terça-feira, 13 de julho de 2010

Aprende-se a ser herói porque há vilões para derrotar...

Não muito distante das terras dos contos de fadas, príncipes brigavam entre si para conquistar o que não lhes pertenciam, enquanto reis apenas preocupavam-se em enriquecer-se e mostrar falsas ações a outros reinos não tão diferentes.

Nesta terra de valores invertidos, na qual garotas boas morriam ofuscadas nas mãos de rainhas e princesas com olhos maliciosos, não havia magia em parte alguma, apenas poucos cavalheiros que aprenderam a ser heróis para ajudar os outros a viver em meio a tanta ganância e briga pelo impossível.

Com suas pobres mentes envenenadas, porém, os nobres não tinham inteligência suficiente para enxergar que tais cavalheiros enfrentavam e resolviam, a todo momento, os problemas que prejudicavam sua fortuna e que os mantinham naquela posição. Os heróis eram mais vistos como partes descartáveis de um reino de sucesso, pois reis, rainhas, príncipes e princesas acreditavam que só dependiam de si mesmos para prosperar; doce engano.

Desacreditados com a constante falta de consideração, os heróis cansaram-se de seu papel salvador, fugiram das histórias encantadas e deixaram os nobres à deriva de seus algozes e vilões, os quais nem imaginavam existir. Não sabendo o que fazer para derrotá-los, viram seus castelos serem vandalizados e o que ostentavam sumir, como se nunca houvesse existido. Os vilões conquistaram, enfim, o poder daqueles que se julgavam autossufientes para manterem-se intocáveis eternamente.

Nesta terra não tão distante de nossa realidade, os que se diziam nobres choraram por ignorar que as piores lutas eram resolvidas nas escalas mais baixas, nas quais estavam os heróis para protegê-los de vilões que almejavam se tornar reis e rainhas. Infelizmente, aprenderam muito tarde o quão perigoso era sonhar tão alto às custas de seus heróis não valorizados.

domingo, 11 de abril de 2010

Carolina sabe tudo...

Carolina sabe que não faz do tipo antipático à primeira vista. Curiosa e intrometida, palpita sobre tudo e quase nunca aproveita o que os outros têm a dizer. Para ela, o que importa é manter seu ponto de vista sob controle, sua mais falsa ilusão. O importante, afinal, é que todos a reconheçam como uma excelente sabe tudo.

Carolina sabe que não faz o tipo tímido. Atenciosa e falante, entende que é fundamental  ter opiniões enfatizadas em uma conversa para impor sua vontade acima de tudo. Pensa que se não for consultada perderá sua credibilidade, o que seria péssimo para quem se ilude em se achar entendida em qualquer coisa.

Carolina também sabe que não há como manter as aparências por muito tempo. Ancorada no conhecimento alheio, encontra a maior parte das respostas aos questionamentos que lhe são feitos fora de seus pensamentos. Desprovida de capacidade para reconhecer isso, pensa que conseguirá se sustentar nesse hábito o tempo que julgar conveniente, mas seu prazo se esgota a cada dia.

Apesar de pensar que sabe de tudo, o que Carolina não entende é que testa a paciência de quem vive ao seu redor. É tão superficial que se esquece que conhecimento não é algo palpável e que não é possível tê-lo completamente. Não compreende que para saber pelo menos um pouco de tudo é preciso aprender a reconhecer que, na realidade, ela não sabe de absolutamente nada.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Às vezes eu queria ser a Beyoncé...

Você deve estar se perguntando: por qual motivo este ser humano que vos escreve, com um quarto de século na cara recém-completado, elaboraria um comentário curto e idiota com o título Às vezes eu queria ser a Beyoncé?

Não, não estou ficando louca. Também não gostaria de estar casada com o Jay-Z ou de ter que ficar horas ensaiando coreografias premiadas nos VMAs da vida. Até que seria legal ser uma mulher tão linda e talentosa quanto ela, mas não a escolhi por um motivo especial.

Na realidade é que existem alguns dias nos quais você deseja ser qualquer pessoa, desde que não seja você. E se hoje me sinto assim, então por que não desejar ser a Beyoncé?

domingo, 22 de novembro de 2009

Completamente arrasadores...


Domingo, 22 de novembro. 18h42. Estou de volta em casa após um fim de semana que planejei há tanto tempo. Mesmo após um dia do show do The Killers, banda que conheci, de fato, há um ano, os refrões, letras e acordes não param de tocar em minha mente. Realmente são matadores, sem trocadilhos.

Tudo foi perfeito e essa confirmação fica mais forte a cada momento. Queria ter aproveitado ainda mais que aproveitei, mas seria impossível. Meu amigo Anderson pode confirmar isso. Me diverti sem medo de ser reprimida ou vergonha de pular como uma louca, afinal era uma no meio de tantos...

A matéria escrita pela Mariana Tramontina, da Uol, reflete bem o que senti desde o momento que pisei na Chácara do Jockey, no início de uma noite chuvosa em São Paulo, até o último refrão de uma canção que muitos tocam no jogo Guitar Hero e nem sabem o quão é linda e emocionante ao vivo.

As músicas que se tornaram inesquecíveis e marcarão este dia tão especial para mim, caso queiram conhecer:

Human
This Is Your Life
Somebody Told Me
For Reasons Unknown
Bones
The World We Live In
Joy Ride
Bling (Confession of a King)
Smile Like You Mean It
Spaceman
A Dustland Fairytale
Read My Mind
Mr. Brightside
All These Things That I've Done
Jenny Was A Friend Of Mine
When You Were Young

Só faltou mesmo I can't stay, mas não faltarão oportunidades para ouvi-la. Quero vê-los sempre que possível. Quero meu sábado de volta!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Que frescura é essa, menino?

Definida pelo Michaelis como uma qualidade, o termo frescura tem caído como uma luva em diversas situações vivenciadas pelo bicho estranho que é o ser humano. Apesar de ser um substantivo feminino e comumente associado às meninas que gritam por qualquer coisa, reforço aqui que esta palavrinha nunca pôde ser tão utilizada para caracterizar os novos trejeitos masculinos.

Já aviso que este texto não se trata da mania idiota de dizer que frescura está relacionada à sexualidade. Falo, na realidade, sobre a atitude que tem tomado conta da personalidade destes muitos mamíferos bípedes do sexo masculino, dotados de inteligência e linguagem articulada, que ultimamente estão me irritando com tantas ações que poderiam ser definidas como coisas típicas de mulherzinha.

Sim, os homens estão agindo, muitas vezes, com uma fresquidão fora dos limites aceitáveis até para a mais chata das criaturas. Atitudes infantis com discursos imaturos e fúteis, acompanhados sempre de não-me-rele-nem-me-toque desenfreado e comentários desnecessários, iguais aos diálogos idiotas das comédias adolescentes. Juro que minha vontade, às vezes, é de dar um tapa na mesa (bem forte) e gritar bem alto: “Pare de agir feito uma menina 'fresquinha' de cinco aninhos” (no diminutivo tem mais efeito).

Entretanto, enquanto ainda consigo manter a paciência, gostaria de saber como as outras pessoas reagem com esses homens de atitudes tão irritantes. Quem souber, por favor, me dê algumas dicas antes que eu enforque um!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O primeiro Gradiente realmente não se esquece...

Olha eu aí, com três anos, em plena forma, fazendo pose para foto e com a mão na cintura. Nesta época já gostava de ter franja, infelizmente usava conjuntinho combinandinho e sandália estilo gladiadora, destas que vendem a rodo na Arezzo ou na Empório Naka e que hoje tenho horror.

É legal recordar que a única preocupação que tinha, na época desta foto, era se  poderia levar meu pastor Lobo (Popou para os íntimos) para passear ou se teria que dormir à tarde obrigada pela minha mãe, que insistia que o sono da tarde era tão importante quanto o da noite, para que eu fosse uma criança feliz. Entretanto, tente explicar para uma pessoa de três anos que o sono é mais legal que enterrar o Lango-lango no quintal da sua avó? Enfim...

E como toda criança das décadas de oitenta e noventa também tinha meus sonhos impossíveis, que, neste caso, era um gravador todo colorido, com microfone e que dava para levar para qualquer lugar. Nem sabia que se chamava Meu primeiro Gradiente, mas queria muito tê-lo e, mesmo assim, não contava essa minha vontade para ninguém (característica que sempre foi muito forte em mim).

Passei noites e noites sonhando com a possibilidade de ter meu próprio microfone e poder cantar à vontade aquelas músicas que faziam parte do repertório da fita K7 que vinha junto, nem uma Barbie era tão desejada por mim. Aliás, queria ter aquele microfone para brincar de perguntar, da mesma forma que umas moças faziam na televisão. Para suprir essa necessidade, pegava uma colher na cozinha da minha avó, ia ao quintal e ficava conversando com meu pastor capa preta por várias horas; digamos que o Popou sempre foi um bom entrevistado e ouvinte, um companheiro que me faz falta até hoje.

Algum tempo passou, a brincadeira tornou-se a minha predileta e meus avós perceberam que a colher precisava ser substituída por outra coisa. Resolveram dar, enfim,  Meu primeiro Gradiente num dia das crianças chuvoso e frio, simplesmente igualzinho a este 12 de outubro. E este dia foi tão feliz que o guardo até hoje, bem pertinho de mim, para não me esquecer por nada como era bom ser criança!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O início, o meio, o fim e o recomeço...

Só de ouvir o som da palavra início o coração já começa a bater mais acelerado, as pernas tremem e os braços parecem não responder aos estímulos que enviamos ao cérebro; a sensação é de um perfeito idiota tentando controlar um simples movimento, mesmo que seja um sorriso tímido. Diante da situação, o único jeito de saber se será bom ou ruim é seguindo em frente.

Passa um tempo e tudo parece se encaixar, o corpo volta a responder àqueles estímulos e surge a confiança para aproveitar o que a situação tem a oferecer, em seus altos e baixos. Quando isto ocorre quer dizer que se chegou ao meio, aquele ponto no qual nem tudo se realizou ou se mostrou em sua totalidade ou com toda a intensidade. É a fase da descoberta, dos pés firmes no chão.

Este momento, situado aproximadamente à mesma distância do começo e do final, é que esconde a questão mais perigosa: decidir adotar permanentemente o estável ou voltar à etapa do primeiro parágrafo. Caso a segunda opção seja a desejada, inicia-se então a caminhada ao ponto extremo.

O fim gera desconforto e é resultado do esgotamento e do encerramento daquilo que não serve mais para alguém. Mesmo que não haja mais motivos para prosseguir, mesmo que o ideal pareça ser o meio, o fim é inevitável e insensível. É a resposta real ao que parece ser incorreto e injusto, o melhor para um e o pior ao outro.

Doloroso e difícil de aceitar, o fim é caminho mais triste ao renascimento. O único que consegue ensinar o quão importante é a emoção do recomeço.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Será que falta tempo mesmo?

Um amigo disse-me há alguns dias que não para para olhar o céu porque não tem tempo para isso. Juro que fiquei espantada com a afirmação e pensei rapidamente: que pessoa neste mundo não tem um minuto sequer para olhar para cima e contemplar uma coisa tão bonita?

Assim que o questionamento estampou meu pensamento logo veio a resposta, fria e direta: antes de qualquer coisa há quanto tempo eu, euzinha, não consigo parar um minuto do meu dia para ver, sei lá, o tempo lá fora pela enorme janela bem à minha frente, das 8 às 18 horas, de segunda a sexta-feira?

Podemos até dizer que a correria e as necessidades momentâneas, principalmente a eterna urgência disfarçada de falta de planejamento (sua e dos outros), são as grandes culpadas pela falta de tempo, mas a verdade é que esta culpa é somente nossa e de mais nada.

Se parássemos um minuto de nosso dia e olhássemos a beleza do céu, ou seja lá o que for que lhe deixa feliz, o dia seria mais leve, ganharia um ritmo diferente e a reclamação poderia se tornar um comentário bom.

Poderíamos até ter uma visão bem mais realista de que, na realidade, estas correrias e trabalhos são momentâneos, mas que estes pequenos momentos de contemplação, de um minuto que seja, são eternos e ficarão gravados em nossa mente, como o dia em que o céu estava tão lindo que mereceu ser admirado e registrado na memória. Ou você prefere se lembrar do dia em que teve que engolir uma resposta atravessada por toda a sua vida?

Eu, sinceramente, ainda prefiro o céu...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Dentro de um copo d’água...

Imagine se pudéssemos ver o futuro no fundo de um copo d'água, desses que temos na cozinha de casa. Sinceramente não sei nem de qual forma isso seria possível e se gostaria de enxergá-lo.

Mas se eu pudesse ver o futuro, bem lá no fundo do copo, gostaria de ver sorrisos, abraços e gargalhadas, que quase sempre são mais engraçadas que o motivo que as geram. Queria ver chuva, mar, calor, estrelas e palavras que fizessem algum sentido, sempre que eu as precisasse ler ou ouvir. Queria ver pessoas queridas e amadas por todos os cantos, não essas que nos chateiam diariamente e que torcem com empolgação pela infelicidade alheia. Queria ver acordes, rimas e cores, de todos os jeitos.

Entretanto, se eu pudesse ver o futuro no fundo de um copo d'água seria obrigada a encarar medos desnecessários, sofreria por antecedência justamente por não poder evitar o inevitável. Teria que ver todas as decisões que teria que tomar e escolhas feitas, me limitando a seguir um caminho fixo, repleto de atitudes já definidas e com medo de que as coisas pudessem ser diferentes de tudo o que eu já sabia.

Se eu pudesse ver o futuro, no fundo de um copo d'água, certamente não viveria e apenas presenciaria a vida passar. Melhor deixar o copo para lá...

domingo, 5 de julho de 2009

Olhos de menino...

Ele não sabia como seria seu dia. Apenas entrou no carro sem perguntar nada, pois não queria mais ver o desespero daquela menina pela qual poderia dar sua vida. Durante horas se deixou levar para um local que imaginava ser obscuro, mas não tinha medo. Estava lá para ajudá-la a se localizar e a ficar mais calma; gostava do papel que tinha na vida da menina.
Há mais de 20 anos ele não passava por aquelas ruas tão distantes. Percorreu quilômetros até chegar lá e, pela janela do carro, só conseguia ver carros e mais carros, além de ouvir aquelas buzinas infernais e que tornavam o percurso um pouco irritante. Chegando ao local desejado, a menina correu para seu compromisso indesejado e ele resolveu desvendar sua curiosidade, queria clarear o que julgava obscuro.
Horas se passaram e os olhos de menino tomaram a alma deste homem; só acompanhavam as avenidas movimentadas. O azul daqueles olhos, acostumados ao verde das árvores e ao vermelho do barro, se renderam ao cinza das ruas. Sequer conseguiam alcançar a altura das grandes constuções humanas, tão brancas e cheias de vidros. Era o progesso que fazia sombra em seus cabelos grisalhos.
Impressionado com a beleza gelada daquele lugar, andou por horas enquanto esperava a menina voltar. O que julgava ser conhecido era totalmente novo ao seu pensamento. Até pensou em deixar o verde e vermelho durante um tempo para viver no branco gelado e perto do cinza. Conseguiria se habituar às novas cores.
Depois de um longo tempo a menina voltou e encontrou puro encantamento nos olhos de menino; ficou feliz. Tudo o que ela conseguia ver naquele momento era o azul se rendendo às cores frias da metrópole e também era responsável por aquilo. A falsa obscuridade daquele lugar havia se tranformado em brilho naqueles belos olhos azuis, uma luminosidade que havia visto poucas vezes.
Apesar de gostar do verde e vermelho, o menino de cabelos grisalhos mal esperava para poder ver novamente o cinza e o branco daquela cidade em movimento. Conseguiu ver vida nas cores frias. Aqueles olhos de menino iluminaram o dia, as ruas e a vida da menina.