quinta-feira, 26 de maio de 2011

A má educação é irmã da arrogância...

Nada justifica uma pessoa ser mal-educada ou insolente. Aliás, sou do tipo que não tem mais paciência para aguentar esta variação de ser humano, que faz da ignorância e da ironia sua personalidade ou as utilizam como uma máscara à presunção e à sabedoria descabida e inexistente. Ninguém tem a obrigação de aguentar estas coisas.

Na realidade acredito que a má educação esconde algum tipo de defeito ou insegurança muito grave, justamente aquilo que deve ser omitido a qualquer custo e que denuncia a verdadeira personalidade egocêntrica do fulaninho. Ao invés da arrogância com o outro, não seria melhor olhar para seu próprio descontentamento pessoal? Nariz lá em cima nunca foi sinônimo de poder e inteligência, mas de falta de confiança em si mesmo.

Vale ressaltar que ninguém é superior a ninguém e que, um dia ou outro, vamos acabar indo para o mesmo tipo buraco, não importa quem seja ou o que tenha. Atitudes medíocres de superioridade inexistente só perduram enquanto seus autores vivem em sua própria limitação de vida. 

sábado, 26 de março de 2011

Melhor buscar um cappuccino...

Aula de teoria e correntes literárias. Às 9h17, sinto-me entediada, com sono e só consigo pensar num bendito cappuccino. Quando não o idealizo em minha boca, relembro de pessoas que me decepcionaram ou que me irritaram bastante. Acho até que estou sob a influência dos autores nórdicos de Madame de Staël, com suas melancolias e textos sombrios, ou meus pensamentos são apenas fruto do tédio? Que raciocínio chato e sem fim. 

Enquanto escrevo este texto e tento fazer as anotações da aula, estes indivíduos ficam batendo em minha mente com um martelo; não gostam do esquecimento. Entre eles está aquela universitária, pela qual abdiquei uma vaga de estágio para que ela pudesse deixar aquele emprego que odiava e entrar na área. Ela nunca soube disso, mas um ano e meio depois fez da minha vida um inferno, espalhando boatos e falsas verdades; deveria ter dito algumas para ela, mas já foi.

O pior é que ela me fez lembrar daquele menino que tornou-se de um dia para o outro naquilo que mais repudiava; depois, porém, não adiantou chorar e querer a vida que tinha de volta, a fila andou e ele teve que sair dela. Tem também aquela menina que pensava ser sabe-tudo e que não sabia de absolutamente nada. Já escrevi sobre ela uma vez, mas o que era sofrimento hoje virou alívio. O mundo gira muito e se ela soubesse disso teria tirado o rei da barriga há mais tempo. Afinal, liderança e conhecimento não se impõem, são conquistados aos poucos. Nem no cappuccino consigo pensar mais...  

Há ainda aquelas pessoas tão próximas que vivem para agradar o errado, pois com medo de enfrentar apenas um prejudicam o restante que vive ao seu redor. Estes mesmos ignoram sua existência em ocasiões nas quais o outro queira participar, mas quando há que se pedir alguma coisa a história muda. Toda vez que vivencio isso, as feridas que foram abertas há mais de 15 anos estremecem e me machucam muito, mas fico quieta. Pela falta de vergonha de alguns, tive que criar uma barreira para me distanciar.

Agora até o sono foi embora. O que era tédio virou uma tristeza deslocada com esse blá-blá-blá, quase que um Horla trazido de volta à sua terra natal. Não gosto destas coisas e não quero mais pensar em assuntos negativos, estou quase parecendo uma rainha da verdade, credo, longe disso. Vou mais é me ocupar em pensar em tantas pessoas boas que fazem parte da minha vida, estejam longe ou perto, ou prestar atenção na aula.

Aliás, vou é afogar esta melancolia chata num cappucinno e vou fazer isso é já!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Aquela casa...

Há uma casa muito bonita e antiga na rua pela qual agora passo todos os dias a pé. Localizada bem no centro da cidade, ela parece não se importar com o barulho e com a movimentação de tantos carros, motos, pessoas e buzinas o dia todo. Até me sinto idiota em ficar admirando algo tão inanimado quanto uma casa, mas fazia tempo que alguma coisa não me chamava tanto a atenção quanto aquela construção toda branca e, com certeza, bem mais velha que eu. 

Não sei se são os gramados tão bem cuidados ou as dezenas de árvores enormes ou as muitas, muitas flores que enfeitam seu jardim. Também não sei se é por causa daquela varanda de mármore que transmite frescor à sombra, nestas tardes tão quentes deste verão, e que rodeiam ela toda. Pode até ser aquelas paredes brancas e um quintal tão longo que queria espiar lá no fundo, na qual há uma espécie de galpão conservado e que me deixa muito curiosa para ver aquilo que não posso. Isso sem contar o interior dela, que pode não ser tudo aquilo que fantasio, porém, pode ser até um pouco mais.

Simplesmente não sei porque gosto dela, só sei que faz com que eu me sinta bem. Quando olho aquela casa tenho a impressão que só de passar por aquele portão cinza você é capaz de se esquecer da vida. Sabe aquele abraço de mãe, pai, avó, avô, filho(a), tia(o) ou até a lambida do cachorro que faz festa quando o dono chega? É este mesmo sentimento, como se ela o(a) abraçasse e você deixasse do portão para fora todos seus os problemas. Ela quase o(a) recebe com um bolo de fubá e café feito na hora...

Um absurdo, eu sei, um completo absurdo essa idealização de uma casa. Entretanto, me simpatizei tanto com a bendita que me dá vontade até de falar bom dia ou boa tarde para ela! E o pior: faço isso em pensamento todas as vezes que passo por aquele portão, mesmo sabendo que isso é uma enorme loucura. Aquela casa realmente me desperta algo estranho e ainda vou descobrir o porquê!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Um viva à caloria!

Este soneto é especialmente dedicado a nós, mulheres, que sempre teimamos com calorias e gorduras do saquinho de pipoca ou com um quilo a mais ou a menos:

Soneto Torremista


Não basta a ditadura que já dura
e vem a ditadura antigordura!

Saímos do regime militar,
caímos no regime do regime.
Censuram-nos até no paladar!

Trabalho, horário, imposto, compromisso.
Orgasmo não se tem como se quer.
Só sobra o bom do garfo e da colher,
e os nazis nariz metem até nisso.

Maldita seja a mídia, sempre a dar
espaço à medicina que reprime!
Gestapo da "saúde" e "bem-estar"!

Resista! Coma! Abaixo a ditadura!
A luta tem um símbolo: FRITURA!

Glauco Mattoso

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Apenas por conveniência...

Com certeza você já vivenciou alguma situação parecida com esta que vou descrever: um dia um Fulaninho aí, que nunca olha na cara de ninguém, vem todo simpático na sua direção e aperta a sua mão. No dia seguinte o(a) cumprimenta, lhe pede algo - todo manso e calmo - e você faz o possível para ajudá-lo. Contudo, já na manhã seguinte, o mesmo Fulaninho volta a ignorá-lo(a) totalmente. Pois bem, saiba que o ser humano age por pura conveniência e que ninguém está livre desta qualidade (ou defeito?), que parece alimentar as relações interpessoais. 

Sim, é verdade. As pessoas muitas vezes se relacionam puramente por interesse ou lucro, procurando algum tipo de benefício imediato ou de longo prazo. Pode até parecer exagerado, mas a maioria suporta o próximo simplesmente para ter ou manter algum tipo de vantagem, seja esta uma necessidade momentânea ou apenas uma luxúria. Por isso, descartam e ignoram aqueles que nada podem oferecer, pelo menos por enquanto.

Contudo, quem não age desta forma também deve fazer da conveniência uma forte aliada. Apesar de ser usada erroneamente por muitos, torna-se indispensável para suportar e relevar os que desrespeitam a dignidade alheia, com atitudes prepotentes e sem sentido. Sem ela é impossível (con)viver. 

sábado, 8 de janeiro de 2011

A mais difícil das metas...

Em 2011 está decidido: não quero mais ficar com a cara típica de quem bateu o dedinho do pé no canto da cama. Por este motivo, a meta que escolhi neste ano será manter o bom humor todos os dias. Tudo bem que não passo nem perto do tipo de pessoa "Bom dia por quê?", mas tive que fazer esta opção porque paciência é uma qualidade que tem limite e precisa ser renovada depois de muito tempo de uso. Como não há como comprá-la por aí, partirei para esta nova tentativa e espero, sinceramente, que dê certo. 

Para conseguir cumprir esta missão tão difícil já providenciei alguns itens indispensáveis aos que desejam ter um estado de espírito tendencioso à graça: piadas curtas e ruins (minhas prediletas, é óbvio) e um repertório de músicas que ninguém mais lembra, para ser utilizado nos momentos nos quais posso me desviar do objetivo principal e também distanciar os causadores da possível fadiga mental. Sendo assim, não brigue comigo se eu começar a cantarolar algo do tipo exótico; até o(a) convido para participar de minha nova causa.

Aliás, o que seria do sucesso individual sem a ajuda coletiva? Simplesmente nada. Por isso, contarei ainda com o auxílio de alguns amigos, que serão uma espécie de termômetro da minha (falta de) disposição à comicidade. Aproveito, inclusive, para agradecer ao Dé, Daniel Paixão, Pablito e meninas do puxadinho pela iniciativa e disposição em me ajudar nesta nobre tarefa. 

E se por acaso nada disso funcionar e for impossível controlar e manter o bom humor, já aviso que passarei a adotar a boa vontade como meta...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Aos amantes de gírias antigas, ser brotinho é...

Faz tempo que não compartilho por aqui os textos que mais gosto, que não me dedico a este projeto pessoal tão especial. Aliás, confesso que faz um bom tempo que não faço o que gosto: ler ser compromisso e escrever sem ser chapa-branca. Eis então que para retomar estes meus desejos relembro de uma crônica muito boa do Paulo Mendes Campos, que me chamou a atenção há alguns anos e que é uma boa leitura para uma noite de chuva como esta. 

Aproveito e dedico-a especialmente às minhas queridas amigas, que sempre tiram sarro de meu vocabulário repleto de gírias antiquadas - acredito que isso até renderá um futuro post. Lembrem-se: vocês me irritam, mas gosto muito de vocês! ;) 

***

Ser Brotinho   

Paulo Mendes Campos

Ser brotinho não é viver em um píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível.

Ser brotinho é não usar pintura alguma, às vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. Ser brotinho é lançar fogo pelos olhos.

É viver a tarde inteira, em uma atitude esquemática, a contemplar o teto, só para poder contar depois que ficou a tarde inteira olhando para cima, sem pensar em nada. É passar um dia todo descalça no apartamento da amiga comendo comida de lata e cortar o dedo. Ser brotinho é ainda possuir vitrola própria e perambular pelas ruas do bairro com um ar sonso-vagaroso, abraçada a uma porção de elepês coloridos. É dizer a palavra feia precisamente no instante em que essa palavra se faz imprescindível e tão inteligente e natural. É também falar legal e bárbaro com um timbre tão por cima das vãs agitações humanas, uma inflexão tão certa de que tudo neste mundo passa depressa e não tem a menor importância.

Ser brotinho é poder usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito. É esvaziar o sentido das coisas que transbordam de sentido, mas é também dar sentido de repente ao vácuo absoluto. É aguardar com paciência e frieza o momento exato de vingar-se da má amiga. É ter a bolsa cheia de pedacinhos de papel, recados que os anacolutos tornam misteriosos, anotações criptográficas sobre o tributo da natureza feminina, uma cédula de dois cruzeiros com uma sentença hermética escrita a batom, toda uma biografia esparsa que pode ser atirada de súbito ao vento que passa. Ser brotinho é a inclinação do momento.

É telefonar muito, estendida no chão. É querer ser rapaz de vez em quando só para vaguear sozinha de madrugada pelas ruas da cidade. Achar muito bonito um homem muito feio; achar tão simpática uma senhora tão antipática. É fumar quase um maço de cigarros na sacada do apartamento, pensando coisas brancas, pretas, vermelhas, amarelas.

Ser brotinho é comparar o amigo do pai a um pincel de barba, e a gente vai ver está certo: o amigo do pai parece um pincel de barba. É sentir uma vontade doida de tomar banho de mar de noite e sem roupa, completamente. É ficar eufórica à vista de uma cascata. Falar inglês sem saber verbos irregulares. É ter comprado na feira um vestidinho gozado e bacanérrimo.

É ainda ser brotinho chegar em casa ensopada de chuva, úmida camélia, e dizer para a mãe que veio andando devagar para molhar-se mais. É ter saído um dia com uma rosa vermelha na mão, e todo mundo pensou com piedade que ela era uma louca varrida. É ir sempre ao cinema mas com um jeito de quem não espera mais nada desta vida. É ter uma vez bebido dois gins, quatro uísques, cinco taças de champanha e uma de cinzano sem sentir nada, mas ter outra vez bebido só um cálice de vinho do Porto e ter dado um vexame modelo grande. É o dom de falar sobre futebol e política como se o presente fosse passado, e vice-versa.

Ser brotinho é atravessar de ponta a ponta o salão da festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes. Ter estudado ballet e desistido, apesar de tantos telefonemas de Madame Saint-Quentin. Ter trazido para casa um gatinho magro que miava de fome e ter aberto uma lata de salmão para o coitado. Mas o bichinho comeu o salmão e morreu. É ficar pasmada no escuro da varanda sem contar para ninguém a miserável traição. Amanhecer chorando, anoitecer dançando. É manter o ritmo na melodia dissonante. Usar o mais caro perfume de blusa grossa e blue-jeans. Ter horror de gente morta, ladrão dentro de casa, fantasmas e baratas. Ter compaixão de um só mendigo entre todos os outros mendigos da Terra. Permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um violinista estrangeiro de quinta ordem. Eventualmente, ser brotinho é como se não fosse, sentindo-se quase a cair do galho, de tão amadurecida em todo o seu ser. É fazer marcação cerrada sobre a presunção incomensurável dos homens. Tomar uma pose, ora de soneto moderno, ora de minueto, sem que se dissipe a unidade essencial. É policiar parentes, amigos, mestres e mestras com um ar songamonga de quem nada vê, nada ouve, nada fala.

Ser brotinho é adorar. Adorar o impossível. Ser brotinho é detestar. Detestar o possível. É acordar ao meio-dia com uma cara horrível, comer somente e lentamente uma fruta meio verde, e ficar de pijama telefonando até a hora do jantar, e não jantar, e ir devorar um sanduíche americano na esquina, tão estranha é a vida sobre a Terra.

***

Um dia quero escrever tão bem assim, ainda chego lá!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Não atire em mim, Papai Noel!

Todas as vezes que ouço esta música não consigo conter o riso, pois as canções de Natal que envolvem o bom velhinho sempre são tão deprimentes e esta realmente deve ser o que ele deseja fazer com essas crianças, que a cada dia ficam mais mal educadas. E é com esta melodia que lhe desejarei um excelente Natal e um próspero 2011, torcendo para que o Papai Noel também não atire em você: