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O que enxergo em você…

É fascinante como percebemos o mundo de formas tão distintas. O que é belo para um pode ser insignificante para outro, e vice-versa. Mas há um tipo de visão que transcende essas diferenças, uma que é própria de cada alma: a capacidade de enxergar a essência verdadeira do outro. É aí que reside a verdadeira beleza das coisas. Essa visão é rara, quase mágica, mas quando acontece, é transformadora. É como um vício sutil, que nos deixa vulneráveis, mas de uma vulnerabilidade que acolhemos com prazer. Pode parecer fraqueza (e que seja!), mas quando ocorre, nada permanece como antes. Ideias ganham vida, sensações se tornam novas aventuras, e a alegria se manifesta, pura e intensa, nunca fugaz.  Enxergar o melhor de outra alma é ter o prazer da companhia genuína, o desejo mútuo de se querer bem com o que se é, não com o que se tem. É se dar bem, não desejar mal a quase ninguém, e ir à luta conhecendo a dor, mas sem jamais se render a ela. É algo tão belo quanto indizível, pois há um tipo ...

Quando um certo alguém…

Por tanto tempo tentei evitar seus olhos, mas, quando não consegui mais, simplesmente não pude reagir. Eles exercem sobre mim algo único: fico paralisada diante da intensidade que revelam. Não sei explicar, mas só consigo ser eu mesma na presença deles. São tão encantadores, e me deixam tão à vontade, que não consigo fingir absolutamente nada. Sou o que sou, com intenções explícitas, com ou sem. Seus olhos, aliás, cruzaram meu caminho e mudaram minha direção. No início, eu até ficava sem jeito, mas eles despertaram sentimentos de tal intensidade e profundidade que não me restou outra alternativa senão me entregar. Já tentei deixar isso subentendido, pois parecia uma fraqueza, mas agora pouco me importa. Sei que não é algo fugaz, tampouco abstrato. É algo que me faz tão bem, como a brisa na pele após um dia de sol.  E assim sigo, quando um certo alguém simplesmente olha para mim…

Autenticidade de viver por si...

Não há nada mais triste do que alguém que vive à sombra da vida alheia, alimentando-se de histórias, experiências e conquistas que não lhe pertencem. Essa dependência emocional cria um ciclo tóxico, onde a alma se perde, incapaz de se reconhecer e de ser quem realmente é.  Quando alguém se mergulha tanto na vida dos outros, torna-se um espectador passivo. Essa pessoa observa e se envolve de maneira quase obsessiva, mas, no fundo, permanece à margem de tudo. Pode parecer próxima da realidade, ao pensar saber cada passo da rotina, mas na verdade não conhece o que realmente importa. E é difícil imaginar uma vida tão vazia quanto essa! Para tentar preencher esse vazio, muitos recorrem a autohomenagens, numa tentativa desesperada de transmitir uma imagem de sucesso e felicidade. É um esforço fútil para afirmar uma identidade que, na verdade, não existe. Essa necessidade de validação revela apenas a inveja que se transforma em força motriz, levando a promover discórdias e conflitos, na e...

Semelhante atrai semelhante…

Tenho um amigo muito querido chamado Joel, com quem tive o privilégio de conviver por quase três anos no trabalho. Ele é uma das pessoas mais inteligentes e especiais que já conheci e me lembrei de nossas conversas hoje, enquanto refletia sozinha - olhando para o céu! - sobre todas as mudanças que tenho vivido e os desafios que venho aprendendo a superar.  Foi aí que me lembrei de uma das nossas conversas durante o almoço, dessas que sempre me marcavam. Joel é major da reserva e - entre tantas habilidades - também é piloto. E em uma de nossas conversas, ele certa vez me explicava sobre helicópteros, suas engrenagens e, principalmente, a atenção necessária no momento do pouso. Pegou um papel e, com a simplicidade e sabido que só, desenhou ondas para me mostrar como as vibrações do solo e da aeronave precisavam estar em equilíbrio. Caso contrário, disse ele, o helicóptero poderia se desmontar por completo. E aí não aconteceria o pouso, mas um enorme acidente.  E ele me explicand...

São apenas textos…

Algumas pessoas estão perguntando o que está acontecendo comigo, por conta dos meus textos. E eu, sinceramente, tenho achado isso até engraçado, pois escrever sempre foi uma diversão para mim. Faço isso desde 2008, num espaço particular, mas somente nos últimos tempos é que tomei coragem de torná-los públicos novamente.  Sempre escrevi sobre tudo. Não comecei a fazer de uma hora para outra. Ao contrário do que alguns imaginam, meus textos quase nunca são sobre mim, tampouco sobre alguém ou sobre você. São apenas textos.  É verdade. Os conteúdos quase nunca combinam com essa pessoa que muitas vezes você pensa conhecer. Mas é que todos têm um lado que poucas pessoas sabem de verdade. Meu lado escritora é bem mais complexo se comparado com o “eu” que desfila pela rua. Novamente, não é sobre mim, sobre alguém ou tampouco sobre você.  O fato, assim, é que há algum tempo comecei a dar vazão a algumas inspirações, percepções ou devaneios. Uma pessoa, em particular, fez-me novame...

Amor, antigo amor…

Crônicas sempre fizeram parte da minha vida, pelo menos da adulta. Descobri esse meu gosto por esse lindo gênero literário ainda antes de saber o que era isso. E de paixão virou um grande amor, tão grande que foi até tema à minha formação em estudos literários, anos depois.  Só poderia amar um gênero tão autêntico e tipicamente brasileiro. Nenhum outro país consegue transformar em literatura o que acontece no dia a dia. São textos mais curtos que podemos levar como inspiração a uma vida. Não tem forma melhor de refletir sobre o ordinário.  E se tem alguém que sabia escrevê-los de forma admirável, era Rubem Braga. Aliás, ele e Clarice disputam, no meu coração, um espaço que é só deles. Seus textos falam comigo de uma forma tão intimista que eu só poderia amá-los. A descrição do que faziam do que é diário e rotineiro me levam a estar junto com eles a cada frase lida. Às vezes é devassador à alma, mas outras transformador.  Clarice sempre está comigo quando preciso entender ...

A mensagem chega…

Como é bom escrever. Colocar no ‘papel’ ideias e pensamentos, ordená-los em frases, criar contextos e construir histórias é uma dádiva. Agradeço a Deus por sempre ter me dado esta facilidade, que é jogar com as palavras desde cedo. Como eu amo fazer isso. Escrever, para mim, é um ato de pura liberdade. Sou o que sou. É quase até uma prática de amor próprio, pois é algo que faço com muito carinho e desprendimento. É uma prática que afaga a alma, pois a permite estar em qualquer lugar, não importa o tempo ou deslocamento. Como é bom ter histórias para contar. Por meio delas a vida fica ainda mais bonita. Fica tão vívida que só poderia aproveitá-la em cada frase. Não importa se o dia foi bom ou ruim. Com as palavras organizadas fora da mente, desprendo-me do tempo. Vivo cada fonema. É incrível o poder que a escrita tem.  Escrever, assim, é se aproximar de quem está longe a cada sílaba idealizada. Goste você ou não da pessoa, a mensagem chega, sempre chega. E se tem algo que enobrece o...

Sempre esperando…

Eu sempre tive que esperar. Por tudo, por todos. É até uma ironia da vida, pois sou o tipo de pessoa que não gosta de se atrasar e, se me atraso, é porque foi extremamente necessário. Puxei ao meu pai nesse quesito. Contudo, sou sempre aquela que - por chegar antes ou dentro do combinado - espera. E a espera, para quem tem ansiedade, é uma péssima situação. Ela parece nunca ter fim; o tempo não passa e nada está bom. A impaciência toma conta da gente de um jeito, que fica chato conviver consigo durante aqueles minutos que equivalem a uma eternidade.  Talvez seja por isso que considero a espera um ato de amor. Você abdica daquilo que é mais valioso para você, para aguardar algo que pode nunca chegar ou nem merecer. Realmente espero que esse tempo todo valha a pena! 

Rampeira jamais...

Há algum tempo tenho enfrentado situações que me colocaram à prova. À prova de tudo, para ser bem sincera. Diria até que fui desafiada a enfrentar a mim mesma e meus pensamentos, dos quais eu sempre fui tão refém. Com o tempo, olhando ao meu redor e para dentro de mim, percebo que essas experiências me moldaram de uma forma que eu nunca imaginei. E eu, que sempre fiz de tudo para agradar os outros e passar despercebida, fui exposta. No começo, senti-me vulnerável, como se estivesse nua diante de todos. Mas hoje, isso já não me afeta. Isso porque adotei para minha vida os conselhos de Polônio a Laertes. Não dou mais voz aos meus pensamentos tolos, para não transformá-los em ações impensadas. Além disso, passei a valorizar ainda mais a simplicidade e a gentileza. Ser amistosa me afasta da vulgaridade. Ao contrário de algumas, jamais me rebaixarei a isso. Não sou rampeira e nunca serei.  Aprendi também que nem todo mundo é bom. Sempre acreditei que as pessoas eram, mas não. Na verdade...

A realidade que você me traz...

Acordei pensando em você. Eu sempre faço isso, mas é que hoje me deu um enorme aperto no peito por você não estar lá. Na verdade, nunca esteve nesse momento tão nobre do dia. Queria que estivesse, mas nunca esteve.  Tomando meu café, fiquei divagando e pensando que, por mais que renegue, esta sua ausência material me sufoca em alguns momentos. Mas otimista que sou, sei transmutar tudo isso em algo bom. E te digo o porquê.  Não vou mentir para você: às vezes lido bem com isso, outras vezes não. É porque esse vazio, que parece dar um nó no meu pescoço, relembra-me que há a realidade. E ela é nua e crua, sem ilusão. É o que é, sem enganar. Mas ela não me derruba, ela me fortalece.  A realidade - que me traz o fato da sua ausência física! - sempre me mostra algo fenomenal. Ela tem sido uma amiga verdadeira. Tem feito com que eu, obrigatoriamente, tenha que sair da zona de conforto praticamente todos os dias. E isso me leva a enfrentar situações e sentimentos que, no longo pra...