terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Você já tocou uma guitarra imaginária?

Aposto que alguma vez na vida você deve ter simulado que tocava uma guitarra inexistente. Calma, não precisa ficar com vergonha! Ao contrário do que você possa imaginar muitas pessoas fazem a mesma coisa e algumas até participam de campeonatos realizados em outros países. Sim, existem competições de "tocadores de guitarra imaginária" (este não é o melhor termo, mas vou utilizá-lo mesmo assim).

Com o objetivo de entender melhor o que era isso, conversei com algumas pessoas que entendem do assunto. As respostas que obtive estão na minha matéria Acordes imaginários, que disponibilizo aqui. O tema me surpreendeu muito, principalmente após a entrevista com Fausto Carraro, o cara que mais entende de air guitar no Brasil. Além de muito simpático e paciente, praticamente me ensinou a entender o que é tocar uma guitarra imaginária e como funcionam os campeonatos.

Para saber mais sobre air guitar leia a matéria abaixo. Ela já foi escrita há bastante tempo, mas quem sabe você se anima e até participa da competição brasileira, marcada para acontecer em junho de 2009?

Acordes imaginários
Da brincadeira aos campeonatos: porque tocar uma guitarra imaginária pode ser tão divertido

Por Gabriela Angeli

A cena pode parecer comum a muitas pessoas: ao escutar aquela música que tanto gosta logo começa a se empolgar, surge uma vontade enorme de ter uma guitarra em mãos e com a imaginação em punhos começa a tocar os acordes em seu instrumento inexistente, acompanhando freneticamente a música. Pronto, o show particular está feito e você se sente uma verdadeira estrela do rock, sabendo ou não tocar de verdade.

Essa prática, de representar que toca uma guitarra imaginária com muita empolgação, é conhecida mundialmente como air guitar e reúne vários adeptos em todos os cantos do planeta. “Quem já não fingiu tocar guitarra imaginária? Acho que todo mundo um dia já fez gestos como se estivesse tocando. Se não fez deveria tentar, porque é divertido”, comenta o publicitário e músico de Jundiaí, Júlio César Rizzoti.

O farmacêutico Erich Amaral, de Ribeirão Preto, também encara a guitarra imaginária como uma forma de expressão. “Me sinto livre, pois é como se eu mesmo estivesse cantando, tocando, ensaiando e atuando. Expresso minha liberdade e sinto a música ao extremo”, comenta. Para a estudante de Araraquara, Laura Goulart, as pessoas fazem isso porque gostam de participar da música. “Gosto de simular isso porque muitas vezes cantar junto não é o bastante”, brinca. Contudo, há também os que não vêm graça na prática. “Não gosto da idéia de tocar algo que não existe”, comenta o músico Felipe Fávero, de Valinhos.

Do imaginário aos palcos

Apesar de ser visto como um divertimento, o simples ato de tocar um instrumento imaginário também é levado a sério por pessoas que realizam apresentações em público, principalmente em campeonatos organizados em diversos países.

O engenheiro goiano Fausto Carraro, de Goiânia, é apaixonado pela prática e diz tocar guitarra imaginária desde que descobriu o rock’n roll, por volta de 1992. Para ele, o air guitar é considerado diversão no estado mais bruto em que se possa imaginar. “É uma forma de expressar ficticiamente algo real”, comenta.

No Brasil Carraro é visto como autoridade máxima no assunto, já que foi o primeiro sul-americano a competir em um mundial do gênero, no Air Guitar World Championships, evento realizado desde 1996 na cidade de Oulu (Finlândia). “As pessoas que participam de campeonatos são profissionais liberais na faixa dos 25 e 40 anos, gente com uma vida bem regulada e que usam o palco para extravasar sua paixão pelo rock’n roll”, relata o engenheiro.

Durante estes eventos mundiais, conforme o goiano, os inscritos têm até um campo especial de treinamento no qual têm à disposição aulas de coreografia, de improvisação e workshop com o campeão mundial da última edição. “Garanto que é um dos lugares mais maravilhosos que já estive. Você pode saber até sobre as raízes históricas do air guitar com um professor da Universidade de Oulu, que pesquisa sobre o assunto. Além disso, é uma boa oportunidade para conhecer gente nova e fazer amigos de vários países”, declara Carraro.

Campeão canadense e terceiro colocado no campeonato mundial de guitarra imaginária de 2008, Cole "Johnny Utah" Manson é outro exemplo de amante do gênero. Não encara a prática como uma brincadeira, mas acha muito divertido tocar em campeonatos. “A sensação de se apresentar em frente de várias pessoas é bem legal porque você não precisa saber tocar uma guitarra de verdade, basta seguir seus sentimentos”, comenta. Aliás, Manson já se apresentou no Brasil após receber um convite do próprio amigo Carraro e ficou mais de 40 dias em Goiânia, período no qual gravaram diversas performances que podem ser vistas pelo site de vídeos Youtube.

Mas não são todos os praticantes de air guitar que gostam de se apresentar em público. O publicitário e músico Júlio Rizzotti, por exemplo, acha estranho haver competições do tipo. “Se você parar para pensar isto é bem inusitado, da mesma forma que pode ser considerado diferente tocar uma guitarra imaginária. Bem, esta parte ninguém precisa saber”, brinca. O farmacêutico Erich Amaral também aproveita para opinar, já que não sabia da existência de tais campeonatos. ”É uma idéia interessante para mostrar que a guitarra imaginária não é algo raro e já faz parte da vida de muita gente. Mesmo assim eu não participaria”, comenta.

Como funcionam os campeonatos

Para saber um pouco mais sobre as competições de air guitar, Fausto Carraro explicou passo a passo como são escolhidos os participantes e a dinâmica de avaliação. Inicialmente são realizadas pré-seleções em alguns países considerados membros e que possuem eventos regionais. Os escolhidos ganham uma passagem para o mundial na Finlândia, além de ir direto à final do campeonato, sem precisar passar por uma qualificação. Já os participantes dos países que não são considerados membros podem participar de um round de qualificação que é feito na noite anterior a final, no país sede.

Finalizada esta etapa, todos os que passaram pela peneira se apresentam ao público e são oficialmente avaliados nas categorias de originalidade, habilidade de incorporar a música, carisma de palco, impressão artística, técnica e airness. Este último quesito pode ser considerado o nirvana do air guitar, pois é quando o participante consegue transcender a mera imitação de um guitarrista de verdade e passa a ter um estilo próprio de tocar o instrumento imaginário.

Os juízes têm apenas um minuto para escolher seus favoritos, atribuindo notas que variam de 4 a 6 pontos, sendo que o air guitarrista passa por duas fases. Na primeira apresenta a música que escolheu e depois uma música indicada pelos organizadores, depois é só conhecer o novo campeão de guitarra imaginária. “No mundial o prêmio para o primeiro lugar foi uma guitarra de verdade e linda, em acrílico, como se fosse invisível. Ainda houve um air guitarrista escolhido por votação do público, que levou uma guitarra desenhada, produzida e oferecida pelo guitarrista Brian May, do Queen. Mas os prêmios são o que menos importam, o melhor de tudo é a diversão”, diz Carraro.

No Brasil acontecem diversos eventos isolados de air guitar, mas a expectativa é que o país tenha seu próprio campeonato no primeiro semestre do próximo ano. “O primeiro campeonato brasileiro de air guitar acontecerá em junho de 2009. Já tenho o contrato de licença e estamos à procura de parceiros”, finaliza.

Será que alguém se atreveria a tocar Through the Fire and Flames, do Dragonforce? Bom, eu já prefiro algo mais à la Welcome to the jungle, mas não custa nada tentar e usar a imaginação. É esperar para ver.

Quer saber mais sobre os campeonatos?
Air Guitar World Championships
Air Guitar Brazil

Fontes: Erich Amaral, Fausto Carraro, Felipe Fávero, Laura Goulart, Cole "Johnny Utah" Manson e Júlio Cézar Rizzotti.

6 comentários:

Done Zine disse...

Ficou boa, heim?! Eu já toquei a minha imaginária e a amandinha também tem tocado bastante, sabia? mas acho que a dela ainda é apenas um violão... hehehe...

Fernando disse...

Hohohohooo!!
muitooo booom!!
Legal saber desses campeonatos, nos shows de rock é muito legal as pessoas que fingem ter um instrumento, o que eu mais vejo são AirDrummers espalhados por aí!
Depois do primeiro post eu já não ligo mais em fingir ter uma guitarra no meio das pessoas!!
Muito rock pra vc!!
Té mais!

Gabriela Angeli disse...

Marcinha! Que bom que você gostou, ia colocar o comentário da psicóloga, mas ia fugir um pouco do que eu queria!

A Amandinha já começou a tocar a dela? Uia! rs

Eu sabia que deveria ter dado uma guitarrinha para essa menina linda ao invés da Barbie! rsssss...

Um super beijo, minha querida amiga!

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Oi, Fernando!

É muito divertido quando você vê alguém se entregando à música, por isso decidi saber mais sobre este tema inusitado (e me diverti pra caramba durante as entrevistas)! rs

Aliás, você foi no show do kaiser chiefs?

Um super beijo! = )

Fernando disse...

Fui no show sim!
Foi muito boom!
Porém podia ter sido melhor, durante o show do Offspring, um antes do tão esperado Kaiser Chiefs, minha amiga foi quase esmagada lá na frente, daí tivemos que sair de lá...
Só que antes de sair, sem querer, entramos em dois bate-cabeças!!
Foi f*da sair!
Tée+!

Fernando disse...

aah! bom ano novo!

Gabriela Angeli disse...

Nossa, outro show que eu queria ter visto no ano passado e não deu! Deixa para a próxima...

Obrigada, Fernando, para você também!