sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O mundo está ficando chato...

Estava a falar com a minha chefe quanto à conclusão de um atendimento de ouvidoria e, na mesa dela, após verificarmos que o atendimento em questão estava correto e que o reclamante não tinha razão em seus recursos, chegamos à conclusão que o problema não era o atendimento, mas o fato de que o mundo está ficando muito chato ultimamente. E chato de galocha, muito chato mesmo, do tipo que – nunca, nunca! – deve ser contrariado em suas vontades para não ficar ainda mais chato. 

E o mundo não está assim porque é uma característica dele. Nada disso. O mundo – apesar de cruel e continuar lindo em muitas de suas partes – já foi um lugar bem mais fácil, simples e real. Nele as pessoas já fizeram comida com banha de porco sem se preocupar, já compraram fiado, o dólar era bem baixo, tinham como único creme hidratante o Nivea e – o MELHOR! – as pessoas só tinham que passar filtro solar quando iam para a praia (e só na hora que chegava)...

Mas algo mudou no mundo e parece que ele chegou à adolescência. Está naquela fase que apesar de parecer rápido e vigoroso, “se acha” além da conta e detém todo o conhecimento disponível (pois estudou para isto). Está cheio de especialistas em coisa nenhuma, repleto daquela atitude que sabe de tudo (por ter a informação em suas mãos, o tempo todo), com os sentimentos à flor da pele (emocionais e sexuais) e pensa que tudo é permitido, desde que seja de seu agrado.

E mundo – ah, mundão! – você está cheio de problemas que cria para si e para os outros, sem dialogo porque não sabe ser contrariado, cheio de ilusões e de coragem para agir e falar o que pensa. Contudo, esta coragem só surge atrás de uma tela com acesso à internet, pois no mundo real a coragem vira "sorrisos" e falsidade. E quer coisa mais chata que sorriso amarelo?!?  Só tentar viver e conviver neste mundo que está chato “pakas”, muito chato mesmo por conta das pessoas que o habitam...

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Não sou obrigada...


Trabalhando com relações humanas e sentindo muita, muita falta dela no trato do dia a dia fui procurar no dicionário o significado da palavra “obrigado”. Juro que fui pesquisar com um pensamento tão positivo que ao consultar sua real definição fiquei bem decepcionada. Fiz até esta carinha do emoticon do WhatsApp, esta bem aqui ao lado...

E por que fiz a carinha à lá WhatsApp? Porque nem o “pai dos burros” dá um crédito positivo ao iniciar a definição desta palavrinha, que está tão sumida ultimamente. Logo sai disparando que é algo que se obrigou, imposto por lei, imposto pela arte, uso ou convenção; necessário e forçado.

Não sei se você vai concordar, mas a definição inicial do tal Aurélio – do famoso “obrigado” – confronta diretamente o que nossas mães, pais, tios e avós nos ensinaram há bastante tempo. Quando nem sabíamos falar direito, já entendíamos perfeitamente que o “obrigado” era algo positivo, até precioso e que ia além de um sinônimo de boa educação diante às relações diárias, no trato com o próximo. Não era imposto, apenas reflexo de uma relação de troca entre duas pessoas.

Na infância o dizer “obrigado” – de forma sincera! – era algo mágico, lúdico e que despertava sorrisos. Era algo tão mágico que só podíamos dizer para retribuir algo vivenciado. Contudo, quando chegamos à vida adulta, esta palavrinha que era tão mágica e refletia sentimentos de agradecimento, gratidão ou reconhecimento fica endurecida, fria e se torna, apenas, o particípio de se obrigar a algo e que envolve poder, força e imposição. Situação fortalecida pelas primeiras definições do nosso querido dicionário.

E apesar de respeitar e agradecer imensamente o conhecimento do tal nobre glossário de vocábulos, não vou me sentir imposta a aderir suas definições iniciais ao "obrigado". Prefiro mesmo é ficar com o entendimento passado pelos meus pais, tios e avós. Afinal, pelo menos para mim, o "obrigado" ainda continua a ter aquele sentimento mágico (e do qual eu tanto sinto falta!)...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Oportunismo disfarçado de bondade; oportunismo que se ostenta...


Orgulho-me de ser jornalista de formação. Há pouco menos de dois anos, porém, fui convidada para desenvolver um novo departamento e, por este motivo, tenho exercido a função de ouvidora em uma administração pública. Apaixonei-me por este novo desafio e posso afirmar, com todas as letras, que nunca pude aprender tanto sobre a prestação de serviços ao cidadão, até reforçando este aspecto que me fez por optar pelo jornalismo. Aprende-se que é preciso aprender sobre tudo diariamente e que isto é uma dádiva.

Quando aceitei o convite de me tornar ouvidora de órgão público fui à nova função com um frio na barriga, mas tendo como princípio básico a teoria da comunicação e seus elementos (emissor, mensagem e receptor), para exercer seus papéis e para conseguir ajudar na interação sem ruídos. Escolhi esta teoria como base visto que o trabalho de uma ouvidoria – bem superficialmente falando, pois é bem mais abrangente – visa, sobretudo, melhorar a qualidade na prestação dos serviços a partir da troca de mensagens, da interação das partes envolvidas. Dentro deste contexto isto significa trabalhar para que a mensagem (constituída pelo conteúdo das informações a serem transmitidas) chegue corretamente do emissor ao receptor, seja a mensagem partindo do cidadão à administração pública ou vice-versa.

Enfim, por que tive que explanar sobre esta teoria? Para que fique bem claro que neste trabalho, a cada dia que passa, percebo que muitas pessoas externas à administração pública e aos interesses coletivos manifestados pelos cidadãos adotaram o oportunismo disfarçado de bondade; envolvem-se na relação democrática que deve haver entre um poder público e o cidadão somente porque adotaram como perfil pessoal a incrível capacidade de perceber o momento certo para a obtenção de vantagens próprias.

As ações oriundas da adoção deste substantivo masculino como conduta, como perfil pessoal, contudo, prejudicam muitos em suas necessidades reais. Além disto, têm a enorme capacidade de distorcer quaisquer coisas desde que não estejam relacionadas aos interesses oportunistas pessoais. Entristece-me, porém, saber que os manipulados pelos oportunistas em suas buscas e necessidades reais não conseguem reconhecer a falsa bondade. São, assim, feitos de marionetes por seres humanos egocêntricos e que somente praticam a falsa generosidade em benefício exclusivo, só para si mesmo e não como forma de respeito aos direitos e deveres do próximo.

Na função de uma ouvidora e, principalmente, na visão de jornalista de formação tenho aprendido sobre os prejuízos causados na relação democrática por estes que querem privilegiar seus interesses em total detrimento da ética e da moral. Tenho aprendido a ter pena destes oportunistas que se sentem no direto de enganar outros seres humanos para uma finalidade exclusivamente pessoal e que, ao contrário do que pregam, não prestam um “serviço democrático”, mas um desserviço à população e que são uma ofensa ao exercício da democracia.

E este oportunismo disfarçado de bondade fortalece com todas as forças um ensinamento cristão contido em l Cor 13,4-7: a caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Fonte da imagem: Blog do Gusmão.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Finalmente cheguei nos 29A...

Lembro-me quando minha tia Renata - que chamo carinhosamente de Jô desde que me conheço por gente - fez 30 anos. Festeira e animadíssima (continua assim até hoje!), as comemorações do aniversário dela sempre foram as melhores e ficaram marcadas como excelentes recordações de minha infância e minha adolescência. Tenho-a, inclusive, como minha segunda mãe de tanto que a amo, mas - apesar da convivência - não herdei esta "alma festeira" que ela tem, acabando ficando com a parte "caseira" da família. 

Enfim, voltando à festa de 30 anos da tia Jô - e o que este evento tem a ver com este texto (até tardio) - foi nesta data que ela me ensinou uma brincadeira que nos acompanha nas conversas até hoje:  quando uma mulher completa seus 29 anos e 11 meses, em seu aniversário de 30 anos, ela deve começar a contar a idade com o número 29 e expressar o passar dos anos com a ajuda das letras. Como seria isto? Ao invés de dizer "fiz 30 anos", diria "fiz 29 A" e aos 31 anos "29 B", seguindo assim pelo resto da vida ou até acabar o alfabeto. Este tipo de contagem amenizaria, em tese, o peso da idade e deixaria mais divertido o ato de ficar mais velha.  

Na época em que ela me ensinou isto achei muita graça e fiz imediatamente as contas de quando chegaria a data em que euzinha deveria contar minha idade desta forma. Achava que estaria bem velha e que este dia estava longe demais para me preocupar e, definitivamente, estava mesmo. E assim a brincadeira do contar a idade com o número 29 mais as letras seguiu pelo A, B, C, D, E, F e vai forte até os dias de hoje. É nossa piada particular que se tornou pública a partir desta postagem.Se me permitem uma observação: tia, sei que 30 de abril está próximo, mas fique tranquila que não vou compartilhar em qual letra está a sua contagem em pleno 2015!

Eis então que no último mês de 2014, ao 19º dia de dezembro, finalmente cheguei na data em que deveria começar a contar minha idade com o número 29 seguido de uma letra, na sequência do alfabeto. Confesso, porém, que ao invés de me sentir velha - como achava que iria me sentir quando ela me contou esta história e fiz as contas - sinto-me exatamente ao contrário do que imaginava. Passou mais rápido que pensei naquela época e não fazia ideia do que é o chegar dos 30 anos na vida de uma mulher (muito menos do quanto isto mexe com a cabeça do gênero feminino).

Sei que o metabolismo e o colágeno começam a despencar na vida da gente a partir desta idade. Entretanto, fazer meus 30 anos foi MUITO melhor que fazer meus 15, 18, 21, 25 ou 29 anos. No completar a 30ª primavera surge a vontade de celebrar tantas coisas boas que a lista seria enorme se começasse a ordená-las. Você percebe que reconhece bem mais as reais e boas atitudes, valoriza o que é para ser valorizado, não se importa com o que não deve se importar, diz não quando realmente quer dizer não e sim quando se quer, pensa como seria bom ter um filho e, sobretudo, a amar e a valorizar cada dia mais quem realmente é merecedor. A fé aumenta, assim como o desejo de querer estar com sua família, seu amor e seus reais amigos.

Já no aspecto profissional - pelo menos eu! - você tem uma visão mais clara das suas escolhas  e enxerga com mais maturidade que caminho quer seguir a partir de então. E se o assunto for saúde eu só tenho a celebrar, pois nunca fui tão feliz nas escolhas que levo ao prato e JAMAIS (jamais mesmo!) estive tão em forma quanto estou hoje. Correr, então, tornou-se tão essencial quanto água, assim como nadar, pedalar e marombar. Confesso que nem aos 15 anos conseguiria fazer as provas de resistência e treinos que faço atualmente, acompanhada sempre de uma turma mais que perfeita de amigos. Ganhei até um irmão de coração na busca por mais qualidade de vida. Buscar mais saúde tornou-se minha válvula de escape, meu passatempo predileto.  

E depois de tantas palavras ainda posso escrever, sem dúvida alguma, que passados os meus 29 anos e 11 meses compreendi exatamente o que a minha tia Jô queria dizer com aquela forma de contagem de idade. Aos chegar aos 30 anos podemos olhar para trás e ver o quanto já percorremos em nossa jornada, mas ao olhar à frente e ao agregar as letras na contagem, porém, percebemos que ainda temos que aprender as novas formas de ver, aprender e vivenciar esta coisa boa que é viver. Espero, porém, conseguir aliar números e letras e completar, pelo menos, mais da metade do alfabeto. Então que venham os 29 A, B, C, D que meu objetivo é chegar ao 29Z!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O que lhe faz querer...

Adoro textos que iniciam com uma pergunta. Acho que porque acredito que este recurso ao começo de um contexto tem um quê de mistério, de dúvida (óbvio!) e que quase que nos pega pelas mãos para saber até aonde se pode ir dentro dele, motivando a querer seguir e seguir. É quase que um poder de sedução e que não dá para resistir na maioria das vezes.  

E apesar de ter iniciado este texto com uma afirmativa longa, tomei a liberdade para fazer uso deste recurso e lhe perguntar: o que lhe faz querer seguir e seguir? A mim muitas coisas, confesso. Se for para frente são família (e a ideia de poder construir minha própria família), amor, trabalho, música, amigos (poucos e selecionados, mas queridos de verdade), filme, cachorro, gato, malhação, sobremesa, comida de avó, abraço, conversa boa, roupa e sapatos novos, piada ruim, costura, canto de maritaca e corrida, muita corrida. Tudo isto junto e misturado, às vezes mais de um e menos de outro.

A lista para seguir em frente é vasta, mas começa a ficar bem restrita quando a opção de seguir nos leva para trás, lá naqueles momentos em que ficar embaixo das cobertas parece ser a melhor ideia do mundo e no qual o quintal do vizinho, mesmo sem grama, sempre será mais verde que o seu. E quando me pego seguindo para trás me questiono da mesma maneira que fiz no segundo parágrafo, bem aí em cima. Nestes momentos me lembro o quê a prática da corrida me ensinou para seguir em frente, sempre. Vou me explicar melhor...

Se você decide começar a correr é porque você tem um objetivo. Fugir do estresse, por recomendação médica, para estar na moda, para emagrecer, para se sentir bem, porque ama comer sobremesa, para fugir do cachorro bravo, enfim, muitos podem ser os motivos. E a partir do objetivo definido se estabelece, então, uma meta (tempo, percurso, trajeto, quilômetros, pace, etc.) e inicia com a caminhada para se acostumar. Em seguida, dá os primeiros passos apressados. E é aí que o bicho pega: tudo é desconfortável, a respiração não se encaixa com os movimentos das pernas, você não sabe o que fazer com os braços e parece pesar três vezes mais, com tantos e tantos outros motivos. E é aí que se questiona: seguir em frente realmente vale a pena?

Penso que na vida também é assim. Se você parar, termina por ali porque os motivos não são suficientes para fazer você seguir em frente. Pelo menos naquele momento permanece ou vai para trás. Se persistir, porém, o corpo se ajeita com o tempo, o desconforto vira vontade e a vontade faz tudo ficar mais próximo do fim. Quando se chega ao final da corrida você pode estar dolorido ou não, querer continuar mais um pouco, ter percorrido um trecho curto ou longo, não importa, a decisão depende do que lhe faz seguir. Em todos os casos, contudo, quando se chega o fim é quase que impossível não se entregar à sensação de dever cumprido, ao poder de sedução das endorfinas tomando conta do seu corpo. Faz você querer ir além, dentro daquilo que seu corpo lhe permite.

E trazendo o que a corrida me ensinou à vida, ela reforça a pergunta lá do segundo parágrafo. Torna este questionamento uma constante. Mostra que a escolha, logicamente, é livre para quem quer seguir, permanecer ou ir para trás. Depende apenas se você quer correr cada vez mais longe, seguir mais alto e mais forte. O que lhe faz querer só depende da forma como você quer seguir e seguir. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O tempero que faz a diferença...

Escrever não é nada fácil, ainda mais quando se falta um pouco de vontade de dizer algo com as palavras ou quando elas são massacradas pelo tempo que há em seu dia, tornando o período que vai do nascer do sol à passagem da lua quase inexistente. 

O ato de escrever, um prazer tão solitário e pessoal, torna-se então robotizado, refém do dead line e de tantas outras coisas que deixam as palavras reunidas num contexto, mas sem o tempero que faz seu leitor querer mais. Fica igual a comida sem sabor: você pode até degustá-la, mas não com toda a intensidade que poderia ter. Faz sua refeição por obrigação e necessidade humana, porém não a faz como prazer.

Escrever é praticamente a mesma coisa. É tal como um cozinheiro preparando com todo o carinho do mundo o prato principal de um jantar, testando texturas, cores, sabores e cheiros. Ele se esforça para que seu convidado realmente tenha um momento único, um contentamento perfeito a cada garfada levada à boca. Nem sempre dá certo, mas nem sempre dá errado. Tudo depende de quem experimenta.  

Na escrita o processo é o mesmo, mas com ingredientes diferentes. Ao invés dos temperos, carnes, grãos e legumes, faz-se o uso de palavras: adjetivos, substantivos, verbos, entre tantos outros tipos. O cardápio é variado, assim como as oportunidades de combinações. 

Na cozinha ou na escrita, os riscos e os sucessos são os mesmos, as dificuldades também. Não há receita que garanta o sucesso, a prática é que lhe fomenta com o que pode ou não dar certo. Às vezes, um tempero ou mais fermento pode mudar tudo ou basta apenas achar as palavras e o estilo que agradem ao gosto alheio. Escrever realmente não é nada fácil, às vezes queria saber é cozinhar...


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Amor de avó é tudo de bom!

Seja qual fora a hora, se você chegar na casa dela imediatamente uma mesa cheia de delícias se materializará na sua frente, com quitutes que nem uma aula avançada de spinning é capaz de eliminar da cintura e das pernocas depois. E o pior – ou melhor – é que ela conhece exatamente o que você mais gosta de mandar para dentro e aprimorou, ao longo dos anos, o preparo dos itens para poder agradá-lo, leitor. E se ela não sabe fazer não se preocupe: ou ela aprende de tanto praticar ou ela compra o melhor que há e o deixa na dispensa para servir para você assim que for visitá-la. Afinal, ela é maestra em nos surpreender e verdadeiramente ganha o dia se consegue.
 
Se não bastasse ter nos conquistado pelo estômago, também teve a nossa máxima confiança conquistada ainda na infância, quando com muito jeitinho conseguia – ou tentava, pelo menos – nos livrar daquela baita surra merecida após ter aprontado alguma por aí e sua mãe ou pai terem visto a arte. Tudo bem que comigo não funcionava e eu tinha que arcar com as palmadas (minha mãe era decidida na punição), mas até hoje se formos levar uma bronca ela tenta nos livrar; tenta fazer com que nenhum mal chegue perto. Até a carne, se deixar, ela vai querer cortar no nosso prato ou soprar a sopa ou leite para que não queimemos a língua. Parece absurdo, mas não é para ela.  

Não importa se temos dois, onze, 28 ou 36 anos ou mais, sempre seremos os queridinhos e protegidos. Na casa dela, aliás, toda limonada é mais doce, todo bolo é quentinho, todo cobertor é macio, todo cachorro é pentelho, toda conversa é gostosa e até o filme da sessão da tarde é mais divertido. Não sei o que acontece, se é um dom de Deus ou se nossos pais aprimoraram muito – e muito mesmo! – a paciência dela, mas amor de avó é tudo de bom e sempre será. E por ser tão bom, acredito que amor de avó deveria ser regulamentado, virar Lei, ser prática da ISO, manual da ABNT  de boas práticas à vida. Uma política de direitos humanos ou um patrimônio universal da humanidade, não importa, amor de avó deveria ganhar um feriado internacional. Afinal, ela não merece ter apenas um dia celebrativo, comemorado em 26 de julho, mas todos os dias do ano.

Amor de avó deveria, de verdade, ter até uma terminologia própria no dicionário, mas enquanto isso não acontece, amor de avó para mim é representado em sua totalidade nos nomes Maria e Mercedes. Nomes que representam dois seres humanos fantásticos com os quais tive o prazer de crescer e de conviver e viver até hoje, graças a Deus! Duas mulheres que não se parecem em nada com a imagem esteriotipada que busquei no Google para ilustrar este post, mas que me motivam e que me ensinam, até hoje, coisas boas da vida e que me instigam a querer retribuir todo esse amor. E assim espero, ter aprendido tudo para também fazer o mesmo quando eu puder comemorar o Dia da Avó lá em 26 de julho num ano distante...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aos que também batem fora do bumbo...

Não sei se reparou ou se teve tempo para refletir sobre, mas ao longo da vida desenvolvemos uma certa capacidade quase que sobrenatural de atrair ou afastar determinados tipos de pessoas. Para alguns essa característica é chamada de carma, contudo, não me identifico em nada com essa terminologia, sobretudo porque o tal carma mais me lembra o jeito caipira de se pedir um pouco mais de paciência para alguém. Por isso, caro leitor, peço para você total licença para me referir a essa capacidade como um dom.

Autorização concedida (espero eu), tenho que confessar que esse dom tem a força máxima de atrair em minha vida pessoas que batem totalmente fora do bumbo. O que seria isso? Você pode me perguntar, pois logo respondo: são seres humanos exóticos, que não compartilham da vida alheia, que gostam de piada ruim, que dão gargalhada alto, que passam o dedo no pote de iogurte quando está no fim ou que, numa tarde qualquer lhe acompanha num cafezinho quetinho, lá da sala proibida.

São os que gostam de coisas simples da vida, que ao luxo dão poucas oportunidades, que dão foras que até Deus duvida, que falam alto, que gostam de comédia romântica, de livro ruim  e que com seus jeitos e trejeitos únicos são indispensáveis. São amigos, com o dom máximo de deixar a vida ainda mais divertida, com uma habilidade inigualável de fazê-lo se sentir melhor quando você mais precisa. E aos meus amigos, neste 20 de julho, desejo que continuem a ter o dom de fazer do bumbo algo para se tocar totalmente fora... 

terça-feira, 16 de abril de 2013

O nó...


Pode até parecer besteira, mas não é. Há períodos em que o sentimento de solidão toma conta de nosso ser e parece não querer ir embora. Com casa, comida, família, a pessoa amada ao nosso lado, emprego, tempo para fazer o que gosta e aprender coisas novas, chefes bons e roupa lavada, uma vida invejável e muito boa - graças a Deus - é até um sacrilégio escrever uma infâmia como essa. Contudo, ser humano que sou tenho enfrentado sozinha e quieta um sentimento horrível, que para ficar feliz e aproveitar algo bom se torna tão difícil quanto um pensamento de morte. Muitas vezes nem queria mais estar mais aqui. 

Sugiro que não continue a ler esse texto se chegou até o segundo parágrafo. Desculpe-me até de ter que ter lido isso, pois me admiro de ter escrito algo tão negativo quanto isso. Aliás, nunca havia escrito um parágrafo tão doloroso quanto o de cima, porém esse nó que dá na garganta está acabando comigo e é algo extremamente doloroso. Não quero mais sentir o laço apertado e tão angustiante de engolir. Não quero ter pensamentos que fazem meus olhos lacrimejarem, mesmo não conseguindo chorar. Faz-me até querer perder o autocontrole excessivo que criei dentro de mim e que não consigo mais me libertar, de duvidar daquilo que minha mente me apresenta. Quero fugir e quando fujo, quero voltar e aí começa tudo de novo.

O nó que tenho não é decorrente dos outros, de descrença no mundo ou da falta de Deus, porque creio; e também não é falta do novo, pois não é falta de nada viu. Acho que na realidade é o medo de criar  expectativas, pois a maioria é esmagada; de ter a razão muito acima da emoção e de não aproveitar o presente e só pensar no futuro, que apesar de me preocupar tanto não consigo aproveitá-lo quando ele vira presente. É aquela briga interna, que ninguém é capaz de apaziguar e que só me faz querer de volta a vontade que eu tinha de querer ser melhor e buscar lá no fundo, bem lá no fundo, ainda mais vontade para conseguir. É o choro reprimido e que seguro para não vir à tona, da força que quero mostrar e que está fraca por dentro, de enfrentar de frente o que olho de lado.

Espero que agora que escrevi e praticamente vomitei o nó aqui, que ele fique mais frouxo e que pare de fazer isso que tem feito comigo. De todo o coração, quero que afrouxe para que eu possa recuperar as expectativas. Que esse nó, tão apertado, se desfaça ou se desfaça. Já estou além do meu limite. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

É, cumplicidade, parece que foi ontem...


Tinha acabado de estacionar o carro numa vaga bem apertadinha, encontrada com sorte ao retornar do meu almoço hoje à tarde, quando o celular tocou e atendi sem se quer ver o número da ligação. Do outro lado da linha, uma voz suave e calminha disse: “Gabi, é você?” E eu imediatamente reconheci a voz da pessoinha simpática dizendo: “É sim, é a Natália?”. E teve início, então, uma conversa breve, porém muito animada e cheia de saudade com uma amiga muito querida, que não vejo pessoalmente há, no mínimo, uns quatro anos.

Apesar de parecer uma situação trivial para muita gente, a conversa fluiu como se não tivéssemos parado de nos ver, como se tivéssemos nos falado ainda ontem ali, na esquina, ou em outro lugar qualquer. Quatro anos recuperados em menos de dois minutos, numa conversa breve – porém ótima – ao telefone celular.

Juro que adoro quando isso acontece, pois é quando a cumplicidade demonstra que o tempo não é capaz de influenciar uma relação entre duas pessoas que se gostam e que se respeitam pelo que são. Na realidade fico ainda mais impressionada pelo fato desta tal de cumplicidade se manifestar sempre sorrateira e como ela seleciona a dedo seus eleitos, como nos tira da rotina de uma forma tão simples e tão marcante ao mesmo tempo.   

É uma delicia saber que a tal da cumplicidade, apesar de ser descrita negativamente pelo dicionário, é capaz – pelo menos para mim – de tornar o dia um dia ainda melhor para se viver e como ela consegue fazer voltar no tempo, fazer parecer que foi apenas ontem...