terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O tempero que faz a diferença...

Escrever não é nada fácil, ainda mais quando se falta um pouco de vontade de dizer algo com as palavras ou quando elas são massacradas pelo tempo que há em seu dia, tornando o período que vai do nascer do sol à passagem da lua quase inexistente. 

O ato de escrever, um prazer tão solitário e pessoal, torna-se então robotizado, refém do dead line e de tantas outras coisas que deixam as palavras reunidas num contexto, mas sem o tempero que faz seu leitor querer mais. Fica igual a comida sem sabor: você pode até degustá-la, mas não com toda a intensidade que poderia ter. Faz sua refeição por obrigação e necessidade humana, porém não a faz como prazer.

Escrever é praticamente a mesma coisa. É tal como um cozinheiro preparando com todo o carinho do mundo o prato principal de um jantar, testando texturas, cores, sabores e cheiros. Ele se esforça para que seu convidado realmente tenha um momento único, um contentamento perfeito a cada garfada levada à boca. Nem sempre dá certo, mas nem sempre dá errado. Tudo depende de quem experimenta.  

Na escrita o processo é o mesmo, mas com ingredientes diferentes. Ao invés dos temperos, carnes, grãos e legumes, faz-se o uso de palavras: adjetivos, substantivos, verbos, entre tantos outros tipos. O cardápio é variado, assim como as oportunidades de combinações. 

Na cozinha ou na escrita, os riscos e os sucessos são os mesmos, as dificuldades também. Não há receita que garanta o sucesso, a prática é que lhe fomenta com o que pode ou não dar certo. Às vezes, um tempero ou mais fermento pode mudar tudo ou basta apenas achar as palavras e o estilo que agradem ao gosto alheio. Escrever realmente não é nada fácil, às vezes queria saber é cozinhar...


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Amor de avó é tudo de bom!

Seja qual fora a hora, se você chegar na casa dela imediatamente uma mesa cheia de delícias se materializará na sua frente, com quitutes que nem uma aula avançada de spinning é capaz de eliminar da cintura e das pernocas depois. E o pior – ou melhor – é que ela conhece exatamente o que você mais gosta de mandar para dentro e aprimorou, ao longo dos anos, o preparo dos itens para poder agradá-lo, leitor. E se ela não sabe fazer não se preocupe: ou ela aprende de tanto praticar ou ela compra o melhor que há e o deixa na dispensa para servir para você assim que for visitá-la. Afinal, ela é maestra em nos surpreender e verdadeiramente ganha o dia se consegue.
 
Se não bastasse ter nos conquistado pelo estômago, também teve a nossa máxima confiança conquistada ainda na infância, quando com muito jeitinho conseguia – ou tentava, pelo menos – nos livrar daquela baita surra merecida após ter aprontado alguma por aí e sua mãe ou pai terem visto a arte. Tudo bem que comigo não funcionava e eu tinha que arcar com as palmadas (minha mãe era decidida na punição), mas até hoje se formos levar uma bronca ela tenta nos livrar; tenta fazer com que nenhum mal chegue perto. Até a carne, se deixar, ela vai querer cortar no nosso prato ou soprar a sopa ou leite para que não queimemos a língua. Parece absurdo, mas não é para ela.  

Não importa se temos dois, onze, 28 ou 36 anos ou mais, sempre seremos os queridinhos e protegidos. Na casa dela, aliás, toda limonada é mais doce, todo bolo é quentinho, todo cobertor é macio, todo cachorro é pentelho, toda conversa é gostosa e até o filme da sessão da tarde é mais divertido. Não sei o que acontece, se é um dom de Deus ou se nossos pais aprimoraram muito – e muito mesmo! – a paciência dela, mas amor de avó é tudo de bom e sempre será. E por ser tão bom, acredito que amor de avó deveria ser regulamentado, virar Lei, ser prática da ISO, manual da ABNT  de boas práticas à vida. Uma política de direitos humanos ou um patrimônio universal da humanidade, não importa, amor de avó deveria ganhar um feriado internacional. Afinal, ela não merece ter apenas um dia celebrativo, comemorado em 26 de julho, mas todos os dias do ano.

Amor de avó deveria, de verdade, ter até uma terminologia própria no dicionário, mas enquanto isso não acontece, amor de avó para mim é representado em sua totalidade nos nomes Maria e Mercedes. Nomes que representam dois seres humanos fantásticos com os quais tive o prazer de crescer e de conviver e viver até hoje, graças a Deus! Duas mulheres que não se parecem em nada com a imagem esteriotipada que busquei no Google para ilustrar este post, mas que me motivam e que me ensinam, até hoje, coisas boas da vida e que me instigam a querer retribuir todo esse amor. E assim espero, ter aprendido tudo para também fazer o mesmo quando eu puder comemorar o Dia da Avó lá em 26 de julho num ano distante...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aos que também batem fora do bumbo...

Não sei se reparou ou se teve tempo para refletir sobre, mas ao longo da vida desenvolvemos uma certa capacidade quase que sobrenatural de atrair ou afastar determinados tipos de pessoas. Para alguns essa característica é chamada de carma, contudo, não me identifico em nada com essa terminologia, sobretudo porque o tal carma mais me lembra o jeito caipira de se pedir um pouco mais de paciência para alguém. Por isso, caro leitor, peço para você total licença para me referir a essa capacidade como um dom.

Autorização concedida (espero eu), tenho que confessar que esse dom tem a força máxima de atrair em minha vida pessoas que batem totalmente fora do bumbo. O que seria isso? Você pode me perguntar, pois logo respondo: são seres humanos exóticos, que não compartilham da vida alheia, que gostam de piada ruim, que dão gargalhada alto, que passam o dedo no pote de iogurte quando está no fim ou que, numa tarde qualquer lhe acompanha num cafezinho quetinho, lá da sala proibida.

São os que gostam de coisas simples da vida, que ao luxo dão poucas oportunidades, que dão foras que até Deus duvida, que falam alto, que gostam de comédia romântica, de livro ruim  e que com seus jeitos e trejeitos únicos são indispensáveis. São amigos, com o dom máximo de deixar a vida ainda mais divertida, com uma habilidade inigualável de fazê-lo se sentir melhor quando você mais precisa. E aos meus amigos, neste 20 de julho, desejo que continuem a ter o dom de fazer do bumbo algo para se tocar totalmente fora... 

terça-feira, 16 de abril de 2013

O nó...


Pode até parecer besteira, mas não é. Há períodos em que o sentimento de solidão toma conta de nosso ser e parece não querer ir embora. Com casa, comida, família, a pessoa amada ao nosso lado, emprego, tempo para fazer o que gosta e aprender coisas novas, chefes bons e roupa lavada, uma vida invejável e muito boa - graças a Deus - é até um sacrilégio escrever uma infâmia como essa. Contudo, ser humano que sou tenho enfrentado sozinha e quieta um sentimento horrível, que para ficar feliz e aproveitar algo bom se torna tão difícil quanto um pensamento de morte. Muitas vezes nem queria mais estar mais aqui. 

Sugiro que não continue a ler esse texto se chegou até o segundo parágrafo. Desculpe-me até de ter que ter lido isso, pois me admiro de ter escrito algo tão negativo quanto isso. Aliás, nunca havia escrito um parágrafo tão doloroso quanto o de cima, porém esse nó que dá na garganta está acabando comigo e é algo extremamente doloroso. Não quero mais sentir o laço apertado e tão angustiante de engolir. Não quero ter pensamentos que fazem meus olhos lacrimejarem, mesmo não conseguindo chorar. Faz-me até querer perder o autocontrole excessivo que criei dentro de mim e que não consigo mais me libertar, de duvidar daquilo que minha mente me apresenta. Quero fugir e quando fujo, quero voltar e aí começa tudo de novo.

O nó que tenho não é decorrente dos outros, de descrença no mundo ou da falta de Deus, porque creio; e também não é falta do novo, pois não é falta de nada viu. Acho que na realidade é o medo de criar  expectativas, pois a maioria é esmagada; de ter a razão muito acima da emoção e de não aproveitar o presente e só pensar no futuro, que apesar de me preocupar tanto não consigo aproveitá-lo quando ele vira presente. É aquela briga interna, que ninguém é capaz de apaziguar e que só me faz querer de volta a vontade que eu tinha de querer ser melhor e buscar lá no fundo, bem lá no fundo, ainda mais vontade para conseguir. É o choro reprimido e que seguro para não vir à tona, da força que quero mostrar e que está fraca por dentro, de enfrentar de frente o que olho de lado.

Espero que agora que escrevi e praticamente vomitei o nó aqui, que ele fique mais frouxo e que pare de fazer isso que tem feito comigo. De todo o coração, quero que afrouxe para que eu possa recuperar as expectativas. Que esse nó, tão apertado, se desfaça ou se desfaça. Já estou além do meu limite. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

É, cumplicidade, parece que foi ontem...


Tinha acabado de estacionar o carro numa vaga bem apertadinha, encontrada com sorte ao retornar do meu almoço hoje à tarde, quando o celular tocou e atendi sem se quer ver o número da ligação. Do outro lado da linha, uma voz suave e calminha disse: “Gabi, é você?” E eu imediatamente reconheci a voz da pessoinha simpática dizendo: “É sim, é a Natália?”. E teve início, então, uma conversa breve, porém muito animada e cheia de saudade com uma amiga muito querida, que não vejo pessoalmente há, no mínimo, uns quatro anos.

Apesar de parecer uma situação trivial para muita gente, a conversa fluiu como se não tivéssemos parado de nos ver, como se tivéssemos nos falado ainda ontem ali, na esquina, ou em outro lugar qualquer. Quatro anos recuperados em menos de dois minutos, numa conversa breve – porém ótima – ao telefone celular.

Juro que adoro quando isso acontece, pois é quando a cumplicidade demonstra que o tempo não é capaz de influenciar uma relação entre duas pessoas que se gostam e que se respeitam pelo que são. Na realidade fico ainda mais impressionada pelo fato desta tal de cumplicidade se manifestar sempre sorrateira e como ela seleciona a dedo seus eleitos, como nos tira da rotina de uma forma tão simples e tão marcante ao mesmo tempo.   

É uma delicia saber que a tal da cumplicidade, apesar de ser descrita negativamente pelo dicionário, é capaz – pelo menos para mim – de tornar o dia um dia ainda melhor para se viver e como ela consegue fazer voltar no tempo, fazer parecer que foi apenas ontem... 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sorrindo à la Amélie Poulain...

Dona Monalisa que me perdoe, mas se há um sorriso muito mais enigmático e que reflete sua percepção ou sentimento em qualquer tipo de situação, qualquer tipo mesmo, este só pode ser o de Amélie Poulain. Você pode até não conhecê-la ou não ter ideia de quem possa ser esta nobre criatura – a Mona é bem mais popular, convenhamos -, mas nem por isso precisa ir correndo ao Google e bater o dedinho do pé no batente da porta pela pressa-curiosa para saber ou ver quem é esta tal fulaninha e como é seu sorriso, pois a resposta está mais próxima do que se pode imaginar. Dúvida? Vamos lá!

Pense num momento em que ficou com uma vergonha alheia tão absurda e que precisava disfarçar seu desconforto ou então numa situação em que você está ouvindo tanta besteira daquele chato de galocha que nem pode responder, para não se prejudicar ou prejudicar outras pessoas. Se ficar difícil imaginar isso, então recorde aquele dia em que o céu estava lindo e você ficou feliz ou  abriu a geladeira, comeu com fúria o último doce maravilhoso que estava lá e, ainda lambendo seus lábios, alguém chega e pergunta: aonde está o doce que tinha deixado separado aqui? E você, descaradamente, diz: não sei, que doce era? Também vale aquele dia no qual você ligou o rádio e lá estava sua música predileta tocando ou quando você ouviu uma frase super engraçada na conversa acalorada na mesa ao lado e não pôde rir por estar num almoço sério de negócios.

Pois bem, não importa a situação. Quando realmente não podemos manifestar os sentimentos da forma que desejamos ou quando estamos bastante desconfortáveis, envergonhados e não podemos transparecer lá surge ele, ao lado direito ou esquerdo ou nos dois cantos da boca, o bendito sorriso da Amélie. Eu disse que não precisaria pesquisar no Google para entender o sorriso da moça, pois ele transparece em todos nós como uma manifestação misteriosa que quer se mostrar e se esconder ao mesmo tempo, como uma expressão em que nossos lábios ficam sem controle e se distendem ligeiramente, aquela coisa sem graça ou com graça.

Seja branco ou amarelo, frouxo ou largo, com aparelho ou sem: sempre há momentos e motivos para sorrimos à la Amélie Poulain (até rimou!). E o melhor é que nem precisamos ser a Audrey Tautou para fazer isso... 


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O verdadeiro galo da madrugada...


Estava lá, num sono gostoso e profundo, quando comecei a ouvir um galo cantar todo animado. Na minha cama, de pijamas, quentinha e não entendendo muito bem se era parte do sonho maluco que estava tendo ou realidade, ouvia o bendito galo cantar sem parar. Até levantei para ver que horas eram, pois o bichinho estava tão afinado que só deveria estar dando boas-vindas a um novo dia com sol e céu claro.

Para minha surpresa, porém, o sol estava longe de aparecer: eram 2h30 da matina, em plena sexta-feira,  17 de agosto de 2012, e o bichinho a cantar sem parar. Do outro lado da história, eu, que estava desfrutando do sono profundo e fui surpreendida com tanta cantoria, querendo recuperar e voltar ao sonho maluco e ao soninho gostoso. Contudo, o galo continuou por muito tempo com seu repertório; o mesmo tempo, aliás, que eu levei para voltar a dormir.

Durante os demorados minutos em que o galo cantor dava seu show particular em algum quintal perto de minha casa, comecei a me lembrar ensonada que eu mesma já tive um bichano deste. Às 2h45 da manhã,  comecei a recordar deitada na cama a boa época em que morava no fundo da casa de meu avô, quando fui a uma festa do Dias das Crianças e voltei de lá com um pintinho amarelinho, presente sem noção e típico da década de 1980. Nem preciso dizer o quanto eu adorava o animalzinho.

Eis então que o pequeno pintinho – sem malícia, por favor, este é um texto de família! – se tornou um galão, forte, com penas avermelhadas e que ficava desfilando no quintal lá de casa, ou melhor, da casa de meu avó, exibindo-se às galinhas. Lembro-me que amava tanto aquele galo que eu até corria atrás dele para brincar, corria tanto que quando ele cansava logo e ia se esconder do lado do vaso sanitário, para recuperar o fôlego, lá no banheiro da minha tia. Galo esperto, diga-se de passagem.

E assim a história seguiu, feliz e por um bom tempo, até o dia em que fui viajar com meus pais. Aproveitando a minha ausência, meu avô enxergou o galo de outra forma que eu, não como um bicho amigo, mas dentro da panela; transformou-o num belo almoço de domingo. E eu, assim que voltei da viagem, procurando pelo bichano, fui informada que ele tinha ido morar em outro lugar, que tinha me deixado um abraço. Inocência, mesmo que triste fui fazer alguma outra coisa e só soube o que aconteceu com o meu galo de fato anos mais tarde, quando já tinha idade para entender e sabia o que era quase destino certo desta espécie. E fiquei pensando "tadinho do galo, nem nome ele tinha!", quando percebi que já eram 3 horas da matina. 

Meu galo que tragicamente foi para a panela, então, fez-me voltar a escutar o cantar do bendito galo que me acordou, tirou-me do sono maluco e que me fez retornar lá no quintal da casa do meu avô. Neste momento, juro que desejei do fundo do meu coração que o cantor sem relógio fosse à panela, não o maratonista que eu tinha. Contudo, quando cheguei a esta conclusão acho que era tarde, estava no sonho maluco de novo...

Crédito da foto: divulgado no Google Imagem

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Ficando feliz por nada novamente...

Há períodos em nossas vidas nos quais não nos identificamos com absolutamente nada. E nesta fase, caro leitor, tudo costuma ser sem graça, pois não há nada que nos tire da mesmice de sempre e da rotina chata. Nestes tempos difíceis nenhum barzinho tem a coxinha que gostamos, nenhum livro é digno de nossa atenção na prateleira da livraria, nenhuma banda consegue criar uma nova canção que nos agrade, nenhum prato de comida se torna objeto de nosso desejo, nenhuma fotografia consegue nos emocionar, nenhum filme consegue entrar para a lista dos mais queridos, nenhum assunto é digno de se tornar uma crônica e – pasmem, sobretudo os seres do sexo feminino – nem as vitrines das lojas de sapatos e roupas em promoção de 80% conseguem nos entreter e nos fazer abrir as carteiras.

E quando isso acontece, a falta de identificação com algo complicado ou simples, ficamos mal humorados, chatos e repulsivos. Sim, chatos de galocha, daqueles que não queremos perto nem hoje e nem nunca, que não sorriem nem quando seus cachorros de estimação os recebem felizes e balançando o rabo igual corda de pular na velocidade “foguinho”. E eu estava assim, um ser totalmente insuportável, apático e que não conseguia se identificar com nada. Mas como diz meu sábio avô Cid, depois de toda borrasca sempre vem uma boa surpresa.

E meu avô realmente estava certo. Estava lá na esteira da academia, em uma noite fria de quinta-feira, lendo uma revista qualquer para me distrair durante o tempo de aquecimento para ir à musculação quando uma das professoras de lá, a Gi, veio em minha direção com um livro na mão, com um sorrisão no rosto – e ela está grávida, então era um lindo e grande sorriso mesmo – e me disse “Acho que você vai adorar este livro, é a sua cara!”. Entregou em minhas mãos o livro “Feliz por Nada”, com crônicas da Martha Medeiros.

Confesso que havia lido alguns textos da jornalista por aí, há muitos anos mesmo, e naquela época nem sabia o que era uma crônica. Anos mais tarde e completamente apaixonada por este gênero literário, tenho aproveitado cada frase da Martha. Ela tem tudo na dose certa, talento, simplicidade, objetividade, passa longe da autoajuda – ufa! – e sabe fazer o que eu sempre quis desde que resolvi fazer jornalismo: despertar, no ato, a identificação do leitor com o que eu sou capaz de escrever.

E pronto, nem preciso dizer que bastou algumas páginas para que eu pudesse sair finalmente da zona de conforto e da apatia, voltar a me identificar com algo, sensibilizar-me mais e voltar  a me inspirar. Uma delícia voltar à normalidade de se identificar com o próximo, mesmo não o conhecendo; de rir com coisas simples, de saber que todo mundo tem uma amiga com complexo de namorado, de também achar que nem tudo é digno de foto e de se sentir próxima da realidade, sem frescura e sem muitos adjetivos. Como é bom ficar feliz novamente e de forma mais fácil do que o esperado, com uma boa dica de leitura na esteira da academia...


Se você se interessou pelo livro, é este aqui. Se clicar aqui, conseguirá mais informações! ;)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O surto da panqueca...

Há quem já tenha perdido o controle com uma fechada no trânsito, com a falta de comprometimento de alguém ou com conversa paralela no cinema. Há também quem já tenha perdido as estribeiras com cliente folgado, com o atendente mau educado ou com o atraso de entrega do item comprado pela internet. Conheço até uma pessoa que rodou a baiana porque disseram que ela tinha o braço gordo e gente que briga pela vez no aparelho de musculação na academia, mas confesso que até hoje não tive o prazer de conhecer mais alguém que tenha surtado por causa de uma inocente panqueca. E, sim, por uma pequena panqueca, fria e um dia passada (pelo menos era de carne!). 

Sinto-me até envergonhada por compartilhar este momento tão mesquinho, infantil e egoísta de minha vida adulta, mas já armei um circo em casa, xinguei meio mundo e quase registrei um boletim de ocorrência só porque meu pai - que é pouco esganado, só para registro, mas que o amo mesmo assim - foi lá e mandou para dentro a bendita panqueca que separei no forno para almoçar no dia seguinte. Sim, chorei igual criança neste dia, quando cheguei em casa mal humorada, esfomeada e abri a portinha do forno e pensei "cadê a panqueca?". Foi como se alguém tivesse me batido com um martelo na boca do estômago, que estava bem danadinho e mau humorado naquele dia. Minha mãe teve até que fazer uma panqueca para eu sossegar e ficar calminha, calminha. Após o episódio, inclusive, pensei até em escrever a minha própria versão do livro "Quem mexeu no meu queijo?".

Bom, e agora que compartilhei este fato inútil e menosprezível de minha existência explico o "porquê" de fazê-lo, um motivo bem justo por sinal: a cada dia que passa, o ser humano perde o controle dos sentimentos e saí por aí descontando nos outros sua insatisfação pessoal. Se não concorda comigo, acesse agora mesmo o seu perfil no Facebook - se não tiver ainda, pode ser no Google+, no Twitter, no Orkut ou olhe pela janela - e veja o quanto o povo age como se não houvesse o amanhã e fica transferindo a busca pela eterna felicidade a terceiros. Transformam seu descontentamento com algo em um motivo para causar a discórdia no mundo, para culpar o outro por sua insatisfação pessoal...

Não seria mais fácil assumir a culpa de que você não está bem e que ninguém tem nada a ver com isso, hein? A carne é fraca e a da panqueca é ótima, mas isso não é motivo para desrespeitar o próximo em atitudes que só prezam pelo próprio umbigo. A irritação pessoal não pode prejudicar as outras pessoas. Eu mesma, como todo ser humano repleto de defeitos, tenho me policiado - e muito! - e lutado para ter mais calma, serenidade e a fazer da paciência a minha aliada, sobretudo para aceitar o que não posso mudar, como o apetite do meu pai. Só quero ver se isso vai funcionar a próxima vez que a panqueca não estiver no forno, mas tudo bem. Perder a esperança é o que não se pode, vale a pena tentar!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Minha forma de celebrar o 20 de julho...

No decorrer de nossas vidas conhecemos muita gente. Gente legal, gente estranha, gente exótica, gente chata, gente mentirosa, gente chique, gente preguiçosa, gente engraçada, gente alta, gente magra, gente carinhosa, gente que fala errado, gente verdadeira, gente atrasada, gente que leva pimenta no bolso, gente que vê bonecos se mexerem sozinhos (!!!), gente gorda, gente torta, gente baixa, gente quieta, gente que só por Deus, gente animada, gente míope, gente divertida, gente convertida, ou seja, gente de tudo quanto é jeito. Adjetivos realmente não faltam quando o assunto é conhecer gente, desde o momento em que damos nosso primeiro suspiro e assim também será até o último.

Contudo, o engraçado é que em poucos casos – pouquíssimos mesmo, os verdadeiros costumam ser  raríssimos – tem gente que deixa de ter um dos tantos adjetivos existentes e que distribuímos em julgamentos por aí e se transformam em um substantivo feminino ou masculino, só depende do gênero da “gente”. Neste momento, a gente deixa de lado o termo usado 23 ou 25 vezes em apenas dois parágrafos deste texto e começa a empregar uma outra palavrinha para defini-lo melhor: amigo.

E quando esta outra palavra passa a ser usada é porque na relação entre você e o afortunado começam a ter vários verbos: proteger, confiar, ajudar, dividir, rir, chorar, compartilhar, consolar, defender, acolher, entender, escutar, abraçar, dentre tantos outros. Estes verbos, inclusive, costumam render momentos maravilhosos e nos dão força em outros nem tão bons assim, mas sempre são acompanhados por, no mínimo, dois sujeitos, nunca sozinhos.

E é justamente quando isto acontece, em raríssimos momentos da vida, é que temos ciência que ganhamos um irmão de verdade, alguém que fica ao nosso lado e nos aceita do jeito que somos mesmo que seja difícil e apesar das nossas 352.684.635.241.646² manias chatas. E se para o seu pai, sua mãe, seu marido, sua esposa, seu filho ou à sua filha isto é difícil, imagine agora para alguém que nem tem a obrigação de lhe aturar? Isso que dizer que esta pessoa – aquele ou aquela que eram só gente, ao início deste post – realmente gosta de você, que lhe quer bem e que lhe dá a oportunidade de se tornar alguém melhor, pois está disposto a dividir contigo o que pode lhe oferecer de melhor!

E quando isto ocorre de verdade, meu amigo ou minha amiga, devo lhe dizer que a relação também ganha outro nome e vira uma amizade para a vida toda. Torna-se algo semelhante, honesto e lindo, como que o Pequeno Príncipe fazendo de tudo para cuidar de sua amada rosa. Realmente tem gente que tem o poder de transformar a nossa vida em fantástica, lúdica, querida e mais fácil, simplesmente especial. Que poder tem os verdadeiros amigos e amigas.

Imagem retirada da busca do Google