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Eu sou dessas...

Não sei se você é desse tipo de pessoa: se manda uma mensagem de áudio no WhatsApp, você se escuta para ver como ficou. Sim, eu sou dessas, e reconheço que esse hábito já me salvou de alguns contratempos. Mas, se não bastasse ouvir meu próprio áudio, tenho outro péssimo hábito agregado, pois também pego de tempos em tempos, sem querer, para reler as coisas que escrevi há alguns anos. Quando faço essa ‘releitura’ de mim mesma por vezes me surpreendo, algumas negativamente e outras positivamente. Às vezes não acredito que escrevi algo tão pobre ou tolo, ficando envergonhada; e, em outras, custo a reconhecer que mandei realmente bem. E hoje foi um desses dias. Enquanto meu marido está aqui estudando, lembrei desse espacinho aqui só meu e resolvi dar aquela velha nova espiada. Aí vem aquele sentimento mesclado de vergonha e orgulho, parágrafo a parágrafo, que sempre toma conta do meu pensamento. Lembranças ruins e boas me levam sempre a relembrar porque parei um tempinho da minha vida para...

Meu xadrez pessoal…

O  tabuleiro não era de madeira fria, mas de chão vivo, pulsante, que se movia conforme o coração da jogadora acelerava. Cada quadrado respirava junto com ela, claro e escuro, luz e sombra. No meio, firme em seu espaço limitado, estava o rei. Ele não era apenas uma peça: era uma pessoa, alguém que ela precisava proteger a qualquer custo. Do outro lado, a falsa dama escarlate, ardilosa e ladina. Avançava com movimentos calculados, sempre buscando a brecha, como quem sabe que a força bruta não se vence sozinha. Sua presença pesava, ameaçava, engolia o ar. Não era reflexo, não era dúvida interna. Era inimiga real, disposta a derrubar o rei. A jogadora, por um instante, sentiu-se pequena demais. Não conhecia as regras, nunca havia jogado essa partida. Mas já estava dentro dela. E, mesmo sem saber como, precisava mover-se. As mãos da jogadora tremiam. O coração pedia pressa, mas ela moveu apenas um peão. Um passo pequeno, quase insignificante. E ainda assim, o tabuleiro inteiro se trans...