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A sina de Gabriela…

Se tem uma música que tem ecoado na minha cabeça nos últimos dias é “A Sina de Ofélia”, a versão brasileira da “The Fate of Ophelia” de Taylor Swift.  Aquela melodia melancólica, com versos que falam de um destino de sofrer, de se afogar nas próprias águas, de aceitar a dor como algo inevitável, até parecia um espelho perfeito: o ano me arrastava para o fundo, e eu, quase sem resistência, parecia deixar. Mas não, caro leitor, a história não deve ser assim… E foi exatamente nesse questionamento que 2025 se revelou o ano mais transformador da minha vida. Não só porque completei 40 anos (um marco importante na vida de qualquer mulher), mas porque foi o ano em que me tornei, de verdade, uma. E uma bem forte e que sabe quem é. Mas não foi fácil assim. Foi o ano em que paguei todos os meus julgamentos. Paguei a língua mais que boletos. E, olhando tanto em perspectiva quanto em retrospectiva, acho que foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Foi o ano em que me vi sozinha em m...

Eu não vou mais ser água…

Nunca imaginei que a história de Narciso - aquela tão famosa da mitologia - pudesse ser tão real. Aqui na vida de verdade, porém, ninguém morre literalmente afogado na própria imagem por vaidade pura. Quem “morre” é quem fica sufocado numa relação na qual sugam a sua essência, te controlam até o que você pensa. E quem faz isso são os mesmos que se auto-homenageiam o tempo todo e nunca, jamais, estão errados! O mais engraçado é que esse tipo de gente sempre cruza o meu caminho direta ou indiretamente. Até já falei bastante sobre isso com a minha amiga Marcinha. E ela fala uma coisa tão real:  Deus repete a lição até a gente aprender a dizer não sem tremer a voz. E eu só posso concordar: ela está coberta de razão. Já me relacionei com gente que se vendia como “sincera demais” ou “humilde de verdade”, mas por trás da fachada havia só um eu gigantesco escondendo o buraco que existe lá dentro. E com essas pessoas, eu parecia estar pisando em ovos o tempo todo, sempre alerta. Mas o que é...

Há leveza depois da tormenta…

Há quem me veja sempre sorrindo e, só por isso, imagine que nunca enfrentei tempestades. Puro engano. Eu mesma já contei aqui, neste mesmo espaço, sobre uma das maiores que atravessei (está lá no texto “Eu mesma no mar…”). Depois de um tempo, volto a escrever com o coração mais leve, com tranquilidade para viver de novo. Mas não tenho vergonha nenhuma de dizer: por trás desse sorriso já houve noites e noites em que o céu desabou inteiro, ventos que tentaram arrancar tudo pelo caminho, trovões que fizeram meu chão tremer e quase se partir ao meio. Talvez seja exatamente por isso que eu valorize tanto a paz. Foram tantas as vezes em que precisei juntar meus próprios pedaços no meio do caos, engolir o choro para não me afogar (nem afogar quem estava perto), repetir para mim mesma que estava tudo bem só para não desmoronar de vez. Escrevo isso tudo, caro leitor, para dizer uma coisa só:   as tempestades não definem ninguém; elas te moldam.  Podem deixar marcas, rasgar algumas part...

Tem gente que não perde nada…

Aprendi a duras penas: não há melhor espectador do que aquela pessoa que não gosta de você. O  inimigo geralmente tem dependência emocional, porque ama sentar na primeira fila, com holofote na mão, olhos de águia e print certeiro. Grava, recorta, amplia e compartilha. Fala mal de você onde puder e para quem puder.  Não perdoa nem espirro fora de hora. Estuda tudo que envolve você sem achar que você sabe . E é exatamente por isso que é o espectador mais assíduo que alguém pode ter!  Quem te odeia te bloqueia no geral, mas te rastreia no privado. É tipo plateia que já comprou o ingresso para te vaiar. Não adianta subir no palco, nada vai mudar. É o maluco que gosta da palma para dançar.  Cada passo seu é um episódio novo da série que maratona sozinha.  Quem odeia sempre pensa que sabe demais, pois não perde absolutamente nada sobre você.  Tem dossiê, print, áudio cortado, frase de 2002 que você nem lembra que disse. É porque quem te odeia não quer entender, q...

Quem me dera...

Sabe aquela história que te contaram uma vez, há muito tempo mesmo, e você nunca mais esqueceu? Pois bem, hoje meu post será um texto que reflete exatamente essa idéia, uma história contada pelo Rubem Braga, em 1953. De tão bem escrita parece que eu estava lá com ele, observando o mar e sentindo a mesma coisa, torcendo junto. Quem sabe um dia poderei contar uma situação cotidiana com tanta maestria... Homem no Mar Rubem Braga De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que resplende ao sol. O vento é nordeste e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde. Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem nadando. Ele nada a uma certa distância da praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e as pequenas espumas que nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo: espumas são leves, n...

Você prefere como?

O texto postado abaixo foi retirado do portal da F/Nazca . Quem me indicou foi a Lívia, dizendo que eu não poderia deixar de ler. Gostei tanto que pensei em dividir com vocês... Crise. Você prefere com ou sem açúcar? Nós já enfrentamos e sobrevivemos a muitas crises. Talvez já tenhamos perdido as contas sobre o número e a origem delas. Mas as malditas já nos surpreenderam diversas vezes enquanto assobiávamos distraídos virando algumas dessas esquinas da vida. Algumas foram provocadas pelo petróleo, outras pela Rússia ou pela China, a maioria gerada internamente, já que em matéria de crise, o Brasil sempre foi auto-suficiente. A tal ponto que, se não chegamos a ser fraternos amigos - nós e a crise - também não podemos negar que tenhamos nos tornado íntimos conhecidos. Nenhuma crise é igual à outra. Essa que chegou com toda a força, agora, certamente é a mais diferente de todas. Porque o Brasil não tem um pingo de responsabilidade sobre o que está ocorrendo e porque o Brasil está no seu ...

A história informal é tudo de bom...

Ainda faltava muito para as oito horas da manhã e já tinha que preencher um formulário que deixaram em minha mesa. Pouco tempo depois o ramal tocou e lá fui ao ambulatório com minha folhinha toda cheia de marcações, conversar com o médico da empresa. Já que não bebo, não fumo e minha saúde está ótima – obrigada! - pensei que minha consulta seria bem rápida e de rotina. Poderia ser assim em qualquer outro lugar, mas não quando o médico que irá te examinar é o Dr. Macatti. Ao entrar na sala ele logo começou a perguntar: “O que você faz aqui menina?”. Respondi de imediato que pediram para que eu fosse até lá e ele incorporou um entrevistador: - Você trabalha no marketing e é jornalista, né? Li aqui... - Sim... - Assistiu o Fantástico no domingo passado? - Não pude assistir. Não estava em minha casa... - Mas você viu a história dos médicos que não conseguiram se formar há muitos anos? - Sim, acompanhei pelos jornais. Li sobre o assunto e sobre a história daquele estudante... - Sabia qu...

E eu que queria ser ela...

Bonita como ela só, não perde tempo com besteiras. Vai logo ensaiando o que falará às várias pessoas que aguardam suas palavras, sentadas confortavelmente nas poltronas de sua sala. Ela nem ao menos sabe se prestaram atenção ou não em seu discurso. Mesmo observada por todos os lados, não fica envergonhada e conversa sobre tudo com todos. Sabe que são as conversas que guiarão suas inspirações e sua mensagem, não há como duvidar disso. Não demora muito para que dê as ordens para registrar a informalidade alheia, já que não pode individualizar as informações que acabara de receber. Este é seu trabalho. Observando de longe não tenho como dizer se ela é bacana ou não, se gosta do que faz ou se acha todo este processo uma chatice. Também não sei dizer se ela sabe o quanto ouvir Cindy Lauper é divertido, se gosta de chocolate ou se sente cólica de vez em quando. Será que ela canta no chuveiro? Não sei, apenas tento imaginar o que passa em sua mente, mas só consigo refletir se pelo menos ela r...

Ser chique é...

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A revista Vogue, como todo mundo sabe, é um dos títulos mais disputados pelas mulheres que adoram saber sobre as novidades do mundo da moda. É sinônimo de elegância, audácia, sofisticação e desperta o desejo de compra em várias pessoas que queriam muito ter aquele vestido, aquela bolsa, aquela jóia e aquela sandália super in . Além de ditar tendências, vende o luxo e a idéia de que o glamour pode estar em cada detalhe. Talvez seja por isso que não pude evitar o riso quando vi uma barraquinha de 'churrasco de gato' coberta com a propaganda da revista, em Campinas. A capa enorme oferece abrigo a várias pessoas que vão ao lugar forrar o estômago e tomar uma cerveja no fim da tarde. Mas será que o cardápio da barraca improvisada tem o mesmo glaumour que o conteúdo que 'recheia' a Vogue? Só posso dizer que o lugar está sempre cheio...

Um xingo de nada faz bem para desabafar...

Não é preciso viver em São Paulo para odiar o trânsito, basta você estar numa rua e ter pelo menos mais dois carros ao seu lado enchendo o saco. Digo isto de forma consciente, até porque não tirei minha carta pelo Orkut e sei dirigir direitinho, como um verdadeiro homem por sinal (sem machismo, mas é verdade!). Enfim, sempre pego rodovia, centro de cidade, aquela coisa toda, e não são raros os dias que vejo um monte de coisa errada, que me inspiram a mandar 'os autores' para a casa do caralho (isto mesmo, é para lá que mando). Entretanto, dentre tantas coisas idiotas, as que mais me tiram do sério são: 1) Moleque com cara de frustrado que quer passar onde nem um patinete passa e fica te enchendo o saco, querendo correr na rua esburacada pensando que é Interlagos; 2) Neguinho querendo 'encoxar' seu carro mesmo você estando na faixa da direita na velocidade máxima permitida; 3) Japonês de Santana querendo entrar na rua contra-mão sem dar seta e que ainda te xinga porque v...