domingo, 23 de março de 2008

Quem dera valorizá-la da maneira que ela realmente merece...

O despertador toca. São seis horas da manhã e Estela já tem que levantar. Pega os óculos ao lado da cama e caminha até ao banheiro. Ao olhar para o espelho não se acha bonita. Os defeitos de sua face logo sobressaem, mas não porque são visíveis, aliás, nem perceptíveis são.

Estela não gosta da imagem que vê todos os dias quando levanta, não se fala “Bom dia!”. As únicas coisas que pensa ao olhar seu reflexo é o fato de não estar com o mesmo peso da semana passada e que seu cabelo está mais amassado que nunca. Nem vale a pena citar o desespero dela quando vê um sinal de expressão que não existia perto dos olhos.

Quem cruza com Estela na rua nem se atenta a esses detalhes tão insignificantes, percebe apenas que aquela moça está um pouco cabisbaixa e nem olha para o lado. Se soubesse que sua beleza natural é comparável apenas a sua inteligência. Ao chegar ao trabalho coloca as coisas em cima da mesa: uma bolsa, uma revista de ginástica que acabou de comprar e um livro não muito conhecido, gosta de ler. Trabalha quase 10 horas diariamente é considerada uma das melhores funcionárias da empresa. Durante todo o dia escreve matérias dignas de quem está de bem consigo mesma, mal sabem o quanto ela briga com sua aparência.

Esse pode ser o retrato de muitas mulheres que dão mais valor à imagem refletida no espelho ao seu intelecto. Muitas nem ao mesmo sabem como designar o belo e por isso se subestimam. É difícil acreditar que Estela recuse a se enxergar todas as manhãs. Também é só ligar a televisão para perceber o quanto corpos e rostos são cultuados dentro e fora da telinha, a maioria desses diferentes do dela. São semelhantes aos expostos em propagandas nas ruas e nas páginas das revistas, que se forem destinadas ao público feminino sempre têm uma dieta nova ou uma tendência cosmética que acaba com todos os problemas estéticos em tempo recorde. Eu conheço vários.

Ah Estela! Realmente é difícil não ficar de fora dessa realidade, mas se você não se valorizar quem fará isso por você? Talvez falte um pouco de brilho no olhar para enxergar o quão singular você é, aliás o quanto somos. Ninguém é igual a ninguém, por isso valorizar a essência de cada um como um ser único é uma obrigação, mesmo sendo uma qualidade de poucos. Largue os modismos que só demonstram o quanto a beleza forçada é massificada e artificial.

A escolha é sua, basta acordar e falar antes de tudo “Bom dia!” para perceber a imagem que o espelho realmente reflete todos os dias.


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O texto pode até parecer um pouco um desabafo, mas não. Acho que é um sentimento comum a várias mulheres...