quinta-feira, 30 de maio de 2019

A falta de lastro e o excesso de histeria...

Quando me perguntam qual é minha formação acadêmica e respondo “fiz comunicação social, com ênfase em jornalismo”, parece que eu joguei um balde cheio de cocô bem na cara da pessoa. De uns anos para cá, aliás, a expressão que mais vejo é a de desprezo, mas o que mais me incomoda mesmo é aquele olhar de descrédito. 

Até meus próprios familiares e amigos próximos, muitas vezes, comentam comigo ou deixam escapar que jornalistas não servem para absolutamente nada, pois só sabem mentir em causa própria. De tanto que essa situação tem se repetido e intensificado, comecei a refletir ainda mais sobre assunto, tentando encontrar uma explicação. Afinal, de quem seria a culpa dessa insatisfação coletiva?!

Como estou no meu blog, eu mesmo respondo: dos próprios profissionais de comunicação, jornalistas tanto quanto eu, que ao invés de exercerem o ofício com responsabilidade e ética, passaram a praticar militância, lacração ou mitagem. Tudo depende da quantidade de likes que seus comentários, textos, áudios ou vídeos geram no público de sua preferência ou no time adversário.

E a credibilidade, minha gente, para onde foi? Deve estar esquecida junto à matéria-prima da profissão, que são os fatos. Talvez possa estar atrás das bolhas sociais, do amor enrustido, do espírito anarquista, dos grupinhos organizados, das bandeiras ou, ainda, na “esgotosfera” que se tornou a internet, cheia de gente que sabe e compartilha de tudo e que, na realidade, não lê, não escuta, que não sabe de nada e só grita.

Fico triste com esse descrédito, pela falta de lastro, de equilíbrio, de uma postura jornalística que não tenha compromisso com o erro, como diz o mestre Augusto Nunes (espécie em extinção na profissão). Infelizmente, o único compromisso perceptível ao grande público tem sido o de pregação dos fatos, contaminados em sua maioria pelas agendas pré-estabelecidas de ranços eternos.

Que os amores se façam presentes nas músicas, nos poemas, nas crônicas, nos contos, nos romances, entre outros tipos de narrativas. Aliás, há gêneros suficientes para atender às paixões desenfreadas. O que não pode é o jornalismo continuar a se transmudar em ficção, servir a egos que se inflam com curtidas, visualizações ou seguidores.

Tem humorista por aí apresentando os fatos de forma muito mais real que os jornalistas. Na contramão, também há muitos jornalistas escrevendo mais piadas e asneiras que os humoristas.

Aí, como eu gostaria, sinceramente, de voltar àquela época na qual as pessoas me olhavam diferente quando me perguntavam qual era a minha profissão e eu dizia alegremente e sem medo de (pré)julgamentos negativos, por culpa da maioria irresponsável: “sou jornalista de formação”...

domingo, 26 de maio de 2019

O verdadeiro Girl Power x os discursos laxativos...

As Spice Girls voltaram oficialmente e anunciaram a turnê intitulada “Spice up your life”. Há poucos dias, em 24 de maio de 2019, regressaram mais plenas que nunca aos palcos, sem perder a majestade, com figurinos e personalidades únicas, reunindo com maestria tudo o que a gente quer e gosta numa boa e típica banda pop. Continuam com o mundo em suas mãos.

E eu, que vivi alegremente todo aquele frenesi dos anos 90, assim que soube do primeiro show, agi como uma mulher de 35 anos, adulta e madura: fui lá no meu guarda-roupa, tirei o pó dos três CDs delas, vi os encartes e imediatamente abri o Spotify. 

Logo em seguida, montei a playlist com as mesmas músicas da turnê 2019 e, ao ouvi-las, fiquei muito surpresa em perceber que relembrava todas as letras e as coreôs com maestria.

Mas deixando para lá o saudosismo de um tempo que nunca mais voltará, com a graças de Deus, comecei a relembrar o quanto elas - com aqueles figurinos e personalidades extravagantes, até estereotipadas (e que nós, fãs, gostávamos muito) - já defendiam e falavam sobre o empoderamento feminino de uma forma totalmente diferente do que se faz hoje em dia.

As cinco inglesas não defendiam um empoderamento "nutella" tal como o atual, que é (conta)dominado pelo politicamente correto ou por uma agenda de militância, que não permite a ninguém sair um milímetro da linha. O Girl Power das Spice Girls era raiz, de atitude e que mostrava humanidade, verdade e sanidade. Colocava totalmente no chinelo os laxantes e atuais discursos pré-moldados e lineares.

Aquele grito de Girl Power apimentado fazia barulho e não era exclusivo desse ou daquele público ou movimento. Ao contrário, absolutamente não fazia parte de uma agenda militante ou exclusiva de uma cambada chata para camaleão, para não escrever um palavrão. O Girl Power apimentado estava disponível a todos os que pudessem se identificar e ponto. Podem até dizer que era tão comercial quanto o que vemos hoje em dia, porém o que não se pode negar é que era muito mais aplicável à vida, justamente por não ser politicamente correto.

E se você duvida disso, meu total respeito. Só peço que ouça (e entenda) as canções “Who do you think you are”, “Do it”, "The lady is a vamp", a própria “Wannabe”, além da indispensável “Move over”.

Move over”, aliás, parece até um capítulo do apocalipse, que se reflete nos tempos atuais. Lançada em 1997 e escolhida para ser trilha sonora de um comercial da Pepsi, é quase uma previsão do que seria (ess)a próxima geração. Nesse verdadeiro hino do Girl Power há muitas palavras lançadas, até gritadas, imperativas e que parecem sem nexo. Mas também há uma mensagem bem clara e que poderia ser praticada por essa geração: para se semear uma boa semente, você deve ensinar e nunca pregar.  

Vivendo numa censura direcionada e aplicada aos que não seguem a agenda pré-estabelecida, posso dizer que tenho repúdio pela palavra empoderamento, sobretudo se acompanhada do adjetivo feminino e, consequentemente, de discursos pré-moldados. Cresci, afinal, ouvindo o verdadeiro grito de Girl Power, muito apimentado e que não era nem de perto politicamente correto. 

E com esse grito autêntico seguirei firme e feliz, com a minha playlist recém-montada, cantarolando que não devo me importar com o que dizem, porque há regras que existem para serem quebradas mesmo. Ao invés de me esconder, logo cedo aprendi que posso expor o que sinto (e penso) sem medo, inclusive sobre meu ranço em relação ao empoderamento laxativo, de qualquer segmento.

Come on and do it”, quem tiver vontade. "The race is on to get out of the bottom", finalmente...

Crédito da foto: Instagram oficial das Spice Girls.

domingo, 19 de maio de 2019

Seres especiais...

Você talvez não tenha percebido, mas entre os seres humanos há uma divisão clara, uma espécie de casta que diferencia um grupo de todos os demais, com características que são difíceis de esquecer ou não se encantar.

Mas antes que alguém comece a me chamar ou me acusar de qualquer coisa, a querer me rotular de preconceituosa, explico: refiro-me a exemplares específicos, com características bem peculiares e que lhes permitem serem identificados em qualquer lugar.

Os membros dessa casta são bem mais que simplesmente uma espécie viva, dotada de inteligência e de razão, com cabeça, ombro, joelho e pé (joelho e pé, sim, igual à música da Xuxa). São seres extraordinários, com uma capacidade enorme de transformar tudo o que está ao seu redor.

Apesar de não terem características físicas únicas, essas pessoas especiais compartilham de uma capacidade inerente a elas, somente a elas. São privilegiadas nas situações em que há uma sequência disposta de maneira alinhada, de qualquer tipo e em qualquer lugar.

No trânsito, no mercado e nas simples ações, os seres educados são os que ainda nos fazem crer na evolução da sociedade. Espécie em extinção, demonstram que ainda há esperança nesse mundão nosso de cada dia, num habitat no qual diploma e escolaridade não dizem absolutamente nada, se o que vem de berço não for sólido.

Fonte da foto: Blog das Letrinhas.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

A democracia na aula de muay thai...


Após um dia do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, logo depois de sair do trabalho, fui para a aula de muay thai, como de costume às segundas-feiras (quando consigo sair a tempo do serviço).  Chegando lá, enquanto passava a atadura, vivenciei a mais pura aula democrática: uma conversa com “representantes” legítimos da esquerda e direita, logo após da mais importante eleição do Brasil republicano.  

Enquanto os que defendiam a eleição de Jair Bolsonaro comemoravam a vitória, os petistas (e não petralhas nesse caso) participavam da conversa tirando sarro uns dos outros, usando as frases das memes e da autointitulada “resistência”, além das “fake news”, que foram amplamente divulgadas no decorrer da campanha eleitoral.

E fiquei lá, só observando com atenção aquele reboliço (muito democrático por sinal). E notando minha quietude,  perguntaram em quem eu tinha votado e, diante da minha resposta, imediatamente me incluíram nas brincadeiras e na conversa. Eram canhotas e destros debatendo da melhor forma possível.

Ao fim daquele “debate”, quando teria início a nossa aula, um deles – já senhor, petista roxo, daqueles que defendem o partido mesmo – virou para mim e disse: "independentemente de quem foi eleito, agora é torcer para que dê certo, pois estamos todos no mesmo barco, né?"

Ouvindo aquilo, logo atrás dele, o destro concordou imediatamente: “estamos mesmo, tomara que dê certo”!

Apesar das divergências, mesmo nessa polarização que o Brasil vive, só conseguia pensar que naquela simples conversa pré-treino eu vivenciava a mais completa manifestação de um sistema político no qual os cidadãos elegem os seus dirigentes. Era a democracia na prática, sem os extremismos que os militantes dos dois lados empregam e disseminam em redes sociais, nas universidades e afins.

Aquela conversa era justamente o Brasil que queremos, todos no mesmo barco, desejando o melhor ao País, sem a militância ridícula. Era o respeito nítido, de quem deseja só o melhor um ao outro

terça-feira, 24 de abril de 2018

Histórias para ninguém...

Nem me lembro mais quando foi a última vez que parei para escrever sobre algo que eu realmente tivesse vontade. Sério, parei para pensar e eu não me lembrei mesmo. 

Depois de muito esforço para recordar, parei e imediatamente comecei a escrever, pois esse raciocínio é preocupante. É ainda pior quando você trabalha o dia todo redigindo para muitas pessoas diferentes (muitas mesmo), em diferentes meios de comunicação.

Você manda até sinal de fumaça se precisar passar uma informação ao seu leitor, mas quando você é incapaz de se lembrar porque faz tanto tempo que não escreve mais para você, aí dá um aperto no peito. Até lhe faz debater internamente quando foi que deixou de ser quem é de verdade. 

Escrever por mim, para mim, tornam as histórias boas o suficiente para eu ter a liberdade de escrevê-las para você, para ele, para ela, para todos os que queiram ler. Se o jornalista não escreve para ele, ele é incapaz de escrever para alguém. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A menininha do vestiário...

Havia acabado de sair da aula de natação. Segui em direção à área coletiva de chuveiros do vestiário feminino, separei os itens do banho, escolhi o box, mudei a temperatura (para deixá-lo no quase frio) e liguei a água. 

Antes mesmo de fechar a porta para um pouco de privacidade, observei uma menina de óculos rosa me olhando sem piscar; não sei por quanto tempo ela estava ali. Acho que ela tinha uns oito anos, tinha cabelos castanhos claros e segurava uma calça comprida. Era uma menina muito bonita, que com o olhar me impediu de fechar a porta. Com a cabeça meio tortinha, ela nem piscava.  

Curiosa que sou, disse oi para ela e ela me disse oi de volta. Nunca havia visto ela por lá. E antes mesmo que eu tentasse fechar a porta para tomar banho, ela saiu igual a uma metralhadora: 

- Sabia que eu tomo banho aí também? Seu chinelo é igual da minha mãe. Ela calça 34 e eu brinco com os sapatos dela. Sua bolsa é esta preta? Que bonitinho o chaveiro que tem nela. Hoje eu também nadei nessa piscina aí. Tomei banho aqui hoje e estava brincando na área das crianças. Aí tive que voltar aqui para colocar minha calça! - disse ela, que estava de blusinha, shorts jeans e chinelinhos.

- Está frio lá fora? - respondi para ela. 

- Está nada, está "mó" calor. É que estou com o shorts que fica na casa do meu pai e não posso chegar com ele na casa da minha mãe, senão eles brigam. O que é da casa do meu pai não entra na casa da minha mãe, nem ele, ela fica muito brava. Tenho dois guardas-roupas, sempre tenho que fazer isso e não gosto, passar calor e é muito ruim. Gosto de usar shorts jeans e essa calça de moletom é da minha escola. Eu gosto muito de lá, semana que vem estou em férias... - falou ela em tom de desabafo, abaixando a cabeça e erguendo com um dedo seus óculos que estavam caindo. 

Se ela tinha me paralisado com o olhar fixo, ela me congelou com as palavras. Estava ainda com a porta aberta, com uma das mãos para tirar o maiô e só consegui fechar o chuveiro para não desperdiçar água. E ela continuou:

- Ele é que vem me buscar da natação, sabe? Eles não moram mais juntos, faz pouco tempo que isso aconteceu. Depois meu pai me deixa na porta do prédio e eu subo sozinha. Eu moro em Campinas agora, ele não vai lá porque eles não se falam e agora vou ficar com calor! Queria ficar com meu shorts, mas não posso e esse vapor não me deixa colocar a minha calça... - falou com os olhos estalados, atrás daqueles óculos rosa, tentando por a calça contra a vontade. 

- Então aguenta um pouquinho e troque assim que chegar na sua casa. Passa rapidinho, você vai ver! - respondi para ela, tentando deixar o assunto menos pesado.

E ela, abrindo um lindo sorriso, disse-me:

- Não entendo muito bem porque eles brigam por causa do shorts e me obrigam a por a calça quando está calor. Só que eu tiro porque não vou deixar minha mãe nervosa e não quero que meu pai brigue com ela. Eu não quero que fiquem preocupados, tento fazer eles felizes! - disse a garotinha. E sem me dar tempo de respirar, emendou: 

- Queria ficar aqui conversando com você, mas tenho que ir. Que calor! Essa calça não entra direito quando venho aqui, mas vai assim mesmo. E você também me disse que vai passar rapidinho, né? Seu xampú é cor de rosa igual ao meu. Depois você deixa o chuveiro no morno? Não esquece? É que tomo banho nesse chuveiro, moça, e não alcanço aí e odeio água muito quente ou muito fria. Meu pai já deve estar bravo comigo! - disse ela enrolando o shorts e colocando numa sacola plástica.  

E com aquele sorriso lindo, ela veio e me deu um beijo no rosto e foi embora. E eu continuei parada, com uma das mãos ainda na mesma posição do maiô e com a porta do box aberta.

Demorei alguns minutos, pensando na preocupação dela com o bendito shorts e o que deve passar na cabecinha dela, a preocupação em não deixar ninguém nervoso. Pensei, ainda, sobre a necessidade dela se abrir com alguém que nem conhece, o perigo disso para uma garotinha tão bonita e frágil, e como ela se sente em meio a isso tudo. Ao mesmo tempo fiquei pensando em quão madura ela se mostrava, tentando evitar brigas entre os pais recém-separados. Fiquei pensando nela durante todo o banho, em como também deve ser difícil aos pais toda essa situação.

Depois daquele dia sempre deixo aquele chuveiro - que é o predileto dela - no morno, do jeitinho que ela falou que gosta. 

sábado, 3 de dezembro de 2016

O poder da oração...

Peço licença aqui para compartilhar esta oração que gosto muito e que está no livro do Padre Alberto Gambarini, o "Orações aos dias difíceis". Aos que não acreditam, por favor, ignorem a postagem. Mas aos que acreditam, convido-lhes para incluí-la em seu dia a dia se assim desejar.

"Por isso vos digo: tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado" (Mc 11, 24)

Meu Jesus, em vós deposito toda a minha confiança. Vós sabeis de tudo, Pai e Senhor do Universo, sois o rei. Vós que fizeste o paralítico andar, o morto a voltar a viver, o leproso a sarar, que vedes minhas angústias, minhas lágrimas; bem sabeis, divino amigo, como preciso de vós.

A minha conversa contigo, Senhor, dá ânimo e alegria para viver. Só de vós espero com fé e confiança. Se for de sua vontade, divino Jesus, peço para que antes de terminar esta conversa possa encontrar graça, com fé e gratidão ao Senhor. Iluminai meus passos, assim como o sol ilumina todos os dias ao amanhecer e testemunha a nossa conversa.

Jesus, tenho confiança em vós, que cada vez mais aumenta a minha fé. Obrigado(a) pelas graças alcançadas e pelo milagre da vida. Amém!

A falta de lastro e o excesso de histeria...

Quando me perguntam qual é minha formação acadêmica e respondo “fiz comunicação social, com ênfase em jornalismo”, parece que eu joguei um b...