Nunca se está atrasado para o que é nosso...
Há uma lenda japonesa chamada akai ito - ou unmei no akai ito, o fio vermelho do destino - que tem aparecido bastante nas timelines das redes sociais. Ela conta a existência de um fio vermelho invisível, amarrado ao dedo mindinho de cada pessoa desde o nascimento. Esse fio conectaria indivíduos predestinados a se encontrar e compartilhar uma ligação profunda.
Segundo a lenda, ele pode se esticar, emaranhar ou enrolar, mas nunca se romper, até que, no momento certo da vida, os fios se puxam e a conexão ocorre. Isso explicaria porque certas relações parecem inevitáveis, independentemente das escolhas ou circunstâncias. Na mitologia oriental, nada poderia quebrar esse laço: nem o tempo, nem a distância, nem outras pessoas.
Curiosamente, algo semelhante existe na mitologia grega, com as Moiras. Mais que denominarem o cinturão de Órion na constelação (são as "Três Marias"), essas três deusas controlam o fio da vida de todos, mortais ou imortais. Uma o fia, a segunda o mede e a terceira o corta. Um ciclo que explica não só o quanto dura a existência, mas também com quem a atravessamos.
Mas antes que você me chame de nerd, caro leitor, digo que todo esse paralelismo que fiz aqui entre Oriente e Ocidente é para te mostrar o quanto compreender o invisível faz parte de todos nós, não importa o século.
Sim, no mundo real cruzamos com inúmeras pessoas ao longo da vida. Algumas frequentaram os mesmos espaços, tiveram conhecidos em comum, mas simplesmente não se enxergavam. Várias situações ocorrem para aproximar aquela conexão, mas algo acontece e o tempo passa. Eu mesma acho que, na verdade, as coisas acontecem do jeito que têm de ser, no momento que têm de ser. Na maior parte das vezes, para olharmos para dentro e percebermos que nada é perfeito - muito menos nós mesmos! - e que sempre é momento para buscarmos o melhor daqui para frente.
A vida passa e as coisas acontecem de forma tão intensa e sincronizada que não entendemos o que está ocorrendo. Lembrando da lenda japonesa, parece o fio sendo puxado, consolidando a conexão. E aí você se pergunta "só agora?", mas ninguém (pelo menos nesta vida) saberá o real motivo. Eu, sinceramente, acredito que não seja atraso, mas preparação. Algo como se uma força maior dissesse: "Ainda não é o momento." Afinal, a gente nunca está atrasado para o que é nosso.
Também acho que, enquanto "tecemos o fio", estamos nos preparando para algo grandioso e puro. Contudo, isso exige o triplo de coragem, fé, paciência e perseverança. Enquanto isso, é preciso tentar desembaraçar os muitos e intermináveis nós que surgem no caminho - sejam empregos errados, amigos que não eram para ser ou corações partidos que precisavam partir. O essencial é continuar a vida com ação, oração, paz e felicidade. Só assim acredito ser possível transcender o visível e dar forma ao invisível.
Afinal, no fim, o que importa não é quando a conexão acontece, mas como ela nos faz sentir quando chega e se intensifica em sentimento bom quando permanece. Tem gente que está do nosso lado só por estar, por status ou conveniência financeira ou social (este é o fio que deve ser cortado!). Mas tem gente que surge e se torna muito especial, parece que sempre esteve lá. Em quantas amizades percebemos isso?
Não importa quem ficou mais tempo, mas quem realmente faz valer em verdade, paz e intensidade. Quando a conexão é real, você pode ser você mesmo, com todos os seus defeitos, sem pisar em ovos, e ela permanece de forma tão pura e intensa que te faz querer voar junto. E quando se voa junto, nó ou emaranhado algum limita seu voo!
Comentários