009. Já tenho o contrato de licença e estamos à procura de parceiros”, finaliza.

Será que alguém se atreveria a tocar Through the Fire and Flames, do Dragonforce? Bom, eu já prefiro algo mais à la Welcome to the jungle, mas não custa nada tentar e usar a imaginação. É esperar para ver.

Quer saber mais sobre os campeonatos?
Air Guitar World Championships
Air Guitar Brazil

Fontes: Erich Amaral, Fausto Carraro, Felipe Fávero, Laura Goulart, Cole "Johnny Utah" Manson e Júlio Cézar Rizzotti.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

24 primaveras e uma vida toda pela frente...

Adoro fazer aniversário, mas a véspera sempre é estranha. Dá aquela sensação de que você deixou para trás sentimentos e amizades e, ao mesmo tempo, ganhou novos amigos, passou a encarar a vida de outra forma e vê tudo com mais maturidade que no passado.

Entretanto, também dá aquela sensação de insegurança boba por ficar cada dia mais velhinha, ainda mais quando se é uma mulher. No fundo você nem quer dar bola para aquilo, mas é inevitável já não começar a pensar em se cuidar mais porque as rugas são implacáveis e não vão tardar para aparecer. Você até passa a querer aproveitar a cor natural do seu cabelo porque os fios brancos já começaram a dar sinal de vida. Além disso, começa a contagem regressiva para ficar cada vez mais difícil de eliminar os quilinhos extras.

Credo, eu escrevi isso aí em cima mesmo? Acho que estou pensando igual a uma mulher de uns, sei lá, 25 anos?!? Quanta besteira! Nem completei ¼ de século ainda e não posso perder meu tempo pensando que daqui a pouquinho meu metabolismo começará a desacelerar e que as propagandas de cosméticos antiidade começarão a ser destinadas para as pessoas da minha faixa etária. Realmente não vale a pena se preocupar tanto em completar mais um ano de vida, e se for para ser assim quero mais que os potes de cremes se explodam e que o resto se inclua nisso.

Envelhecer não significa apenas ficar mais velha fisicamente, mas se sentir viva. Com os meus “quase” 24 anos a única coisa que devo levar em consideração é o desejo de correr atrás do que quero, sem nunca me esquecer do carinho que recebo de meus pais, amigos, namorado e até dos meus cachorros. Aliás, quero manter esta mentalidade aos 33, 40, 57,78 anos e em qualquer idade, pois nunca é tarde para amadurecer e se tornar uma pessoa melhor...

Quero ter ainda várias primaveras pela frente, até porque, como eu já disse, amo fazer aniversário. É aquela data só sua, na qual você recebe ligações de um monte de gente querida, sua mãe começa a falar como foi o dia que você nasceu, a tia aperta a sua bochecha, o pai fica emocionado, os avós querem fazer um churrasco para comemorar, o namorado quer ser o primeiro a desejar felicidades e os amigos, que lindos, fazem questão de mandar qualquer sinal de comunicação só para dizer “Feliz aniversário”. Quer coisa melhor do que ser paparicada o tempo todo?

Agora que o sentimento estranho de véspera já passou será que posso começar a comemorar meu aniversário? Espero que 19 de dezembro demore para passar...

PS: Para comemorar mais um ano de vida, nada melhor que Cindy Lauper ao vivo. Aposto que a data desta filmagem não fica muito distante do ano de meu nascimento...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Me deixa ser a primeira, por favor?????

Era uma vez uma criança bem birrenta que queria ser a primeira em tudo. Bastava estar entre as irmãs para tentar ser a primeira a falar algo, a primeira a dar uma idéia e a primeira a escolher a brincadeira. Para esta criança tudo o que importava era estar na frente, principalmente se batesse ou conseguisse se antecipar a irmã do meio e a mais velha. Enfim, queria ser a primeira a qualquer custo.

O problema é que ela raramente conseguia estar no primeiro lugar. Nos jogos sempre era a terceira, às vezes até a segunda, mas quase sempre estava na terceira posição. Na realidade fazia de tudo para assumir o posto da primogênita: saia por aí falando mal da irmã mais velha e da segunda irmã, vivia afirmando que era melhor que elas, chorava, fazia drama, comédia, apelava em diversas situações e até mentia que estava próxima de chegar onde desejava.

Ainda hoje, apesar de crescer um pouco mais a cada dia, não consegue enxergar o próprio umbigo e continua a fazer drama e sensacionalismo para chamar a atenção. Continua com o desejo de ser a primeira. Raramente até consegue, mas precisa amadurecer muito para ocupar o lugar que tanto almeja.

Estes três parágrafos acima podem descrever uma criança chatinha e mimada. Entretanto, toda a inspiração para escrever este pequeno texto veio de um lugar bem diferente: o discurso que a TV Record tenta vender por aí faz tempo.

Não sei se sou a única a pensar isto, mas toda a vez que eu leio, vejo e/ou ouço algo sobre a emissora lá vem em seguida a bendita frase "a primeira nisso" e "a primeira naquilo". Confesso que essa martelação de querer ser a primeira a qualquer custo já está enchendo um saco que não tenho, parece até a criança descrita logo no início deste texto.

Ao invés de ficar com esse discurso furado de que é a primeira primeira primeira, que comece realmente a ser a primeira a criar programas com conteúdos bons e que pare de querer parecer a "irmã mais velha" melhorada ou piorada.

Sinceramente, diante deste discurso cansativo adotado pela emissora a minha vontade é dizer: "pare de chorar e de fazer sensacionalismo. Vê se cresce logo, criança chata!"