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A falta de lastro e o excesso de histeria...

Quando me perguntam qual é minha formação acadêmica e respondo “fiz jornalismo”, a expressão muda negativamente na cara da pessoa que está falando comigo. De uns anos para cá, aliás, a expressão que mais vejo é a de desprezo, mas o que mais me incomoda mesmo é aquele olhar de descrédito.  Até meus próprios familiares e amigos próximos, muitas vezes, comentam comigo ou deixam escapar que jornalistas não servem para absolutamente nada, pois só sabem mentir em causa própria. De tanto que essa situação tem se repetido e intensificado, comecei a refletir ainda mais sobre assunto, tentando encontrar uma explicação. Afinal, de quem seria a culpa dessa insatisfação coletiva?! Como estou no meu blog, eu mesmo respondo: dos próprios profissionais de comunicação, jornalistas tanto quanto eu, que ao invés de exercerem o ofício com responsabilidade e ética, passaram a praticar militância, lacração ou mitagem. Tudo depende da quantidade de likes que seus comentários, textos, áudios ou ví...

Seres especiais...

Você talvez não tenha percebido, mas entre os seres humanos há uma divisão clara, uma espécie de casta que diferencia um grupo de todos os demais, com características que são difíceis de esquecer ou não se encantar. Mas antes que alguém comece a me chamar ou me acusar de qualquer coisa, a querer me rotular de preconceituosa, explico: refiro-me a exemplares específicos, com características bem peculiares e que lhes permitem serem identificados em qualquer lugar. Os membros dessa casta são bem mais que simplesmente uma espécie viva, dotada de inteligência e de razão, com cabeça, ombro, joelho e pé (joelho e pé, sim, igual à música da Xuxa). São seres extraordinários, com uma capacidade enorme de transformar tudo o que está ao seu redor. Apesar de não terem características físicas únicas, essas pessoas especiais compartilham de uma capacidade inerente a elas, somente a elas. São privilegiadas nas situações em que há uma sequência disposta de maneira alinhada, de qualquer tip...

Histórias para ninguém...

Nem me lembro mais quando foi a última vez que parei para escrever sobre algo que eu realmente tivesse vontade. Sério, parei para pensar e eu não me lembrei mesmo.  Depois de muito esforço para recordar, parei e imediatamente comecei a escrever, pois esse raciocínio é preocupante. É ainda pior quando você trabalha o dia todo redigindo para muitas pessoas diferentes (muitas mesmo), em diferentes meios de comunicação. Você manda até sinal de fumaça se precisar passar uma informação ao seu leitor, mas quando você é incapaz de se lembrar porque faz tanto tempo que não escreve mais para você, aí dá um aperto no peito. Até lhe  faz debater internamente quando foi que deixou de ser quem é de verdade.  Escrever por mim, para mim, tornam as histórias boas o suficiente para eu ter a liberdade de escrevê-las para você, para ele, para ela, para todos os que queiram ler.  Se o jornalista não escreve para ele, ele é incapaz de escrever para alguém. 

A menininha do vestiário...

Havia acabado de sair da aula de natação. Segui em direção à área coletiva de chuveiros do vestiário feminino, separei os itens do banho, escolhi o box, mudei a temperatura (para deixá-lo no quase frio) e liguei a água.  Antes mesmo de fechar a porta para um pouco de privacidade, observei uma menina de óculos rosa me olhando sem piscar; não sei por quanto tempo ela estava ali. Acho que ela tinha uns oito anos, tinha cabelos castanhos claros e segurava uma calça comprida. Era uma menina muito bonita, que com o olhar me impediu de fechar a porta. Com a cabeça meio tortinha, ela nem piscava.   Curiosa que sou, disse oi para ela e ela me disse oi de volta. Nunca havia visto ela por lá. E antes mesmo que eu tentasse fechar a porta para tomar banho, ela saiu igual a uma metralhadora:  - Sabia que eu tomo banho aí também? Seu chinelo é igual da minha mãe. Ela calça 34 e eu brinco com os sapatos dela. Sua bolsa é esta preta? Que bonitinho o chaveiro que tem nela. Hoj...

O poder da oração...

Peço licença aqui para compartilhar esta oração que gosto muito e que está no livro do Padre Alberto Gambarini, o "Orações aos dias difíceis". Aos que não acreditam, por favor, ignorem a postagem. Mas aos que acreditam, convido-lhes para incluí-la em seu dia a dia se assim desejar. "Por isso vos digo: tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado" (Mc 11, 24) Meu Jesus, em vós deposito toda a minha confiança. Vós sabeis de tudo, Pai e Senhor do Universo, sois o rei. Vós que fizeste o paralítico andar, o morto a voltar a viver, o leproso a sarar, que vedes minhas angústias, minhas lágrimas; bem sabeis, divino amigo, como preciso de vós. A minha conversa contigo, Senhor, dá ânimo e alegria para viver. Só de vós espero com fé e confiança. Se for de sua vontade, divino Jesus, peço para que antes de terminar esta conversa possa encontrar graça, com fé e gratidão ao Senhor. Iluminai meus passos, assim como o sol ilumina todos os dias ao...

Os limites de 2016...

Não tenho sido uma pessoa muito otimista (pudera de estar começando o texto já com uma negativa). Também tenho meus motivos: 2016 está sendo um ano em que tenho sido testada em tantos limites, que ver a vida com os filtros do Instagram tem se tornado tarefa impossível. Inicialmente estes limites eram apenas físicos, daqueles que você tenta superar em seus treinos e dos quais me orgulhava em estar realmente progredindo. E nesta progressão, quando estava porreta de boa, encontrei o dito limite, que me levou a deixar a corrida de lado por um bom tempo e a ter que abandonar a parte mais importante de uma rotina pesada (e que amava) de treinos, para exercitar a paciência de meu corpo. Objetivos foram deixados de lado e uma pequena parte de minha alegria também. Quem é corredor apaixonado sabe do que estou falando. Depois do físico meu emocional passou a ser testado de diferentes formas. A depre...

Os anjos da vida real...

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Aprendi que eles ficam ao nosso lado do início da vida até a morte. Acompanham-nos em cada passo e são responsáveis por nossa proteção no mundo terreno. A fé cristã os defende como seres tão maravilhosos que cada pessoa tem um deles para cuidar de si, um anjo para chamar de seu. Tal como um guarda pessoal, o anjo da guarda fica ao nosso lado para nos conduzir à vida até o último suspiro. Contudo, sempre acreditei que além da existência destes seres espirituais tão especiais, que também temos anjos na forma humana. E eu me sinto muito abençoada, porque tenho muitos destes anjos reais perto de mim e guardo na lembrança muitos outros que, felizmente, passaram por minha vida. Hoje, 28 de abril de 2016, por exemplo, um dia típico de outono, desfrutei da existência de vários deles presencialmente, por telefone, por WhatsApp e por e-mail. Eles não têm asas e tampouco sabem voar, mas sabem como levar esperança e...

O mundo está ficando chato...

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Estava a falar com a minha chefe quanto à conclusão de um atendimento de ouvidoria e, na mesa dela, após verificarmos que o atendimento em questão estava correto e que o reclamante não tinha razão em seus recursos, chegamos à conclusão que o problema não era o atendimento, mas o fato de que o mundo está ficando muito chato ultimamente. E chato de galocha, muito chato mesmo, do tipo que – nunca, nunca! – deve ser contrariado em suas vontades para não ficar ainda mais chato.  E o mundo não está assim porque é uma característica dele. Nada disso. O mundo – apesar de cruel e continuar lindo em muitas de suas partes – já foi um lugar bem mais fácil, simples e real. Nele as pessoas já fizeram comida com banha de porco sem se preocupar, já compraram fiado, o dólar era bem baixo, tinham como único creme hidratante o Nivea e – o MELHOR! – as pessoas só tinham que passar filtro solar quando iam para a praia (e só na hora que chegava)... Mas algo mudou no mundo e parece que ele che...

Não sou obrigada...

Trabalhando com relações humanas - e sentindo muita, muita falta dela no trato do dia a dia - fui procurar no dicionário o significado da palavra “obrigado”. Juro que fui pesquisar com um pensamento tão positivo que ao consultar sua real definição fiquei bem decepcionada. E por que fiz a carinha à lá WhatsApp? Porque nem o “pai dos burros” dá um crédito positivo ao iniciar a definição desta palavrinha, que está tão sumida ultimamente. Logo sai disparando que é algo que se obrigou, imposto por lei, imposto pela arte, uso ou convenção; necessário e forçado. Não sei se você vai concordar, mas a definição inicial do tal Aurélio – do famoso “obrigado” – confronta diretamente o que nossas mães, pais, tios e avós nos ensinaram há bastante tempo. Quando nem sabíamos falar direito, já entendíamos perfeitamente que o “obrigado” era algo positivo, até precioso e que ia além de um sinônimo de boa educação diante às relações diárias, no trato com o próximo. Não era imposto, apenas refle...

Oportunismo disfarçado de bondade; oportunismo que se ostenta...

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Orgulho-me de ser jornalista de formação. Há pouco menos de dois anos, porém, fui convidada para desenvolver um novo departamento e, por este motivo, tenho exercido a função de ouvidora em uma administração pública. Apaixonei-me por este novo desafio e posso afirmar, com todas as letras, que nunca pude aprender tanto sobre a prestação de serviços ao cidadão, até reforçando este aspecto que me fez por optar pelo jornalismo. Aprende-se que é preciso aprender sobre tudo diariamente e que isto é uma dádiva. Quando aceitei o convite de me tornar ouvidora de órgão público fui à nova função com um frio na barriga, mas tendo como princípio básico a teoria da comunicação e seus elementos (emissor, mensagem e receptor), para exercer seus papéis e para conseguir ajudar na interação sem ruídos. Escolhi esta teoria como base visto que o trabalho de uma ouvidoria – bem superficialmente falando, pois é bem mais abrangente – visa, sobretudo, melhorar a qualidade na prestação dos serviços a partir ...