sábado, 3 de dezembro de 2016

O poder da oração...

Peço licença aqui para compartilhar esta oração que gosto muito e que está no livro do Padre Alberto Gambarini, o "Orações aos dias difíceis". Aos que não acreditam, por favor, ignorem a postagem. Mas aos que acreditam, convido-lhes para incluí-la em seu dia a dia se assim desejar.

"Por isso vos digo: tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado" (Mc 11, 24)

Meu Jesus, em vós deposito toda a minha confiança. Vós sabeis de tudo, Pai e Senhor do Universo, sois o rei. Vós que fizeste o paralítico andar, o morto a voltar a viver, o leproso a sarar, que vedes minhas angústias, minhas lágrimas; bem sabeis, divino amigo, como preciso de vós.

A minha conversa contigo, Senhor, dá ânimo e alegria para viver. Só de vós espero com fé e confiança. Se for de sua vontade, divino Jesus, peço para que antes de terminar esta conversa possa encontrar graça, com fé e gratidão ao Senhor. Iluminai meus passos, assim como o sol ilumina todos os dias ao amanhecer e testemunha a nossa conversa.

Jesus, tenho confiança em vós, que cada vez mais aumenta a minha fé. Obrigado(a) pelas graças alcançadas e pelo milagre da vida. Amém!

domingo, 27 de novembro de 2016

Os limites de 2016...

Não tenho sido uma pessoa muito otimista (pudera de estar começando o texto já com uma negativa). Também tenho meus motivos: 2016 está sendo um ano em que tenho sido testada em tantos limites, que ver a vida com os filtros do Instagram tem se tornado tarefa impossível.

Inicialmente estes limites eram apenas físicos, daqueles que você tenta superar em seus treinos e dos quais me orgulhava em estar realmente progredindo. E nesta progressão, quando estava porreta de boa, encontrei o dito limite, que me levou a deixar a corrida de lado por um bom tempo e a ter que abandonar a parte mais importante de uma rotina pesada (e que amava) de treinos, para exercitar a paciência de meu corpo. Objetivos foram deixados de lado e uma pequena parte de minha alegria também. Quem é corredor apaixonado sabe do que estou falando.

Depois do físico meu emocional passou a ser testado de diferentes formas. A depressão de um ente mais que amado me fez perceber que até o ser humano que parece ser o mais forte pode ser derrubado de forma brutal e sem pudores. E se você não é a parte afetada, para tentar vencer esta maldita doença, é preciso estar forte para ser o suporte de quem precisa, sem julgamentos ou certezas, somente suporte. É apenas estar lá para o que der e vier. Quem passou por isso sabe do que estou falando.

Mas a vida não é feita só dos sentimentos em terceira pessoa. Também há que se viver na primeira pessoa, não é mesmo? E foi justamente aí que meu limite de sentimentos começou a ser testado também, numa das partes mais importantes de minha vida. Assim como os demais 12 milhões de brasileiros, perdi o meu emprego por conta da crise econômica que acabou com nosso Brasil. A notícia, que recebi há pouco mais de um mês, tirou meu chão e jogou minha autoestima no lixo. Mesmo sabendo que não nascemos CNPJ, mas pessoa física, abalou minhas estruturas pessoais, pois trabalhava desde 18 anos e tive que deixar repentinamente aquela rotina que tanto gostava. Quem passou por isso sabe do que estou falando.

E com a sensação de estar no poço, não me entreguei. Comecei a subi-lo para novamente ver a luz, mas quando estava na metade do caminho a minha mania de falar a verdade e espontaneidade me derrubaram num só golpe. As duas juntas, sem dó ou piedade. E lá se foi todo um conjunto de sonhos por terra. Dói o coração, pois uma grande parte dele se esfarelou. Quem sabe do que estou falando também vai entender.

Passando pelos limites do parágrafo anterior, decidi escrever porque 2016 tem sido meu limite: mitigou meu otimismo, abafou meu bom humor, chutou minhas expectativas, me fez descreditar no ser humano, ensinou-me que dizer a verdade lhe traz uma série de problemas e que planejamento só dá certo se você não espera muito dele.

Ainda que 2016 não tenha terminado, devo dizer que ele também tem um lado para se tirar proveito (olha um pouco do otimismo aí). Tem me mostrado que sempre se pode erguer a cabeça e persistir no que deseja, se realmente desejar, mesmo que continue apanhando; que a vida tem sempre um outro lado, que deve ser o bom da situação; e que os estopins e alertas são simples e pequenos, mas que por não chamarem a nossa atenção lhe passam a rasteira e você dá com a cara no chão.

Este aninho "de lázaro" tem feito com que eu compreenda que os limites estão aí justamente para serem superados, tal como uma função matemática demonstra sua fundamental importância para definir as derivadas e dar continuidade a um raciocínio. Vamos ver se entendo melhor as funções que têm cada tipo de situação...

terça-feira, 31 de maio de 2016

Um, dois, três ou 33...

Relutei para escrever sobre isto, mas não pude passar ilesa nesse verdadeiro bombardeio de julgamentos digitais feitos contra a adolescente de 16 anos, que foi à polícia e disse ter sido violentada por, pelo menos, 30 homens em uma comunidade no Rio de Janeiro (RJ) no último dia 21.

Este texto, aliás, é quase um vômito bem na face da maior parte das pessoas que falam e julgam a situação. Não fazem ideia a dor da violência sexual e as consequências que seguem dia após dia, ano após ano, na alma feminina e de sua família. Somente quem passou por alguma experiência similar sabe a insensatez de quem fala deste assunto sem saber. Por isto, parei de relutar e decidi escrever.

Minha história
Aos 12 anos comecei a sofrer uma série de tentativas de abuso sexual dentro de minha própria casa, ou melhor, na casa de meus avós paternos. As investidas só não se consumaram porque meus pais – graças a Deus! – sempre construíram comigo uma relação muito aberta de confiança e de muita conversa, com linguagem totalmente compreensível. Sem esta relação acredito que, certamente, as investidas teriam se tornado algo bem mais grave e eu teria que carregar uma dor ainda maior em minha alma além da que já carrego.  

As investidas eram feitas de uma forma que eu demorei a perceber, na realidade. Eram singelas e escondidas, inicialmente, em brincadeiras de criança (jogos de carta, tabuleiro, pique-esconde). Ele – um antigo namorado da irmã mais nova do meu pai – era uma pessoa extremamente divertida e que adorada brincar e interagir; era o verdadeiro tio gente boa.

Só percebi que algo estava muito errado quando comecei a ver gestos estranhos no meio das brincadeiras. Quando ele começou a me mostrar partes típicas do corpo masculino “sem querer”, somente quando não havia alguém por perto. E as conversas de alerta que meus pais tinham comigo começaram a fazer total sentido. Não tive dúvidas quando ele, jogando cartas quando minha tia saiu da sala, fez questão de mostrar para mim - daquele jeito disfarçado, sentado e com a mão fazendo movimentos - que não estava de cueca. Percebendo que aquilo não era certo, a partir daquele dia eu não ficava mais sozinha perto dele, mas não contei aos meus pais por medo.   

E tudo se intensificou logo após o almoço de 1º de janeiro de 1997, na casa de meus avós. A minha tia, namorada dele, tinha cochilado no quarto dela, com ele; e os demais estavam descansando também. Fui assistir televisão no quarto da minha outra tia e ele deve ter percebido que eu estava sozinha. Viu, ali, uma oportunidade (acredito) e deixou minha tia dormindo no outro cômodo.

Na tentativa de me encurralar, ele até tentou me fechar no quarto da minha outra tia. Só dele entrar lá fiquei paralisada e ele tentou pegar a minha mão para colocar dentro do shorts dele. Consegui me soltar e me tranquei no banheiro do quarto. Não gritei, mas tremia tanto que mal conseguia espiar na janela do banheiro, para ver se conseguia chamar alguém de lá para me ajudar. A casa dos meus avós é enorme. Juro que esperei por cerca de uma hora no banheiro, espiando na janela e tremendo, até vê-lo no quintal. Sai correndo atrás de alguém... 

A primeira pessoa que encontrei ao fugir do banheiro foi minha avó, que estava cochilando no sofá dela. Ela até percebeu que alguma coisa estava errada, mas não fazia ideia do que era. Perguntava se eu estava bem, porque estava reagindo de forma estranha e eu só repetia que queria ir embora. Ela, então, me levou até minha casa. Corri com a minha mãe e contei absolutamente TUDO o que havia acontecido e o mundo dela parou; ela nunca mais se recuperou totalmente da “paulada” que foi aquela notícia.

Minha mãe saiu igual um furacão atrás dele, mas a impediram de fazer algo. Passados uns dois dias de muito choro e tristeza meus pais foram procurar um padre (somos católicos) e este padre, que conhecia o pedófilo desde criança, foi conversar com ele e o fez confessar o que havia acontecido. E realmente só “acreditaram” em mim e na minha mãe, de fato, quando ele “confessou” ao padre as investidas e a última tentativa.

O padre, aliás, foi o único envolvido no caso além de nossa família e a todo momento pediu para registramos um Boletim de Ocorrência (BO). Não procuramos a polícia por medo.

E o que aconteceu?


A vida tem que seguir e meus pais e eu tivemos que "superar" isto. A vida dele também seguiu: ele casou, teve um filho e hoje - novamente! - convive perto de outras crianças em sua casa, meninos e meninas, com menos idade do que eu tinha quando ele fazia as “investidas”.

Ainda herdei a vergonha que deveria ser dele. Também herdei a convivência com a dor nos olhos da minha mãe, que se transforma todas as vezes que a vejo ouvindo o nome dele ou se ela o vê na rua (a raiva e a dor são as mesmas de quando contei para ela o que tinha acontecido, lá nos meus 12 anos). Meu pai, nesta história, sempre tentou se fazer de forte. Mesmo ele tendo colocado em prática o ensinamento cristão do perdão, percebo que sente de não ter me defendido da forma que deveria. E isso acontece todas as vezes que aparecem casos de pedofilia e de estupro na TV.

As feridas que as tentativas e situações de abuso causam nunca cicatrizam, nem com um milhão de sessões de terapia. E foi justamente por isto que não poderia deixar de escrever sobre o assunto. Não importa quantos estavam lá, se faltou ou se não teve estrutura familiar, a idade, se já tinha feito sexo ou não, se estava drogada ou bêbada ou nenhum dos dois. Se foi um ou se foram dois, três ou 33, realmente não importa: a alma humana é roubada a cada tentativa de abuso sexual e morta a cada consumação do estrupo. 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Os anjos da vida real...

Aprendi que eles ficam ao nosso lado do início da vida até a morte. Acompanham-nos em cada passo e são responsáveis por nossa proteção no mundo terreno. A fé cristã os defende como seres tão maravilhosos que cada pessoa tem um deles para cuidar de si, um anjo para chamar de seu.

Tal como um guarda pessoal, o anjo da guarda fica ao nosso lado para nos conduzir à vida até o último suspiro. Contudo, sempre acreditei que além da existência destes seres espirituais tão especiais, que também temos anjos na forma humana. E eu me sinto muito abençoada, porque tenho muitos destes anjos reais perto de mim e guardo na lembrança muitos outros que, felizmente, passaram por minha vida.

Hoje, 28 de abril de 2016, por exemplo, um dia típico de outono, desfrutei da existência de vários deles presencialmente, por telefone, por WhatsApp e por e-mail. Eles não têm asas e tampouco sabem voar, mas sabem como levar esperança e bondade a um ambiente; desfrutam de uma luz própria tão forte que aquecem qualquer coração (mesmo aquele bem peludo). Têm defeitos da mesma forma que eu e você, tal como qualquer ser humano, mas são dotados de tanta personalidade, de tanta vontade de ajudar, que tornam muitas situações difíceis em vivências muito mais simples, agradáveis e leves. Deixam a vida menos chata.

Com a ajuda da empatia, estes anjos da vida real são palpáveis e agem - em sua maioria - com sinceridade, humildade e simplicidade, em atos e palavras, sem perceber. Trabalham conosco, estão entre nossos amigos, são da família e nos ensinam a querer ser uma pessoa melhor. Além de combater os"capirotos" diários da vida, ainda nos fazem rir, choram, sofrem e nos ajudam a ajudar. Nem sempre dá certo, mas é bonito perceber que tentam no máximo de sua capacidade e fazem o que podem de forma espontânea e sem segundas intenções.

E, verdadeiramente, sou grata a Deus por estes anjos da vida real, pelos que conheci, conheço e não conheço. Peço em minhas orações que continuem a mostrar - quando perco a fé e penso que o mundo está perdido - que ainda há bondade neste planeta e que um dia serão maioria entre tantos "capirotos reais". Creio que com a ajuda dos celestiais, os reais ainda vão ganhar a eterna batalha.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O mundo está ficando chato...

Estava a falar com a minha chefe quanto à conclusão de um atendimento de ouvidoria e, na mesa dela, após verificarmos que o atendimento em questão estava correto e que o reclamante não tinha razão em seus recursos, chegamos à conclusão que o problema não era o atendimento, mas o fato de que o mundo está ficando muito chato ultimamente. E chato de galocha, muito chato mesmo, do tipo que – nunca, nunca! – deve ser contrariado em suas vontades para não ficar ainda mais chato. 

E o mundo não está assim porque é uma característica dele. Nada disso. O mundo – apesar de cruel e continuar lindo em muitas de suas partes – já foi um lugar bem mais fácil, simples e real. Nele as pessoas já fizeram comida com banha de porco sem se preocupar, já compraram fiado, o dólar era bem baixo, tinham como único creme hidratante o Nivea e – o MELHOR! – as pessoas só tinham que passar filtro solar quando iam para a praia (e só na hora que chegava)...

Mas algo mudou no mundo e parece que ele chegou à adolescência. Está naquela fase que apesar de parecer rápido e vigoroso, “se acha” além da conta e detém todo o conhecimento disponível (pois estudou para isto). Está cheio de especialistas em coisa nenhuma, repleto daquela atitude que sabe de tudo (por ter a informação em suas mãos, o tempo todo), com os sentimentos à flor da pele (emocionais e sexuais) e pensa que tudo é permitido, desde que seja de seu agrado.

E mundo – ah, mundão! – você está cheio de problemas que cria para si e para os outros, sem dialogo porque não sabe ser contrariado, cheio de ilusões e de coragem para agir e falar o que pensa. Contudo, esta coragem só surge atrás de uma tela com acesso à internet, pois no mundo real a coragem vira "sorrisos" e falsidade. E quer coisa mais chata que sorriso amarelo?!?  Só tentar viver e conviver neste mundo que está chato “pakas”, muito chato mesmo por conta das pessoas que o habitam...

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Não sou obrigada...


Trabalhando com relações humanas e sentindo muita, muita falta dela no trato do dia a dia fui procurar no dicionário o significado da palavra “obrigado”. Juro que fui pesquisar com um pensamento tão positivo que ao consultar sua real definição fiquei bem decepcionada. Fiz até esta carinha do emoticon do WhatsApp, esta bem aqui ao lado...

E por que fiz a carinha à lá WhatsApp? Porque nem o “pai dos burros” dá um crédito positivo ao iniciar a definição desta palavrinha, que está tão sumida ultimamente. Logo sai disparando que é algo que se obrigou, imposto por lei, imposto pela arte, uso ou convenção; necessário e forçado.

Não sei se você vai concordar, mas a definição inicial do tal Aurélio – do famoso “obrigado” – confronta diretamente o que nossas mães, pais, tios e avós nos ensinaram há bastante tempo. Quando nem sabíamos falar direito, já entendíamos perfeitamente que o “obrigado” era algo positivo, até precioso e que ia além de um sinônimo de boa educação diante às relações diárias, no trato com o próximo. Não era imposto, apenas reflexo de uma relação de troca entre duas pessoas.

Na infância o dizer “obrigado” – de forma sincera! – era algo mágico, lúdico e que despertava sorrisos. Era algo tão mágico que só podíamos dizer para retribuir algo vivenciado. Contudo, quando chegamos à vida adulta, esta palavrinha que era tão mágica e refletia sentimentos de agradecimento, gratidão ou reconhecimento fica endurecida, fria e se torna, apenas, o particípio de se obrigar a algo e que envolve poder, força e imposição. Situação fortalecida pelas primeiras definições do nosso querido dicionário.

E apesar de respeitar e agradecer imensamente o conhecimento do tal nobre glossário de vocábulos, não vou me sentir imposta a aderir suas definições iniciais ao "obrigado". Prefiro mesmo é ficar com o entendimento passado pelos meus pais, tios e avós. Afinal, pelo menos para mim, o "obrigado" ainda continua a ter aquele sentimento mágico (e do qual eu tanto sinto falta!)...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Oportunismo disfarçado de bondade; oportunismo que se ostenta...


Orgulho-me de ser jornalista de formação. Há pouco menos de dois anos, porém, fui convidada para desenvolver um novo departamento e, por este motivo, tenho exercido a função de ouvidora em uma administração pública. Apaixonei-me por este novo desafio e posso afirmar, com todas as letras, que nunca pude aprender tanto sobre a prestação de serviços ao cidadão, até reforçando este aspecto que me fez por optar pelo jornalismo. Aprende-se que é preciso aprender sobre tudo diariamente e que isto é uma dádiva.

Quando aceitei o convite de me tornar ouvidora de órgão público fui à nova função com um frio na barriga, mas tendo como princípio básico a teoria da comunicação e seus elementos (emissor, mensagem e receptor), para exercer seus papéis e para conseguir ajudar na interação sem ruídos. Escolhi esta teoria como base visto que o trabalho de uma ouvidoria – bem superficialmente falando, pois é bem mais abrangente – visa, sobretudo, melhorar a qualidade na prestação dos serviços a partir da troca de mensagens, da interação das partes envolvidas. Dentro deste contexto isto significa trabalhar para que a mensagem (constituída pelo conteúdo das informações a serem transmitidas) chegue corretamente do emissor ao receptor, seja a mensagem partindo do cidadão à administração pública ou vice-versa.

Enfim, por que tive que explanar sobre esta teoria? Para que fique bem claro que neste trabalho, a cada dia que passa, percebo que muitas pessoas externas à administração pública e aos interesses coletivos manifestados pelos cidadãos adotaram o oportunismo disfarçado de bondade; envolvem-se na relação democrática que deve haver entre um poder público e o cidadão somente porque adotaram como perfil pessoal a incrível capacidade de perceber o momento certo para a obtenção de vantagens próprias.

As ações oriundas da adoção deste substantivo masculino como conduta, como perfil pessoal, contudo, prejudicam muitos em suas necessidades reais. Além disto, têm a enorme capacidade de distorcer quaisquer coisas desde que não estejam relacionadas aos interesses oportunistas pessoais. Entristece-me, porém, saber que os manipulados pelos oportunistas em suas buscas e necessidades reais não conseguem reconhecer a falsa bondade. São, assim, feitos de marionetes por seres humanos egocêntricos e que somente praticam a falsa generosidade em benefício exclusivo, só para si mesmo e não como forma de respeito aos direitos e deveres do próximo.

Na função de uma ouvidora e, principalmente, na visão de jornalista de formação tenho aprendido sobre os prejuízos causados na relação democrática por estes que querem privilegiar seus interesses em total detrimento da ética e da moral. Tenho aprendido a ter pena destes oportunistas que se sentem no direto de enganar outros seres humanos para uma finalidade exclusivamente pessoal e que, ao contrário do que pregam, não prestam um “serviço democrático”, mas um desserviço à população e que são uma ofensa ao exercício da democracia.

E este oportunismo disfarçado de bondade fortalece com todas as forças um ensinamento cristão contido em l Cor 13,4-7: a caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Fonte da imagem: Blog do Gusmão.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Finalmente cheguei nos 29A...

Lembro-me quando minha tia Renata - que chamo carinhosamente de Jô desde que me conheço por gente - fez 30 anos. Festeira e animadíssima (continua assim até hoje!), as comemorações do aniversário dela sempre foram as melhores e ficaram marcadas como excelentes recordações de minha infância e minha adolescência. Tenho-a, inclusive, como minha segunda mãe de tanto que a amo, mas - apesar da convivência - não herdei esta "alma festeira" que ela tem, acabando ficando com a parte "caseira" da família. 

Enfim, voltando à festa de 30 anos da tia Jô - e o que este evento tem a ver com este texto (até tardio) - foi nesta data que ela me ensinou uma brincadeira que nos acompanha nas conversas até hoje:  quando uma mulher completa seus 29 anos e 11 meses, em seu aniversário de 30 anos, ela deve começar a contar a idade com o número 29 e expressar o passar dos anos com a ajuda das letras. Como seria isto? Ao invés de dizer "fiz 30 anos", diria "fiz 29 A" e aos 31 anos "29 B", seguindo assim pelo resto da vida ou até acabar o alfabeto. Este tipo de contagem amenizaria, em tese, o peso da idade e deixaria mais divertido o ato de ficar mais velha.  

Na época em que ela me ensinou isto achei muita graça e fiz imediatamente as contas de quando chegaria a data em que euzinha deveria contar minha idade desta forma. Achava que estaria bem velha e que este dia estava longe demais para me preocupar e, definitivamente, estava mesmo. E assim a brincadeira do contar a idade com o número 29 mais as letras seguiu pelo A, B, C, D, E, F e vai forte até os dias de hoje. É nossa piada particular que se tornou pública a partir desta postagem.Se me permitem uma observação: tia, sei que 30 de abril está próximo, mas fique tranquila que não vou compartilhar em qual letra está a sua contagem em pleno 2015!

Eis então que no último mês de 2014, ao 19º dia de dezembro, finalmente cheguei na data em que deveria começar a contar minha idade com o número 29 seguido de uma letra, na sequência do alfabeto. Confesso, porém, que ao invés de me sentir velha - como achava que iria me sentir quando ela me contou esta história e fiz as contas - sinto-me exatamente ao contrário do que imaginava. Passou mais rápido que pensei naquela época e não fazia ideia do que é o chegar dos 30 anos na vida de uma mulher (muito menos do quanto isto mexe com a cabeça do gênero feminino).

Sei que o metabolismo e o colágeno começam a despencar na vida da gente a partir desta idade. Entretanto, fazer meus 30 anos foi MUITO melhor que fazer meus 15, 18, 21, 25 ou 29 anos. No completar a 30ª primavera surge a vontade de celebrar tantas coisas boas que a lista seria enorme se começasse a ordená-las. Você percebe que reconhece bem mais as reais e boas atitudes, valoriza o que é para ser valorizado, não se importa com o que não deve se importar, diz não quando realmente quer dizer não e sim quando se quer, pensa como seria bom ter um filho e, sobretudo, a amar e a valorizar cada dia mais quem realmente é merecedor. A fé aumenta, assim como o desejo de querer estar com sua família, seu amor e seus reais amigos.

Já no aspecto profissional - pelo menos eu! - você tem uma visão mais clara das suas escolhas  e enxerga com mais maturidade que caminho quer seguir a partir de então. E se o assunto for saúde eu só tenho a celebrar, pois nunca fui tão feliz nas escolhas que levo ao prato e JAMAIS (jamais mesmo!) estive tão em forma quanto estou hoje. Correr, então, tornou-se tão essencial quanto água, assim como nadar, pedalar e marombar. Confesso que nem aos 15 anos conseguiria fazer as provas de resistência e treinos que faço atualmente, acompanhada sempre de uma turma mais que perfeita de amigos. Ganhei até um irmão de coração na busca por mais qualidade de vida. Buscar mais saúde tornou-se minha válvula de escape, meu passatempo predileto.  

E depois de tantas palavras ainda posso escrever, sem dúvida alguma, que passados os meus 29 anos e 11 meses compreendi exatamente o que a minha tia Jô queria dizer com aquela forma de contagem de idade. Aos chegar aos 30 anos podemos olhar para trás e ver o quanto já percorremos em nossa jornada, mas ao olhar à frente e ao agregar as letras na contagem, porém, percebemos que ainda temos que aprender as novas formas de ver, aprender e vivenciar esta coisa boa que é viver. Espero, porém, conseguir aliar números e letras e completar, pelo menos, mais da metade do alfabeto. Então que venham os 29 A, B, C, D que meu objetivo é chegar ao 29Z!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O que lhe faz querer...

Adoro textos que iniciam com uma pergunta. Acho que porque acredito que este recurso ao começo de um contexto tem um quê de mistério, de dúvida (óbvio!) e que quase que nos pega pelas mãos para saber até aonde se pode ir dentro dele, motivando a querer seguir e seguir. É quase que um poder de sedução e que não dá para resistir na maioria das vezes.  

E apesar de ter iniciado este texto com uma afirmativa longa, tomei a liberdade para fazer uso deste recurso e lhe perguntar: o que lhe faz querer seguir e seguir? A mim muitas coisas, confesso. Se for para frente são família (e a ideia de poder construir minha própria família), amor, trabalho, música, amigos (poucos e selecionados, mas queridos de verdade), filme, cachorro, gato, malhação, sobremesa, comida de avó, abraço, conversa boa, roupa e sapatos novos, piada ruim, costura, canto de maritaca e corrida, muita corrida. Tudo isto junto e misturado, às vezes mais de um e menos de outro.

A lista para seguir em frente é vasta, mas começa a ficar bem restrita quando a opção de seguir nos leva para trás, lá naqueles momentos em que ficar embaixo das cobertas parece ser a melhor ideia do mundo e no qual o quintal do vizinho, mesmo sem grama, sempre será mais verde que o seu. E quando me pego seguindo para trás me questiono da mesma maneira que fiz no segundo parágrafo, bem aí em cima. Nestes momentos me lembro o quê a prática da corrida me ensinou para seguir em frente, sempre. Vou me explicar melhor...

Se você decide começar a correr é porque você tem um objetivo. Fugir do estresse, por recomendação médica, para estar na moda, para emagrecer, para se sentir bem, porque ama comer sobremesa, para fugir do cachorro bravo, enfim, muitos podem ser os motivos. E a partir do objetivo definido se estabelece, então, uma meta (tempo, percurso, trajeto, quilômetros, pace, etc.) e inicia com a caminhada para se acostumar. Em seguida, dá os primeiros passos apressados. E é aí que o bicho pega: tudo é desconfortável, a respiração não se encaixa com os movimentos das pernas, você não sabe o que fazer com os braços e parece pesar três vezes mais, com tantos e tantos outros motivos. E é aí que se questiona: seguir em frente realmente vale a pena?

Penso que na vida também é assim. Se você parar, termina por ali porque os motivos não são suficientes para fazer você seguir em frente. Pelo menos naquele momento permanece ou vai para trás. Se persistir, porém, o corpo se ajeita com o tempo, o desconforto vira vontade e a vontade faz tudo ficar mais próximo do fim. Quando se chega ao final da corrida você pode estar dolorido ou não, querer continuar mais um pouco, ter percorrido um trecho curto ou longo, não importa, a decisão depende do que lhe faz seguir. Em todos os casos, contudo, quando se chega o fim é quase que impossível não se entregar à sensação de dever cumprido, ao poder de sedução das endorfinas tomando conta do seu corpo. Faz você querer ir além, dentro daquilo que seu corpo lhe permite.

E trazendo o que a corrida me ensinou à vida, ela reforça a pergunta lá do segundo parágrafo. Torna este questionamento uma constante. Mostra que a escolha, logicamente, é livre para quem quer seguir, permanecer ou ir para trás. Depende apenas se você quer correr cada vez mais longe, seguir mais alto e mais forte. O que lhe faz querer só depende da forma como você quer seguir e seguir. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O tempero que faz a diferença...

Escrever não é nada fácil, ainda mais quando se falta um pouco de vontade de dizer algo com as palavras ou quando elas são massacradas pelo tempo que há em seu dia, tornando o período que vai do nascer do sol à passagem da lua quase inexistente. 

O ato de escrever, um prazer tão solitário e pessoal, torna-se então robotizado, refém do dead line e de tantas outras coisas que deixam as palavras reunidas num contexto, mas sem o tempero que faz seu leitor querer mais. Fica igual a comida sem sabor: você pode até degustá-la, mas não com toda a intensidade que poderia ter. Faz sua refeição por obrigação e necessidade humana, porém não a faz como prazer.

Escrever é praticamente a mesma coisa. É tal como um cozinheiro preparando com todo o carinho do mundo o prato principal de um jantar, testando texturas, cores, sabores e cheiros. Ele se esforça para que seu convidado realmente tenha um momento único, um contentamento perfeito a cada garfada levada à boca. Nem sempre dá certo, mas nem sempre dá errado. Tudo depende de quem experimenta.  

Na escrita o processo é o mesmo, mas com ingredientes diferentes. Ao invés dos temperos, carnes, grãos e legumes, faz-se o uso de palavras: adjetivos, substantivos, verbos, entre tantos outros tipos. O cardápio é variado, assim como as oportunidades de combinações. 

Na cozinha ou na escrita, os riscos e os sucessos são os mesmos, as dificuldades também. Não há receita que garanta o sucesso, a prática é que lhe fomenta com o que pode ou não dar certo. Às vezes, um tempero ou mais fermento pode mudar tudo ou basta apenas achar as palavras e o estilo que agradem ao gosto alheio. Escrever realmente não é nada fácil, às vezes queria saber é cozinhar...