Espécie em extinção

Tem uma canção do The Killers que toca e, sem aviso, aperta a garganta. Fala de alguém que se tornou uma espécie em extinção: firme, constante, do tipo que não vira as costas na primeira onda forte. Chama-se Dying Breed. 

A primeira vez que ouvi foi num caminho qualquer e as lágrimas vieram quietas. Não foi drama, foi reconhecimento. A letra sussurrava uma promessa antiga: estar lá quando a água sobe, ser o que segura o outro pra não afundar. Não é sobre gestos grandes. É presença quieta nos dias em que o peito pesa, quando o medo faz barulho demais, quando o escuro tenta engolir tudo. E hoje ela tocou no modo repetir sem parar. 

Houve um tempo em que eu me esforçava para ser essa firmeza sozinha. Dava o melhor, absorvia o que não era meu, ficava porque acreditava que lealdade se constrói na dificuldade. Até que ficou claro: afundar junto não é amor, é naufrágio.

A lição é dura, mas libertadora. Quem se entrega de corpo e alma não veio ao mundo para ser reserva, para ser chamado só quando sobra espaço, quando dá. Quem oferece constância, presença real e olhos que enxergam a alma merece o mesmo em troca. Não é arrogância, é equilíbrio. Quem dá o melhor de si não precisa mendigar reciprocidade, merece recebê-la como privilégio mútuo. 

Porque o tempo passa e, diante à covardia, leva com ele a melhor das oportunidades e a possibilidade de ser feliz. E quem nasceu para ser privilégio não merece acomodação, mas quem te enxergue como algo precioso, bonito de ser vivido. 

E se algo dentro de você apertar de leve ao ler isso, caro leitor, talvez seja um lembrete. Quem dá amor, amor de verdade, é raro. E se não priorizado, é decretar sua extinção. 

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